segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Roupa e calçado contrafeitos apreendidos este fim-de-semana em Macedo de Cavaleiros

No âmbito de uma fiscalização rodoviária, a GNR apreendeu vário material contrafeito no passado sábado em Macedo de Cavaleiros.

Entre os 458 artigos, que tinham como destino a comercialização numa festa popular do concelho, foram encontradas peças de roupa e calçado.

Escrito por ONDA LIVRE

A Rua, a Praça, a Casa. O surgimento de novas perspectivas - BRAGANÇA

Preocupando-se em inutilizar definitivamente as obras defensivas, dinamitando panos das muralhas e abrindo os ângulos de alguns baluartes, os espanhóis foram capazes de alterar a substância da relação da cidade com as construções que até aí tinham sido olhadas como redutos capazes de oferecerem segurança máxima em momentos de crise aguda. Só que não demoraria muito tempo para o conceito se alterar tanto interna como externamente dado que tanto a voracidade dos acontecimentos como a inevitabilidade do seu eco evidenciava o cansaço de grande parte das soluções tradicionais e a imanência de uma outra Europa que se anunciava nas metamorfoses de um radicalismo que os teóricos da teoria do direito divino da autoridade nunca suspeitaram.
Se internamente tem significado o esmorecimento do poder do poderoso Pombal, no plano externo um fundo temor invadia a alma dos privilegiados do Antigo Regime à medida que se evidenciavam os frutos nascidos da sementeira do novo ideário. Por isso, o que se anunciava em cada Primavera da parte final da décima sétima centúria, ainda que as atmosferas regionais fossem diferenciadas, era o fim de uma época, aquela que os historiadores costumam designar como Época Moderna.
Inúteis para a guerra, que agora se processava noutros moldes, as linhas das muralhas e barreiras tendiam também a ser olhadas como sinais de um tempo de repetidas sujeições, muitas vezes cegas e absurdas, por derivarem da cepa da injustiça em que assentava a ordem social do Antigo Regime.
Em Bragança, na parte final do século XVIII a documentação conhecida deixa ver o surgimento de novos interesses acompanhados por autorizações para a apropriação dos solos até aí ocupados pelas barreiras. Com a particularidade desses chãos possibilitarem, especialmente na Rua do Tombeirinho, a edificação de novas casas.
A tendência para o casario se aproximar paulatinamente do antigo cordão defensivo, o preenchimento dos espaços vazios que continuavam a bordejar as ruas e as adaptações do tecido edificado, como o acrescentamento de mais um piso às casas dos principais eixos viários, davam resposta às necessidades demográficas de uma urbe que continuava a manter uma relação muito estreita com o mundo rural. No essencial, seria esta estrutura urbana que permaneceu quase intocável durante mais de um século, até à altura em que os agudos silvos da locomotiva - a primeira locomotiva chegou a Bragança em Outubro de 1906 - não só alvoroçou os espíritos pelas esperanças no proclamado progresso mas ainda inculcou em todos uma noção, a do tempo regular e preciso que passou a ser determinado, inexoravelmente, pelos ponteiros dos relógios.
A presença da banda de Infantaria 10 na estação ferroviária no dia da inauguração do caminho-de-ferro, mostra a importância que a tropa continuava a manter nesta cidade por razões de ordem económica e também pela continuada capacidade dos seus elementos exercitarem as suas ideias entre o espaço castrense e as poltronas da municipalidade. Uma presença na urbe quase permanente e com objectivos que obrigavam a maior atenção aos ritmos das conjunturas.
Por isso, ainda antes de ter sido assinado o diploma relativo à nacionalização das ordens religiosas, os militares cobiçavam as casas do convento de Santa Clara e das Oblatas do Menino Jesus, no Loreto. Os edifícios das duas instituições religiosas seriam a base de projectos para a edificação de um hospital militar que se desejava maior e com aptidões que escasseavam no existente, levantado no século XVII, no tempo de D. Pedro II.
Sob o ponto de vista urbano, o apaziguamento social e político de meados do século XIX traduzir-se-ia numa maior atenção sobre a rua e a praça pois há notícia da obra do calcetamento do Largo das Eiras e da Rua do Passo. Estes empreendimentos corriam em 1854 e eram acompanhados pela vontade de se iluminar a cidade com seis lampiões de azeite que seriam colocados nas Eiras de S. Bento, Rua da Amargura (junto a S. Vicente, depois Rua de S. João), proximidades das Portas da Vila, numa viela da Costa Grande, na Rua do Passo e ainda na Rua dos Ferradores. Preocupações que, alargando-se, analisavam as vantagens de «se evitarem obras desllocadas, e sem nexo, que muitas vezes tolhem, ou impecem que se fação de futuro, obras de grande utilidade». Na mesma sessão, datada de 26 de Junho de 1856, consideravam-se ainda outras medidas de gestão urbana que se projectavam nos termos de um hipotético plano urbanístico que devia consignar, a par com o alinhamento das ruas e das praças, a canalização das águas. Seria nesta linha de preocupações que, no Verão desse ano, quando se construía um novo acesso entre a Rua dos Oleiros e o Forte onde estava o quartel de Cavalaria nº 7, se manifestavam orientações urbanas efectivas, registando-se no livro das actas da Câmara como a Rua do Espírito Santo, «huma das melhores da cidade, se acha deformáda e deturpada, com a saliência da caza chamada do Corpo da Guarda velho e com o coberto» de outro edifício particular que além de «tolhe(r) a vista da mesma rua» possibilitava a acumulação de lixos.
Em 1861, alguns vereadores insistiam na urgência de algumas obras que enfatizavam ambições urbanas: definição e traçado dos arruamentos, abastecimento de água potável, edificação de um novo edifício para sede do município, levantamento de uma carta topográfica da cidade e acessibilidades para as povoações do concelho e dos concelhos limítrofes.
Mas era regra que as perspectivas dos programas municipais não fossem acompanhadas pelos recursos da tesouraria. Daí que o património da igreja que tinha sido nacionalizado fosse muito apetecido. Entretanto, na pacata cidade alguns manifestavam em voz alta as preocupações relacionadas com a higiene urbana, clamando pelas vantagens de desinfectar as ruas, largos e becos, numa altura em que a cólera e o tifo andavam à solta.
O eco de alguns temas nacionais levaram as autoridades locais a solenizarem, em 10 de Junho de 1880, a alteração do nome do largo contíguo à Praça da Sé, o Largo das Eiras do Colégio, para Praça Camões. Dois anos depois, comemorava-se o centenário do Marquês e, em Maio, a antiga Rua do Terreiro passava a ser designada pelo nome de Marquês de Pombal. A ambiciosa pugna – não de todos - pela linha férrea não distraía a Câmara de lançar mão da cerca e convento das freiras de Santa Clara, espaço para o qual a cidade projectou realizações tão diferentes como uma praça-mercado e uma nova catedral. Atractivo era também o património edificado do convento de freiras de S. Bento, onde o município tentou instalar a sua sede a par com a acomodação de outras repartições públicas e equipamentos como uma estação telegráfica. Em Maio de 1859 o claustro do convento de Santa Escolástica seria desmontado e as suas colunas desbaratadas em outras aplicações.
As várias ocorrências com importância nacional e internacional provocaram o fervilhar das ideologias e a agitação do ambiente político finissecular transitaria para o século XX. Mas localmente o tema do caminho-de-ferro continuava com grande actualidade. Nos primeiros dias do ano de 1905, o engenheiro construtor da linha, Costa Serrão, incentivava a continuação dos trabalhos, promovendo terraplanagens, que foram empreitadas por João Lopes da Cruz, no espaço que se designava Largo de Santo António e Toural. Então, um ermo onde seria edificada a Estação, cujo prospecto seria, como escrevia um plumitivo local, «d‘huma perfeita belleza architectonica». Em simultâneo, apontava-se a necessidade de se rasgar a Avenida, uma nova via capaz de dar «vasante ao movimento que se há de estabelecer entre a estação e Bragança e para que é evidentemente insufficiente a estreita Rua do Conde Ferreira». Embora localizada a escassas centenas de metros da principal praça da cidade, a Praça da Sé, a estação ferroviária era sentida como um corpo relativamente estranho, talvez porque o sítio da sua implantação estava «fora de portas». Parecendo notório o peso da antiga atmosfera urbana, a verdade é que a Avenida foi sendo ladeada, mais de um lado do que do outro, por casario que respondia a um novo surto urbano a que o Estado Novo acabaria por se associar com o programa de uma nova praça, a que não faltava a famosa calçada portuguesa e um decorativo fontenário, monumentalizada com edifícios de risco estudado que davam pública mostra de alguns dos valores assinalados pelo regime em vigor.

