sexta-feira, 24 de novembro de 2017

A chuva ainda é pouca para recuperar sementeiras em Bragança

A natureza começa finalmente a ganhar alguma cor, mas a pouca chuva que caiu nos últimos dois dias no Nordeste Transmontano não deixa os agricultores respirar de alívio.
É necessário que chova ainda muito mais para recuperar os efeitos da seca. 
No fim de semana regressa o tempo seco e só as temperaturas vão baixar dando lugar às geadas.
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Mirandela recebeu Campeonato Regional de Natação Absolutos

GNR fiscalizou 58 condutores e passou 18 autos de contraordenação

O Comando Territorial de Bragança em Torre de Moncorvo,  realizou uma operação especial de prevenção da criminalidade que permitiu a fiscalização de 58 condutores, dois quais um foi detido para cumprimento de mandado de detenção.
Na operação, que envolveu 29 militares, permitiu a apreensão de quatro doses de haxixe e um veículo, bem como a emissão de nove autos contraordenação relativos a legislação rodoviária; cinco autos de contraordenação no âmbito ambiental; e quatro autos de contraordenação no âmbito do regime de bens em circulação.

Glória Lopes
in:mdb.pt

Homem detido por furto de viatura

Um homem, com 42 anos, foi detido, ontem, pela GNR, em Miranda do Douro, por furto de uma viatura nesta localidade e posse de ferramentas contrafeitas.
"Após a denúncia de uma venda de material contrafeito, os militares abordaram a viatura onde o indivíduo seguia, a fim de proceder à sua fiscalização e verificar se tinha na sua posse algum material contrafeito", adiantou uma fonte da GNR.
Os militares apuraram que dentro do veículo encontravam-se duas motosserras com a marca STIHL, duas moto-roçadores e 18 autocolantes por usar referentes a esta marca,  tratando-se de material contrafeito pelo que foi apreendido.

Glória Lopes
in:mdb.pt

Tentativa de incendiar loja em Macedo de Cavaleiros

Há suspeitas de tentativa de incêndio a uma loja de roupa e tapeçaria durante esta noite na cidade de Macedo de Cavaleiros.
O alerta foi dado cerca das 9h00 da manhã quando a proprietária chegou ao estabelecimento e sentiu um cheiro estranho, foi quando se deparou com a cinza e fósforos à entrada da porta, tal como nos explica, Manuela Gonçalves, familiar da proprietária.
“Quando abrimos a porta vimos que estava um cheiro estranho e olhámos para ver o que se passava e vimos no chão cinzas. Estivemos a observar o que é que teria acontecido e vimos então que havia fósforos, cabeças de fósforos queimadas e reparámos que o chão estava escuro, presumimos que algum líquido tenha sido deitado. Olhámos para a rua para ver o que se passou, chegamos à rua e vemos um pau enorme de fósforos e apercebemos que houve tentativo de incêndio. Devem ter tentado incendiar a loja por baixo da porta.”

Manuela diz ainda que foi um milagre este incêndio não se ter propagado pois além dos danos que iria causar, atrás da loja habitam idosos.
“Foi um milagre não se ter propagado o fogo, limitou-se a uma caixa de papelão que estava na entrada da porta. Foi mesmo só a caixa de papelão e não propagou, o que foi um milagre porque além de na loja só haver material todo inflamável, por trás da loja moram duas pessoas de idade que obviamente durante a madrugada não havia salvação possível e ia ser mesmo uma coisa muito feia, íamos deparar-nos com um acidente muito feio.”

Até agora não existem suspeitas de quem possa ter ateado o fogo, apenas a certeza de que foi mão criminosa e alguém tinha intenção de causar estragos.
“Não suspeitamos de ninguém, achamos que foi mesmo tentativa de crime. Quem quis fazer foi mesmo por maldade e com vontade de fazer mal a alguém. Isto deve ser a onda dos incêndios, agora experimentarem nas casas. Temos que ter realmente cuidado porque isto foi muito mau e não sabemos o que se poderá passar a seguir. Isto deve ter sido durante a noite, inclusive ontem saímos de lá bastante tarde, estivemos a fazer uma marcação de uns produtos e estava tudo bem, portanto foi durante a noite.”

O caso ficou entregue à GNR que foi chamada ao local durante a manhã para tomar conta da ocorrência.