Luís Alexandre Rodrigues – BRAGANÇA NA ÉPOCA MODERNA. MILITARES E ECLESIÁSTICOS. A RUA, A PRAÇA, A CASA.
Actas do Seminário Centros Históricos: Passado e Presente, pp. 70 a 96

População de Trás-os-Montes sem água devido à seca extrema

Em Trás-os-Montes os agricultores continuam preocupados com a falta de água e seca extrema.
Todos os dias os bombeiros voluntários de Miranda do Douro vêem-se obrigados a transportar cerca de 160 mil litros para garantir os níveis mínimos dos depósitos em algumas aldeias.


Esta Tarde fogo consumiu armazém, em Carrapatas, junto a habitações

Um incêndio destruiu um armazém dentro de perímetro habitacional esta tarde na aldeia de Carrapatas.
Os proprietários estavam dentro da casa na altura, que fica ao lado da infraestrutura consumida pelas chamas, mas, segundo os populares, não se aperceberam de imediato.

O alerta foi dado por uma habitante da aldeia, Paula Fernandes, que estranhou a presença de fumo junto às casas.

“Vi muito fumo negro e depois eu e a minha filha viemos cá no carro, estacionamos mesmo ali em frente e a pedir ajuda.

Depois vim aqui a casa à procura deles, também como são pessoas com problemas de saúde, tive medo que fossem para lá. Nessa altura já se tinham apercebido e pedimos ajuda.

Quando cheguei estava a arder uma tábua pan, mas o fogo devia vir das traseiras porque era imenso fumo e, quando cheguei aqui para falar com eles já estava a carrinha mesmo incendiada.”
Os proprietários foram transportados para o serviço de urgências de Macedo de Cavaleiros por apresentarem sinais de ansiedade.

As causas do incêndio ainda são desconhecidas mas, ao que apuramos, o armazém não tinha corrente eléctrica instalada.

O fogo destruiu vários bens dentro da edificação, inclusive uma carrinha e alguns animais domésticos que estavam guardados no anexo. As casas anexas não foram afetadas pelas chamas.

No local estiveram 22 meios terrestres apoiados por 7 viaturas, entre bombeiros e Guarda Nacional Republicana.

Escrito por ONDA LIVRE

China com interesse em Macedo de Cavaleiros

Um grupo de investidores chineses mostraram interesse em investir em Macedo de Cavaleiros.
Os empresários passaram pelos Passos do Concelho a semana passada e deixaram o desejo de investir também no interior, onde procuram uma maior qualidade de vida. Rui Costa, Vereador do Desenvolvimento Económico do município foi o anfitrião do grupo e deixou saber que, uma das áreas que despertou maior interesse para os investidores foi o desporto.

“Na área desportiva eles pretendem fazer investimento num clube dito de pequena dimensão, fazendo-o crescer. Para isso pretendem criar escolas de futebol nesse clube. Uma das condições impostas pelo município desde início foi preservar a identidade do clube Atlético de Macedo de Cavaleiros, eles iriam apenas ajudariam de alguma forma dotando de meios, neste caso financeiros, para que possa ter equipamentos e meios humanos para se desenvolver.”
Outras das áreas que agradou aos empresários asiáticos foi educação, onde mostraram vontade de alargar o ciclo de estudos no concelho, revela ainda o vereador.

“No ensino estamos a falar de sustentabilidade de receber crianças chinesas. Daí ao agrupamento de escolas, local que os investidores também foram visitar, estar capaz de receber um grande número de alunos. Além da área desportiva, têm que ter apoio pedagógico em termos formativos e estão também interessados em que estes ciclos de estudo não se feche no ensino secundário e a possibilidade de criação de cursos de ensino superiores para que esses cidadãos possam completar aqui o ciclos de estudos.”
E se o acordo for firmado, a requalificação da antiga residência de estudante da cidade poderá ser uma realidade.

“Esse edifício foi doado ao Ministério da Educação para residência de estudantes e não pode ser desafetado para outro fim que não seja esse. Portanto, seria do interesse do Município, caso haja um grande número de potenciais estudantes a virem para Macedo, podermos reativar, com o apoio do Ministério da Educação, essa residência para receber essas pessoas.”
Apresentadas as instalações e as condições de parceria, o município aguarda agora uma resposta por parte do grupo de investidores chineses .

Escrito por ONDA LIVRE

Rio de Onor está na final e pode ser eleita maravilha de Portugal

Rio de Onor, no concelho de Bragança é finalista do concurso das Sete Maravilhas- Aldeias de Portugal, promovido pela RTP.
Depois de Podence ter ganho um lugar na final, ao vencer a semifinal do grupo das aldeias autênticas, Rio de Onor foi ontem escolhido como uma das mais belas aldeias na categoria áreas protegidas. Rio de Onor destacou-se, na eleição, pela beleza natural e pela preservação do seu dialecto, rionorês.
Neste concurso que pretende promover, o território rural português e dinamizar o turismo nas diferentes regiões, o distrito de Bragança é representado na final por Podence e Rio de Onor.
A última gala realiza-se no dia 3 de Setembro, onde duas aldeias do nordeste transmontano podem receber o título de Maravilha de Portugal.

Escrito por Brigantia

Rola-Brava em vias de extinção leva ambientalistas a propor o fim da caça à espécie

A caça à rola-brava devia ter começado ontem em Portugal, mas foi suspensa pela declaração de calamidade pública por causa dos incêndios, que vigora até às 24 horas de hoje.
As espingardas ficam penduradas por mais uns dias, mas não se vão calar, apesar de a Coligação C6 ter apelado ao Governo para que cancelasse a abertura da caça à rola-brava. O Ministério da Agricultura, que tutela o sector cinegético, manteve o calendário venatório.
A C6 reúne seis organizações ambientalistas, entre elas a Quercus. O seu presidente, João Branco, justifica a proibição da caça à rola-brava com o perigo de extinção que ameaça a espécie. “Chegou-me do observatório europeu um relatório que indica que a população está 80% mais baixa do que em 1980 e o próprio governo reconhece na estratégia nacional de conservação da natureza que a população de rola brava corre o perigo de extinção”, refere.   
Por outro lado, João Branco adianta que os incêndios florestais deste ano também estão a contribuir para a extinção da rola-brava. “Os incêndios florestais deste ano mataram muitas ninhadas de rola”, explica.
Vítor Palmilha, presidente da Mesa da Assembleia Geral da Confederação Nacional dos Caçadores Portugueses, salienta que já apresentou uma proposta para suspender a caça à rola-brava durante dois ou três anos. Mas com uma condição: a moratória deve ser assumida por todos os países que fazem parte da rota migratória da espécie.
Em resposta a um pedido de esclarecimentos, o Ministério da Agricultura, adianta que a população de rolas é comum a Portugal, Espanha, França, Itália e a outros países mediterrânicos, pelo que a tomada de medidas a nível nacional não teria qualquer eficácia.
Nesse sentido, será necessária uma concertação a nível supranacional para que possa ser tomada uma decisão abrangente, que preserve a espécie.
Por sua vez, Vítor Palmilha, presidente da Mesa da Assembleia Geral da Confederação Nacional dos Caçadores Portugueses, sublinha que argumentar com a questão dos incêndios não tem razão de ser.
O fim da caça à rola-brava já anda a ser pedida ao Governo desde o ano passado pela Coligação C6, que reúne seis organizações ambientalistas, mas até agora não obteve qualquer resposta da tutela. 