Escrito por ONDA LIVRE

EMIGRARES - Memórias de Agosto (Ficção)

Por: Fernando Calado
(colaborador do Memórias...e outras coisas...)
- Mãe, França ainda é muito longe?
- Não, minha filha é logo ali...até parece que já ouço o teu pai a falar...
Dizia para a filha, a Maria do Carmo, mulher valente, de olhos grandes e cabelos negros como a noite em que um dia de maior saudade, pegou na filha ao colo, embrulhou um cibo de presunto num rodilho e sem mais delongas se entregou nas mãos dum passador.
Maria do Carmo estava cansada dos sorrisos untados do Sr. Almeidinha dos Castiçais, um homem gordo como uma bola, amparando a barriga no desconforto dum cinto que ameaçava rebentar a qualquer momento. O Sr. Almeida tinha uma camioneta, muita fazenda e conhecimentos em Bragança.
- Então, Maria do Carmo, não queres vir à feira?!...
Dizia o Almeida, num sorriso palerma como quem tem a boca na dimensão exacta da distância das duas orelhas.
- Bem precisava, Sr. Almeidinha, não sou capaz de arranjar um papel que o meu homem me pediu, das Finanças...
- Pois anda daí mulher! Tu não sabes que eu conheço tudo em Bragança?
O tempo passou nesta espera do emigrante em terras de França. Favores, atrás de favores e Maria do Carmo, numa noite do diabo e pouca sorte, viu-se perdida nos braços redondos do Sr. Almeida. O homem suava como se todo o unto da sua barriga derretesse a qualquer momento, procurando avidamente a boca vermelha da mulher, fêmea comprada com mil favores. Maria do Carmo, sentiu nojo, abriu os olhos que permaneciam cerrados no pavor do macho horrendo e informe. Como quem acorda dum pesadelo, apertou o botão da blusa, semi-aberta, onde se desenhava um seio redondo de mulher transmontana e num rompante de coragem foge para casa do primeiro passador que encontrou, homem rude e de má fama.
Agora lá estava no aconchego da capelinha da Senhora da Ribeira, perto de Quintanilha, senhora meiga, sempre a guardar as poldras do rio Maçãs, caminho inseguro para o outro lado da fronteira.
O passador não aconselhava, numa espera de três dias, a aventura de se fazerem às poldras, pois os Carabineiros no conforto da lua cheia e de dias claros, não arredavam pé como quem está fascinado pelas águas amenas do rio.
- Que fadário terão os Carabineiros com o rio...
Comentava o passador, naquele mastigar constante dum palito ao canto da boca. Depois, franzia um olho, afagava o bigode espesso e tossia na inquietação da infindável espera.
- Mãe, França ainda é muito longe?
- Não minha filha, é já ali...já ouço o teu pai.
O fastio da recordação do Sr. Almeidinha dos Castiçais mais lhe aguçava o ouvido, afagado pelas gralhas que mansamente se acoitavam nas proximidades da capela.
O passador...pensou, naquele trejeito de quem há muito perdeu os sentimentos no drama imenso da saga da emigração e comentou taciturnamente:
- É verdade rapariga...França é logo ali...e já nem precisamos de passar as poldras. Vamos subir aquele monte, mal se esconda a lua e depois, é só caminhar, num piso maneirinho que até dá gosto e França é logo ali.
Já os galos cantavam quando o passador apontou uma placa colocada discretamente na berma da estrada:
- Vês rapariga, o que lês naquela placa?!...
- FRANÇA!...
Disse Maria do Carmo numa expressão de alegria e alívio. Depois, aquela placa era igualzinha à placa da sua aldeia, por isso França, não era nada do outro mundo e em breve estaria a descansar no afago dum beijo do seu homem.
- Adeus rapariga!...vamos a contas...
Maria do Carmo contou dez notas de conto, já tinha pago outras dez e como quem cumpre um dever despediu-se reconhecidamente do passador.
Pouco tempo depois começaram a passar carros carregados de feno e Maria do Carmo pode então ver no esplendor dum dia cálido de Verão a aldeia de França, sobranceira ao rio e bem perto de Bragança.
Uma velha penosamente aproximava-se e como uma mãe desconsolada, logo entendeu a história, cem vezes repetida, desta mulher de emigrante.
Então, levou-a para casa, fez-lhe umas sopas de ovo e deitou-a, a ela e à filha, no melhor quarto da casa que também era de outra filha, da sua filha que se gastava pelas terras da Alemanha.
Nessa mesma tarde um passador caía morto na teimosia de se fazer a França, à outra França. Os Carabineiros, sempre fascinados pelo rio, nas proximidades da Senhora da Ribeira, sabiam que estas coisas são como o destino e os passadores voltam sempre à atração fatal das poldras que levam ao outro lado da margem.