Escrito por Rádio Ansiães (CIR)

Arraial é na TASKA

sábado, 19 de agosto de 2017

Feira de Gados - Torre de Dona Chama

foto: autor desconhecido

Praça do Mercado - Torre de Dona Chama

foto: autor desconhecido

Vimioso comemorou o Dia do Município com diversas atividades onde não faltaram tradição, música e muita animação

Despertando o gosto pelo desporto, Macedo Mexe Fit levou as pessoas para a rua a fazer exercício

Todos Diferentes, Todos Iguais

Hoje o jantar foi Trutas Salmonadas do "Hipermercado" do Rio Maças.
Infelizmente e há alguns anos a esta parte, este "Hipermercado" está encerrado durante o mês de agosto...por falta de água.

Proibição do lançamento de Fogo de Artifício

Por determinação governamental, informa-se que é proibido o lançamento de fogo de artificio desde as 14h00 do dia 18 de Agosto até às 24h00 do dia 21 de Agosto.

A rua, a praça, as edificações. Os poderes - BRAGANÇA

A rua e a praça estruturavam o espaço e organizavam as possibilidades de circulação de acordo com os condicionalismos impostos pelo cordão das barreiras de defesa. Na maioria das ocorrências inscritas no plano da normalidade, estes elementos urbanos deviam dar resposta às necessidades de um quotidiano ronceiro que apenas se transmutava nos dias de feira. Outras exigências acautelavam que tanto as ruas como as praças facilitassem os movimentos mais convenientes à estratégia militar, mormente quando as badaladas dos sinos mantinham a população de sobreaviso perante a marcha do invasor. Dias excepcionais, embora com carácter diferenciado, eram também aqueles em que o calendário impunha uma pausa à áspera labuta do dia a dia para se poder celebrar a festa com os seus prolongamentos nas esferas do sagrado e do profano A rua e a praça deviam ainda prolongar as naves das igrejas, especialmente naqueles dias em que as palavras inflamadas do pregador, para fazerem sentido, requeriam a apropriação e sacralização do espaço citadino pela comunidade de fiéis. 
Em alguns destes momentos as preces colectivas podiam ser motivadas por regozijos públicos, mas na maioria dos casos confundiam-se com demonstrações de exacerbada penitência em que o colectivo da cidade afagava a alma e se deleitava na contemplação dos rostos sofridos das imagens de vida exemplar. A voz do púlpito tinha a capacidade de conformar os gestos e o olhar de cada um de modo a que se desse visibilidade ao império de um ambiente místico. E os irmãos das confrarias, todos os homens, especialmente os que ofereciam os ombros ao peso dos andores, sincronizavam os seus passos arrastados com as sonoridades de charamelas e trombetas ou com som confrangedor das campainhas e matracas. Em outras ocasiões, algumas manifestações religiosas deixavam mais campo para as celebrações profanas. Sempre por amor a Deus! Actualmente já não se realiza a procissão de S. Jorge que era uma das principais da cidade. E o Passo contíguo ao chafariz da Praça de S. Vicente é a única capela remanescente dos Passos da Paixão, testemunho de resistência e, ao mesmo tempo, recordação do desrespeito dos homens pelos sinais desta memória colectiva. Num tempo em que as disposições da igreja militante eram avassaladoras e em que ser-se bom comedor de carne de porco equivalia à certificação de um cristão de boa cepa, era frequente que as medidas de polícia se associassem com outras do foro sagrado. Medidas de higiene pública obrigavam a varrer e regar as ruas aquando da realização de procissões importantes como era o caso da do Corpus Christi e impunham igualmente o branqueamento das fachadas das casas situadas no  trajecto por onde passava o pálio e o ostensório.
As posturas municipais deixam também ver como muitos ofícios se processavam ao ar livre, fazendo da rua ou do quintal, que muitas vezes complementava a casa, a oficina. E muitos foram os litígios gerados por tais práticas ou pelas perturbações causadas pela ocupação do espaço público com a exposição de produtos manufacturados. Nesta medida a rua nunca foi um espaço neutro. Por isso a fisionomia e, sobretudo, a personalidade social e funcional destes eixos sujeitos a factores como a incerteza e a descontinuidade do crescimento urbano sofreria assinaláveis transformações. No tempo das calmas, num mundo em que todos se conheciam, podia saber-se a quem pertencia o jumento ou o cavalo pela poeira que levantava o seu tropel e uma pequena ventania bastava para formar uma nuvem de poeiras que arrastava fragmentos de palha e de folhagens em decomposição. Mas no resto do ano vários eram os períodos em que as chuvas e nevadas transformavam as ruas e os terreiros em verdadeiros lamaçais, obrigando os moradores a exercícios diversos para poderem escolher o trajecto mais fácil.
Era um tempo em que a pavimentação era prática pouco usada e, mesmo nas grandes urbes, os passeios para peões nem sequer constavam da lista de preocupações dos edis. Estes bem ameaçavam com penas os que, sem gritar alto três vezes «água vai», lançavam os despejos para a rua ou aqueles que, nas zonas de curtumes envenenavam o rio com as surradas, ou ainda os que não depositavam os lixos nos locais das montureiras.
Uma multiplicidade de construções caracterizava este quadro já que além das funções residencial, religiosa, política e militar a vida quotidiana exigia a existência de fornos, de celeiros, de palheiros, de lagares, de tinturarias e de cómodos para os animais. No plano individual deve dar-se importância aos quintais porque complementavam a casa como horta, como jardim e lugar de despejos. E, quanto mais recuarmos no tempo, mais os espaços abertos influenciavam a morfologia dos arruamentos das nossas cidades, dominada pela irregularidade organizacional.
Assim, muitas das ruas só há pouco tempo, com a construção nos espaços vazios, adquiriram a configuração actual, uma sucessão de volumes cheios. Volumes definidos pelos edifícios de planta acanhada, o que lhes impôs um crescimento vertical, e pelas casas, em número muito menor, compridas e com dois pisos, sendo o andar ritmado pela presença de balcões e, ladeando a prestigiante pedra de armas, por uma sucessão de janelas emolduradas por pedras de cantaria. Em Bragança, entre 1762 e 1764, a loja de animais era presença constante em quase todas as habitações que nunca se elevavam acima dos dois andares. Contudo, a maioria das casas só tinha um andar. Neste período, a Rua Direita, que era a artéria mais importante da urbe, era definida por 61 casas com dois andares e 37 de um só sobrado. Salvo raríssimas excepções, a ausência de monumentalidade, a simplicidade de linhas e o escasso investimento decorativo eram as notas dominantes da arquitectura civil sem carácter público.
Também os paramentos das igrejas raramente mostram cedências às propostas de animação dos respectivos alçados. E embora reservem o maior investimento decorativo para a entrada principal a verdade é que, exteriormente, a superfície plana, a secura dos ângulos e a neutralidade das aberturas de iluminação documentam a relativa incapacidade das opções arquitectónicas para modificarem a estática volumetria das edificações. Em ambiente contrareformista, o maior investimento artístico reservar-se-ia para os interiores onde o brilho do ouro e a policromia dos retábulos e dos tectos de caixotões e de quadratura afirmavam a estética barroca enquanto maravilhavam os fiéis.
No traçado de cidades com raízes portuguesas não há um único centro mas a implantação sucessiva de largos e terreiros foram dotados ou ganharam capacidade de comandamento sobre as ruas ou sobre a linha de muros ou trincheiras que protegia a urbe.
Linha que apenas se interrompia em limitados pontos, as portas e postigos, e ainda assim com desigual importância, para que fosse possível o controlo sobre a entrada e saída de pessoas e bens.
A porta da Rua dos Oleiros e a da Rua do Cabo formavam as duas principais aberturas do grande perímetro defensivo. Ambas dirigiam o transeunte que demandava a cidade para a Praça do Colégio, vasto terreiro onde nasciam as Ruas da Corredoura ou da Carreira, depois chamada do Espírito Santo (a popular Rua de Trás), e a Rua Direita, as quais, correndo paralelas, apontavam a direcção do Castelo, antes de morrerem junto à igreja de S. Vicente que senhoreava a praça do mesmo nome e se abre no sopé da elevação onde pontifica a fortaleza medieval. Por isso o visitante que quisesse demandar a Vila tinha que passar em S. Vicente. O percurso mais directo proporcionava-o a Costa Grande e a Costa Pequena. Se a preferência fosse para caminho mais cómodo, porque com menor declive, o viajante orientar-se-ia para as igrejas de S. João e S. Bento, onde se abria outra praça. Tomando a antiga Rua dos Prateiros encontrava a porta principal do castelo mas se seguisse de S. João para S. Francisco, à sombra da fortaleza, podia entra na Vila pela Porta do Sol. Deste sítio partia a estrada de ligação com Outeiro e Miranda do Douro.
A praça foi sempre um elemento de diferenciação entre os modelos urbanísticos de tradição clássica e os de outros complexos histórico-culturais. Herdeira da ágora grega e do forum romano, nas nossas cidades sempre andou associada às funções vitais com destaque para as manifestações de cidadania mais emblemáticas.
Na sua evolução, a cidade de Bragança também pode ser analisado em função da praça e da supremacia hierárquica que largos e terreiros vão adquirindo à medida que se consolidavam os movimentos orgânicos da expansão urbanística. Sendo desejável que a sua amplitude espacial permitisse a realização da multiplicidade de funções que, periodicamente, ocorrem numa cidade, também era conveniente que a localização destes largos e terreiros contribuísse para a afirmação de valores de centralidade tão caros à governança, ao sermão, ao pregão e até aos ruídos novos que, na festa, desenredavam a alma de muitos.
Na Vila, na muralha do lado Norte, junto à Torre de Menagem e ao pé da torre dos sinos da Câmara, a capela de Santiago solenizava a praça do mesmo nome. Neste espaço, onde actualmente se ergue o pelourinho, foi onde, durante anos a fio, se encontravam os bragançanos com os moradores das aldeias do termo e gentes de outras partes que aí vinham a mercadejar.