Fernando Calado nasceu em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança. 

Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.

Mercado Rural Mirandês - 9 e 10 de Dezembro - Mercado Municipal de Miranda do Douro.

A Câmara Municipal de Miranda do Douro e a Associação de Produtores Gastronómicos das Terras de Miranda - Sabores de Miranda, vão realizar o Mercado Rural Mirandês, nos próximos dias 9 e 10 de Dezembro de 2017.
Este é um evento que se realiza pela sétima vez e tem como principal objetivo promover, divulgar e dar escoamento à produção local de produtos genuínos e de elevada qualidade, a fim de estimular a produção e o comércio local. .

Neste sentido, convidamos todos os interessados a participar neste evento que se realiza no Mercado Municipal de Miranda do Douro.

No Mercado Rural Mirandês haverá exposição e venda de produtos regionais: Bola Doce Mirandesa, Folar de Carne, Bola de Carne, Pão, Doçaria Regional, Fumeiro, Mel, Frutos Secos, Doces e Compotas, Licores, Vinho, Queijos, Chocolate e afins, manufaturados; Produtos de Horticultura e Fruticultura da região, em verde ou em seco e animação com grupos de pauliteiros e gaiteiros.

A ficha de inscrição deve ser entregue até ao próximo dia 29 de novembro no Balcão Único deste município.

Campanhas 2017: “Unidos por Um Sorriso” / “Nikito Um Amigo no Natal está Contigo”

Nesta época do ano em que o gesto humanitário se impõem, como resposta a uma necessidade que continua afetar algumas famílias e cidadãos/ãs Mirandeses/as, a Rede Social vai efetivar uma Campanha de Recolha de Produtos Alimentares, Produtos de Higiene Pessoal e Brinquedos para as crianças no âmbito das campanhas em referência, nas diversas superfícies comerciais e Juntas de Freguesias do concelho, no dia 2 de Dezembro, à semelhança de outras ações em anos anteriores.
Poderá doar, leite, manteiga, queijo, enchidos, massas, arroz, azeite, açúcar, chocolate, farinha, bolachas, bolos, ovos, enlatados, atum, salsichas, sardinhas, fruta enlatada, papas e cereais, bacalhau, feijão e grão-de-bico, batatas, cebolas, alhos, abóbora, frutos secos, entre outros.
O produto desta recolha destina-se a contemplar agregados familiares com dificuldades económicas e privações alimentares.
Será ainda criado um stock de bens alimentares, brinquedos e produtos de higiene pessoal na Loja Solidária para situações de emergência que eventualmente ocorram.
Todo o cidadão tem direito a uma alimentação acessível, nutricionalmente adequada para que possa desfrutar de uma vida ativa e saudável, bem como toda a criança tem direito ao sorriso.
Para o sucesso desta iniciativa é fundamental a Vossa colaboração, pelo que apelamos à solidariedade e generosidade de todos.
Contribuir é Alimentar esta Ideia.

"Vamos Cantar os Reis"

O Município de Carrazeda de Ansiães informa que estão abertas as inscrições para a atividade "Vamos Cantar os Reis".
As inscrições podem ser efectuadas até ao dia 15 de Dezembro de 2017, no Gabinete de Apoio ao Munícipe da Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães mediante o preenchimento da Ficha de Inscrição anexa.

Feira de Artes, Oficios e Sabores

Festival intergeracional da canção

Sessão Pública Pistácio | 2017

Fim-de-semana: Jazz em Alfândega

Fatucha Leite Quarteto traz o jazz a Alfândega da Fé no próximo fim-de-semana. Dia 25 de novembro, pelas 21:30 horas, o palco do auditório Manuel Faria abre-se para o jazz nesta vila nordestina.
Mais conhecida como Fatucha Leite no mundo da música, (e Tchini na banda Pop/Rock dos anos 90 - As Amarguinhas), esta intérprete dá voz ao gesto e ao movimento da sua pintura apresentando um reportório de jazz e blues. Fatucha faz-se acompanhar por João Mascarenhas no piano, Leonoel Ribeiro no contrabaixo e Manuel Santiesteban na bateria. 

A voz é gesto, o gesto é movimento e a vontade é a de entrar neste espetáculo de olhos fechados e bem abertos. Um espétaculo a não perder dia 25 de novembro, pelas 21h30, na Casa da Cultura de Alfândega da Fé.

Igreja Católica presente na quarta edição do “Smart Travel”

A Igreja Católica portuguesa volta a estar presente no congresso internacional “Smart Travel”, evento das “pequenas cidades inteligentes aliadas ao turismo inteligente”.
O  “Smart Travel” 2017 decorre no auditório Paulo Quintela
Alexandrina Fernandes, diretora do Serviço da Pastoral do Turismo da Diocese de Bragança-Miranda, marca presença na edição de 2017 que terá lugar em Bragança, nos dias 30 de novembro e 1 de dezembro.

Assente na temática “Intelligence is our destination”, o “Smart Travel 2017” pretende colocar ênfase no desenvolvimento económico, social e sustentável dos territórios de baixa densidade, sobretudo das pequenas cidades e regiões periféricas, através de alternativas inteligentes para o aproveitamento do potencial turístico.

Num momento em que, por todo o globo, a massificação e a pressão turística das grandes cidades e atrações famosas coloca desafios complexos às administrações públicas e, especialmente, aos governos locais e aos gestores de destinos e marcas, é fundamental pensar de que forma os destinos de pequena e média dimensão se podem constituir como uma alternativa e atrair, não grandes massas, mas o turista que valoriza a originalidade, a autenticidade a identidade de cada lugar. O turista que quer novas experiências, que consome sem culpas.

Além da responsável da Pastoral do Turismo da diocese transmontana, que irá falar sobre o impacto do turismo religioso na região e destacar alguns projetos da Igreja neste sector, o evento contará também com a presença de vários oradores, entre os quais se destacam: Charles Wolfe, Marina Ostrowski, Xander Bueno e Fernando Alvim.

D. José Cordeiro integrou o painel de oradores na edição de 2016. Abordando a importância do turismo religioso, o Prelado considerou este setor como uma porta essencial para a transmissão de um “testemunho positivo e credível do Evangelho” junto de quem visita a Diocese de Bragança-Miranda, referiu.

Recordamos que a cidade de Bragança ocupa juntamente com Porto, Lisboa e Oeiras, a posição das quatro cidades mais inteligentes de Portugal.

in:noticiasdonordeste.pt

Publicado novo livro sobre judeus de Torre de Moncorvo

A Igreja da Misericórdia de Torre de Moncorvo recebe no dia 25 de Novembro, sábado, pelas 15h00, a apresentação do livro “Os Judeus em Trás-os-Montes – A Rua da Costanilha”, de António Júlio Andrade e Maria Fernanda Guimarães. A obra é apresentada por Teófilo Vaz, Diretor do Jornal Nordeste.
Esta obra retrata o ambiente que se vivia em Portugal naquele Verão de 1526. Foi uma autêntica explosão de cultura bíblica e fé messiânica, um renascer da crença na lei mosaica. Todo o mundo queria ver Reubeni e até padres cristãos faziam questão de o conhecer e beijar-lhe a mão.

A ponto de deixar o próprio rei enciumado e levá-lo a pedir a Reubeni que não permitisse tal beija-mão. E não deixa de ser estranho que, num país onde a religião de Moisés se encontrava proibida e de onde a própria língua hebraica fora banida, na Corte de Reubeni se juntasse também o rabi Abraão de Safim e ambos, com outros mais sequazes e seguidores se metessem em celebrações festivas e práticas de judaísmo, certamente com o conhecimento e a tolerância do próprio rei D. João III que, entretanto, diligenciava com o papa a criação do tribunal do Santo Ofício. 

Este evento está inserido no âmbito do “Património Comvida” e é organizado pela Câmara Municipal de Torre de Moncorvo com o apoio da Editora Âncora.

in:noticiasdonordeste.pt

A ponte dos afetos!...