A muitos, certamente que o alpendre da capela, cujas colunas se apoiavam sobre os leões que tinham pertencido a um túmulo com estátua feminina jacente, lhes ofereceu abrigo. O templo medieval já não existe mas perdurou a fama das luzidas festas que a nobreza, todos os anos, aí organizava para honrar o patrão dessa antiga paróquia da cidade.
O lento escorrer do tempo, fazendo a cidade extravasar os limites da muralha que protegia o primitivo núcleo urbano, dava consistência à personalidade urbanística dos arrabaldes. Ao mesmo tempo crescia o interesse de compradores e vendedores para, em certos dias, acorrerem ao terreiro onde a alta torre da igreja de S. João Baptista projectava a sua sombra. Sendo certo que as muralhas ofereciam protecção aos que moravam no espaço intramuros também é verdade que a segurança exigia contrapartidas que, em certos momentos, agravava as dificuldades dos residentes. Então, paulatinamente, iam-se desenhando movimentos que privilegiavam as moradas no exterior das muralhas. Alguns documentos testemunham como os da Vila protestaram contra a importância crescente da Praça de S. João.
Protestos que, uma ou outra vez, encontraram acolhimento no seio dos homens-bons, os mesmos que decidiram a aplicação de coimas a todos aqueles que teimassem na sua preferência comercial pelo rossio situado defronte da paroquial de S. João. Era à Praça de Santiago que se deviam dirigir. Decisão que provocou a contestação dos habitantes do arrabalde porque, diziam, além da Praça de S. João ser tão antiga como a cidade também era ancestral costume aí poder vender quem quisesse. Portanto, parece que mais do que a questão económica o que verdadeiramente estava em causa era a definição de uma nova hierarquia espacial no tecido urbano.
Posicionada nas imediações das portas da Vila, em espaço relativamente desafogado, esta praça era tutelada pela igreja de S. João Baptista, uma importante paróquia da cidade que na segunda metade do século XVIII seria colada à Sé, transferida por D. Fr. Aleixo de Miranda Henriques de Miranda do Douro para Bragança. Daquela decisão resultaria a progressiva ruína da igreja que acabaria por de perder. Ornamento da mesma praça era a casa da prosápia dos Teixeiras onde, depois, se fundou a igreja e o convento das freiras de Santa Escolástica. Num dos alçados do tempo ainda se conserva a pedra de armas daquela linhagem e testemunhos dos marcos de algumas janelas do primitivo solar.
Depois de 1685 a praça seria bastante amputada já que, como a anuência do juiz, dos vereadores e do procurador, a cidade consentiu que as religiosas anexassem ao convento «o ditto terreiro». Durante boa parte do século XVIII foi neste espaço que esteve a Casa da Alfândega, organismo que também ocupou umas «cazas» que pertenciam à abadia de S. João Baptista e que se implantavam na Praça de S. Vicente.
A largueza de espaço não era atributo principal da praça que recebia os fluxos provenientes de duas das mais importantes artérias da cidade – Rua Direita e Rua do Espírito Santo – que reorientava para o Castelo ou S. Francisco e que, através do Postigo da Cadeia, comunicava com a Ponte das Tinarias, sobre o Fervença, e garantia o acesso às fontes que forneciam água potável à cidade, aos moinhos, aos tanques dos curtumes e às tinturarias das sedas. Durante muito tempo estas actividades nutriram a economia local e caracterizaram o tecido social desta parte da cidade que, no século XVII, assistiu à formação de novos arruamentos. Durante o século XVI, quando a igreja de S. Vicente sofreu obras de monta, o lance da mudança da confraria da Santa Cruz da capela de Santa Catarina, situada na igreja dos mendicantes, para o templo consagrado ao santo diácono acrescentou importância ao templo e à praça. A confraria do Santo Cristo, como passara a ser designada, converter-se-ia na mais importante da cidade dando ensejo à realização de grandes festejos. E, quando a projecção do culto se mudou para Cabeça Boa, junto a Samil, onde o Bispo D. Luís da Veiga Cabral intentou a fundação de um recolhimento para donzelas, a memória das festas de 3 de Maio continuaria a cativar os feirantes para a Praça de S. Vicente. Por isso as festas do Santo Cristo foram a matriz da famosa Feira das Cantarinhas que, anualmente, se celebra em Bragança. Na mesma igreja
estava a milagrosa Senhora de Roncesvales, imagem de roca e de vestir, especialmente venerada pelas parturientes pois nos parto difíceis «mandão que se lhes dem nove toques no sino daquella igreja, o que vai fazer, ou o marido, ou a pessoa mais chegada». Assim, como escrevia Fr. Agostinho de Santa Maria, conseguiam apaziguar os receios que, naquela hora, apertavam os corações.