Foto: Daniel Malojo
É comum dizer-se que, na vida, devemos criar pontes, manter laços que ligam e unem, sobretudo quando estes geram positividade e mais valias, no domínio da afetividade. E se é importante estabelecer e manter, saudavelmente, as pontes da imaterialidade, devemos ter em conta a importância da materialidade das pontes, que também foram e continuam a ser referências significativas em termos de identidade.
Sendo certo que, em boa medida, a nossa fluência existencial se sustenta em “pontes”, crescer junto a uma ponte, com simbologia histórica e afetiva, gera uma relação potenciadora de laços afetivos e de identidade que nos acompanham e marcam com gratificadora saudade, ao longo da vida.
Ora, neste contexto, tendo nascido e crescido junto, mesmo ao lado, da velhinha e humilde, mas sempre bonita e apelativa, ponte românica da minha aldeia, construí, com ela, uma relação de vizinhança perfeita, positivamente interativa. Implantada mesmo em frente à casa de família, era inevitável que não a olhasse, contemplasse, todos os dias, sendo a varanda o local mais indicado. Na ponte e na sua calçada românica brinquei, como os meus conterrâneos, inúmeras vezes. Conheço-a naturalmente, bem. Muito bem, pedra por pedra. Como ela me conhecia e conhece a mim. Quase todas as semanas nos “visitamos”. E, sempre que nos visitamos, saudamos-nos, com um carinho distinto. Ela certamente me olha com carinho. Mas eu também observo, atentamente, tudo o que com ela se passa. Gosto, evidentemente, de a ver limpa, asseada, ou seja, devidamente enquadrada no contexto paisagístico, natural e belo, em que está implantada. Como gostaria que ficasse à vista da gente e fosse aliviada do aterro e do alcatrão que, agora, a cobre, encobre e oprime, a calçada românica do lado poente, tão linda que era e é, certamente.
Vem isto a propósito das obras de conservação que, aproveitando a invulgar seca da ribeira, a Câmara Municipal de Bragança e Junta de Freguesia local, estão a realizar naquele monumento de referência na região, classificado como imóvel de valor concelhio – Decreto n.º 29/de 17 de Junho. Para além da oportunidade, interessa, também, salientar a atenção e dedicação que os autarcas em referência manifestam em relação à necessária conservação. Na verdade, é sempre positivo constatar que há preocupação com a conservação de imóveis com relevante interesse histórico e cultural, para já não falar da importância de que se reveste, ainda, na ligação entre as duas margens da ribeira que atravessa a aldeia, nomeadamente em períodos de cheias.
A ponte românica de Frieira, pela importante relevância que já teve, durante séculos, no sistema de comunicações do Nordeste Transmontano, e pelas referências históricas que lhe são devidas, tem, obviamente, muita história para contar. Mas não é menos verdade que faz parte da história de vida muita gente, que a sente, e muita mais que gosta de a ver e fotografar e, sobre ela, a ribeira contemplar e também pescar. Por isso e também pelas inúmeras referências românticas que a envolvem, não posso deixar de a classificar como a Ponte dos afetos.
Quando estou longe e a evoco, voltando atrás no tempo, encontramo-nos num lugar indefinido entre o sonho e a realidade, entre a realidade e a fantasia e...conversamos palavras que ninguém percebe e só nós entendemos. E, porque a vida é uma história com uma existência de vários estádios, a vivência da minha adolescência com a Ponte, foi um período dos mais felizes. O tempo passou e a vida também, mas a Ponte permanece à espera de nós e de tantos outros que a recordam!...Sempre!...
Fazendo parte da Rota da Terra Fria e dos Pombais, na histórica aldeia de Frieira, merecem sempre especial referência, o Pelourinho, recuperado em 1992, classificado pelo Decreto n.º 23 de 11 de Outubro de 1933, o moinho de água a funcionar, o cruzeiro, a Igreja e o Santuário de Nossa Senhora dos Remédios.


Nuno Pires
in:mdb.pt

Diocese de Bragança-Miranda com cinco novos diáconos permanentes

O bispo D. José Cordeiro ordena, no domingo, cinco diáconos permanentes, homens que conciliam a vida familiar com o “serviço e ajuda” à Igreja.
Os novos diáconos (da esquerda para a direita):
Amílcar Pires, José António Fonseca, José Fernandes,
João Queirós e Henrique Fernandes.
Foto: Olímpia Mairos/RR
Cinco futuros diáconos permanentes da diocese de Bragança-Miranda, ordenados no domingo, conversam sobre a vocação, o desejo de servir a Igreja diocesana e as expectativas para esta missão.

Joaquim Queirós tem 48 anos. É casado e tem dois filhos, um de 17 e outro de 23 anos. O diaconado, para este professor do ensino secundário, físico-química, surge na sequência de um caminho de empenhamento e serviço à Igreja.

“Desde muito novo, levantava-me bem cedo, por volta das 7h30, para ir acolitar na missa dominical. Cresci e fui passando por vários movimentos”, conta à Renascença, acrescentando que a sua “vida foi sempre ligada à Igreja”.

E como surgiu a vocação diaconal? - “Deus lá sabe como é que faz estas coisas e porque é que as faz. Eu fui um dos ‘pescados’ para o Instituto Diocesano de Estudos Pastorais e fui amadurecendo esta minha aproximação ao diaconado”, responde Joaquim.

A família reagiu muito bem e apoiou a decisão. Foi um processo gradativo e “eles já sabiam que todo o meu caminho poderia continuar nesta etapa do diaconado permanente e, portanto, apoiaram-se sempre”.

Prestes a ser ordenado, Joaquim sente-se preparado para a missão. Vai exercer o diaconado na Unidade Pastoral de São Bento, onde já realiza Celebrações da Palavra “nas aldeias mais desprotegidas”, numa unidade que conta com apenas dois sacerdotes para 31 aldeias.

Também José Fernandes de 66 anos, aposentado da PSP, recua ao tempo de criança, para falar da importância da educação cristã que recebeu e que o fez caminhar sempre em Igreja. “Amamentado ao som da recitação do terço”, foi crescendo “sempre em Igreja, a fé foi-se fortalecendo” e assim, abriu “a porta a Cristo”.

José acompanhou como motorista grande parte da visita pastoral de D. José Cordeiro à diocese e conta que durante essa peregrinação sentiu “uma inspiração grande de servir o povo de Deus”. “Quando comecei a andar com ele [D. José], era assim uma chama pequenina e quando terminei, o coração já estava mais aberto a Deus”, confidencia.

Na Unidade Pastoral de São Bento, José Fernandes já desempenha a missão de motorista de um sacerdote e o que mais o atrai no diaconado é “poder servir gratuitamente”. Aos domingos sai de casa de manhã e entra à noite, mas a “família apoia e compreende”, aliás, “sem o apoio da esposa e dos filhos, não podíamos fazer esta opção”, conta.

Esposas dão “autorização e por escrito”

Para Amílcar Pires de 65 anos, aposentado da administração pública e ex-presidente de junta de freguesia, a vocação de diácono surge com uma outra, a do matrimónio, que já vive há 34 anos.

Desde o casamento, há 34 anos, integrou-se na paróquia e, “à medida que ia ganhando mais formação, mais cultura religiosa”, mais vontade foi tendo de “testemunhar Cristo na comunidade”. “Mas agora não só testemunhar”, diz. “Agora estou disponível para O proclamar. É esse o meu desafio nesta vocação de diácono”.

A esposa apoia-o inteiramente, os filhos não se opõem, mas “reagem com um bocadinho de frieza” porque, diz, “já são maiores de idade, um tem 30 e o outro 33 anos”. Mas, a verdade é que “a esposa é a que mais apoia”. Aliás, Amílcar, como os restantes futuros diáconos, necessitou da autorização da esposa que “deu autorização e por escrito”, diz a sorrir.

Amílcar sente-se preparado para a missão e abraça-a “com alegria permanente, com vontade, com disponibilidade e também com o apoio das várias comunidades” onde já está inserido. O que mais o motiva é “trabalhar para o bem comum”. E, se como presidente de junta trabalhou “para os fregueses”, agora, diz, está mais disponível “para outras comunidades”.

Amílcar Pires integra a Unidade Pastoral Santa Maria do Sabor e vai “presidir a Celebrações da Palavra e ficar ligado à gestão dos Centros Sociais e Paroquiais”, mas mostra-se disponível para “outros serviços que o bispo venha a solicitar”.

Para José António Fonseca, de 53 anos, Sargento Ajudante do Exército Português aposentado, a marca do diaconado “é um caminho de serviço”, ao qual já se habituou e diz-se mesmo “um homem do serviço”.

“Comecei por servir como bombeiro voluntário durante 16 anos. Agora, depois de aposentado, surgiu a Igreja. Comecei por uma caminhada na paróquia, na catequese, e depois fui fazer um curso de cristandade, e o meu pároco, na altura, convidou-me para esta caminhada. Fui frequentar o IDEP e a seguir vieram outros párocos que confirmaram essa vontade e me acompanharam nesta caminhada”.