Por outro lado, a construção de um chafariz em 1746 mostra a importância deste espaço não somente por se tratar do ponto de abastecimento mais importante do perímetro urbano mas ainda porque outras forças sociais pretenderam posicionar esta obra na Praça do Colégio. Ao mesmo tempo, a presença do edifício da cadeia civil e, já em finais da centúria de setecentos ou nos primeiros anos da seguinte, a construção do novo e monumental edifício do Corpo da Guarda Principal comprovam a função de charneira que a Praça de S. Vicente ainda desempenhava. Todavia, nesta altura, aqui e ali, já aflorava a designação de Praça Velha.
Então, a Praça do Colégio, que desde 1619 repartia com a Praça de S. Vicente a faculdade de aí se poder vender peixe, prática que era proibida nos dias de feira, tendia a assumir maior protagonismo tanto mais que funcionava como o ponto de recepção dos viajantes oriundos de localidades como o Porto, Chaves, Vinhais e estrada de Quintela de Lampaças. A presença, desde os meados do século XVI, da igreja e do colégio do Santíssimo Nome de Jesus, administrado pelos padres jesuítas, emprestou-lhe o nome, acrescentou-lhe prestígio e, a par com a casa comprida da fidalguia local que corre no lado fronteiro ao alçado da igreja, modeloulhe a fisionomia. Durante o século XVII era, juntamente com o Terreiro das Eiras do Arcebispo, espaço amplo que lhe fica contíguo, o toural da cidade por ser aí que acorriam todos os que queriam vender ou comprar gado. Nas ocasiões solenes, também aqui se realizavam algumas das demonstrações festivas como sucedeu nas grandes celebrações de 1622 que se programaram para as alegrias da canonização de Inácio de Loiola e de Francisco Xavier.
Formando um rectângulo, é a zona central do antigo terreiro do Colégio assinalada por uma plataforma escalonada que serve de envasamento a um cruzeiro de fuste espiralado, datado de 1689, que confirma a assumpção no interior do país de algumas fórmulas estéticas caras ao barroco arquitectónico. Substituía esta obra um outro cruzeiro existente, provavelmente despido de atributos artísticos, mas com uma presença suficientemente marcante para, durante muitos anos, a praça ser nomeada como Praça da Cruz de Pedra. A sua construção, talvez pela mesma mão que participou na fábrica do portal de Santa Maria [mestre Martinho da Veiga (?)], foi paga com recurso ao lançamento de uma finta.
Já antes associámos a vontade de intervir na cidade com medidas racionais à crescente afirmação do poder central. Contando séculos de crescimento orgânico e sem constrangimentos apreciáveis raros foram os casos que deixaram moldar-se pelo figurino ortogonal. Estando a geometria ao serviço do poder, os seus praticantes, quase todos engenheiros militares, materializaram importantes exercícios correctivos. Em consequência, a maioria dos estudos de natureza militar que chegaram ao nosso conhecimento especulam, sobretudo, à volta de concepções relacionadas com o desenvolvimento geométrico dos trabalhos defensivas bragançanos. Obras, adaptadas ao alcance das novas bocas-de-fogo e que, podendo ser batidas à distância, deviam não só recusar o crescimento em altura mas conformarem-se com novas características tais como os perfis rasos e com formas compactas para resistirem aos impactos. Todas estas obras não podiam correr à margem da intervenção na cidade que veria seu desenvolvimento e possibilidades circulação fortemente constrangidas pelos postulados teóricos que a engenharia militar considerasse.
Já noutro lugar demos à estampa e nos referimos a alguns dos estudos de modernização das fortificações da cidade efectuados por engenheiros militares durante o século XVIII. Todavia, não se conhecem testemunhos materiais das contribuições e propostas de homens como António de Aguiar Coelho que, após o seu falecimento em 1733, seria substituído por Rodrigo Sande de Vasconcelos, discípulo do engenheiro-mor do reino Manuel de Azevedo Fortes, nem de Luís Xavier Bernardo, João António de Távora, Francisco Xavier do Rego e Manuel de Sousa Pereira. Mas em 1754, José Monteiro de Carvalho produziu um estudo que, se tivesse sido executado, transformaria muito a área do castelo e boa parte da cidade. A capacidade técnica deste engenheiro militar poderá ser aquilatada pelo facto de, em 1760, já com o posto de sargento-mor, ter sido proposto para suceder ao prestigiado Eugénio dos Santos e de, nove anos depois, ter sido encarregado pelo Marquês de Pombal de proceder às adaptações do Colégio de Santo Antão para aí poder funcionar o Hospital de S. José.
Alguns anos antes, talvez em 1763, o risco saído da mão do capitão-engenheiro italiano Giozé Maria Cavagna ilustrava não somente o estado das defesas bragançanas como assinalava os pontos em que foram profundamente danificadas, em 1762, pelo exército espanhol comandado pelo tenente-general marquês de Cevallos. Na sequência desta ocupação territorial, o engenheiro militar espanhol que acompanhava os invasores debuxaria com grande fidelidade um «plano de la Plaza de Berganza com sus castilhos antiguo, y moderno», planta de grande fidelidade que, no essencial, sistematizava a estruturação de um tecido citadino que poucas modificações sofreria até à segunda metade do século XX.