José Fonseca pertence à Unidade Pastoral de Ansiães. Para este futuro diácono, “esta caminhada aconteceu primeiro em família”. Aliás, a “decisão de ir para o IDEP, primeiro foi pensada em família, eu e a minha esposa e os meus sogros, que vivem comigo, e depois também com a comunidade”.

Papel fundamental na caminhada de José foi desempenhado pela esposa, “que é também uma pessoa de Igreja, de catequese”. “A minha caminhada foi sempre com ela. A minha esposa é, neste filme, também protagonista especial. Caminha sempre ao meu lado e tem sido a minha força”, conta à Renascença.

O que mais atrai José Fonseca é “o serviço à comunidade”, porque - diz – “ninguém se salva sozinho. Temos que caminhar em comunidade e o serviço, às vezes, é não dizer nada, mas estar lá”.

E se o Bispo lhe pedir para ir para outro lugar? – perguntamos. José António não hesita, é “um homem de obediência” e, como militar, classifica-se como “homem de hierarquias”, com a noção de que, “embora a hierarquia da Igreja seja uma hierarquia de serviço e não de poder”, está “habituado a obedecer”. Porém, embora ao “serviço da diocese”, José confia que “o sr. bispo vai ter em atenção também ao outro sacramento, o matrimónio, que está antes do sacramento da ordem”.

“Vou continuar, até ao limite das minhas forças, e enquanto eles me aceitarem”

Henrique Fernandes tem 71 anos e é aposentado do Banco Nacional Ultramarino. Paralelamente à profissão que escolheu, teve sempre “uma segunda ocupação não remunerada”, dedicada às pessoas”. “Filho de pais católicos e praticantes”, há dois anos que integra a Unidade Pastoral Santa Maria do Sabor, onde passa uma boa parte dos seus domingos, no contacto com as pessoas.

“Sou da aldeia, gosto de contacto com as pessoas e privilegiei essa condição. Fiz parte, durante algum tempo, de alguns organismos se solidariedade social, até que um dia surgiu o IDEP que frequentei e que despertou, de um momento para o outro, o que eu procurava”. Mas, neste serviço à Igreja, “há uma coisa” que Henrique diz que não pode “esquecer” - “Eu sou casado, tenho duas filhas e três netos”.

Tem “contado com o apoio incondicional” da esposa, das filhas e, ultimamente, também dos netos que “seguem” os seus “passos, ansiosos” por acompanhar Henrique nos trabalhos que vão surgir pela frente. “São um grande apoio, já me acompanham em algumas atividades e estão ansiosos por ir mais além”, conta à Renascença.

E uma grande paixão deste candidato é o contacto com os reclusos, no estabelecimento prisional de Izeda, onde vai todos os sábados. Para Henrique, esta é “uma experiência muito interessante e apaixonante”, que o “entusiasma, impulsiona, sempre a ir mais alem”. “É o exercer a caridade”, diz, que procura ter “bem presente, sempre, em tudo”.

E sobre o futuro desta paixão, Henrique revela o seu íntimo desejo. “Se me deixarem, se for essa a vontade do meu Bispo, de quem agora passo a depender, se for da vontade dele, com certeza que vou continuar, até ao limite das minhas forças e enquanto eles me aceitarem”.

Os cinco futuros diáconos fizeram formação ao longo de cinco anos no Instituto Diocesano de Estudos Pastorais (IDEP). São casados e têm tido um papel activo nas acções pastorais da Igreja diocesana, sobretudo através das suas Unidades Pastorais, movimentos e secretariados.

A ordenação terá lugar na Catedral de Bragança, no próximo domingo, Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, e será presidida por D. José Cordeiro.

Ao contrário do sacerdócio, o diaconado permanente admite homens casados. Os diáconos podem presidir a celebrações de baptizados, casamentos e funerais, sendo chamados frequentemente a fazer Celebrações da Palavra na ausência de padres. Não podem celebrar a eucaristia nem ministrar o sacramento da reconciliação (confissão).

Olímpia Mairos
Rádio Renascença

Festival de Sabores do Azeite Novo 2017/2018

La Fiesta De Ls Moços

Festas de Stº Estevão e S. João