Luís Alexandre Rodrigues – BRAGANÇA NA ÉPOCA MODERNA. MILITARES E ECLESIÁSTICOS. A RUA, A PRAÇA, A CASA.
Actas do Seminário Centros Históricos: Passado e Presente, pp. 70 a 96

O DITINHO E O "COISA RUIM" - Crónica do Brasil

Por Antônio Carlos Affonso dos Santos – ACAS
São Paulo (Brasil)
(colaborador do Memórias...e outras coisas)
O Ditinho táva muito bêbo. Már chegô em casa, táva lá o cramunhão! O cão táva vistido cuma capa preta; na cabeça, tarveiz pra iscondê o chifre, o bode cheroso usava um chapéu di aba larga. Pra cumpretá a rôpa janota, usava um “ray ban” de vidro verde, muitas das veiz pra iscondê aquele zóio vermêio que ele tinha! O Ditinho pelejô pra inxergá direito, pruquê tava garoano um pôco. O iscomungado falô ansim pro Ditinho:
- Vancê qué ficá rico, Ditinho?
- Quero, craro!, respondeu.
- Intão vancê mi acumpanha inté a mata tenebrosa!
E o lucifér já foi andano, cô Ditinho andano atrais, quenem cachorro! Só fartava andá de quatro, pois inté latí, ele latiu.
Andaro no mato uns par de hora. Por vórta das artas hora, o capeta virô prêle, co’s zóio chispano fogo por adetrais do ray ban verde:
- Ditinho, vancê tá veno essa pedra no meio da crarêra?
- Tô, respondeu o Ditinho.
- Ela é de ôro, i vale dois milião. É tua!
- Brigado moço, mais acho que num quero não.
- Como num qué?, disse o chifrudo. Vancê qué ficá rico, num qué?
- Quero, qué dizê, eu queria...., falou tremeno de medo!
- Ara, sô! Vancê pode ficá milionário cum essa pedra. Só tem uma coisa que vancê tem que fazê por mim.
- Iuquié?, respondeu Ditinho, de carrêra, pra num fartá o fôrgo.
- Vancê vai vendê sua arma pra mim.
- Mais ieu num tenho arma ninhuma!
- Tô falano do seu espríto; seu bêbo burro!
- Ave Maria, credo em cruiz, mangalô treis vêis, vai de rétro satanais, a cruiz de Cristo, o anér de São Cipriano que me valha, sai Exu, príncipe de quibungo, bode preto, cobra Nonato, Anhangá. Sartei de banda, sô! Vê se num me estórva!
Dispois do Ditinho dizê essas palavra, o fedegoso rinchô que nem um cavalo, i ficô sortano uma fumaça pelo roscófe, que fidía queném ovo podre. I o chêro i a fumaça foi tomãno conta do mato. No meio da fumaça de pórva, o pé de bode sumiu!
O Ditinho vortô zunino pra casa, deitano cabelo no estirão. Chegô em casa todo mijado i cagado. Mêmo assim, começô arrastá mala nas roda de truco e nos jogo de maia i bocha.
-Uma veiz um fio duma quis me dá ôro, pra ieu vendê minha arma. Ieu podia tá rico!
-Ara, dêxa de dizê asnêra, Ditinho. I vê se presta atenção no jogo. Ocê tá perdeno di novo!
Nessa noite, o Ditinho táva durmino u sono dos justo, quando escuitô uma voiz chamãno iele no quintár:
-Ditinho, me dá sua arma! Ditinho, me dá sua arma! Ditinho, me dá sua arma!
-Credincruiz, ave-maria, será o coisa ruim?
I era; ele veio fazer a úrtima tentativa de usá a arma do Ditinho pra fazê os már-feito!
O Ditinho correu inté a casa do padre Tito i pediu perdão, por sê tão orguioso i ridico!
O padre Tito rezou em riba dele, côs pano de missa, jogô água benta i mandô iele rezá cem ave Maria i deiz padre-nosso.
O bode preto, o cramunhão, o coisa ruim, nunca mai apareceu prêle. 
I iêle agora é coroinha i ajuda o padre Tito a rezá a santa missa; tudo us dia!


Este texto foi criado em em  05/11/15
Antônio Carlos Affonso dos Santos - ACAS