quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Caminhada Cívica em Bragança - MAIS FOGOS NÃO!!!

Projeto tenta encontrar vacina para diminuir morte de coelhos

O coelho continua a ser a espécie cinegética que mais tem diminuído ao longo dos anos.
Apesar dos incêndios que têm contribuído para essa diminuição, a doença hemorrágica continua a ser a principal preocupação.

Artur Cordeiro, Presidente da Associação de Caçadores da 1º Região Cinegética, calcula que a mortalidade do coelho nos últimos anos ande à volta dos 90 % devido a uma doença a espécie ainda não conseguiu desenvolver anticorpos como aconteceu com outras.

“O que diminuiu mais é o coelho, por causa da hemorrágica, a raça que tem sido dizimada pela doença e o coelho era a base, quase, da atividade cinegética, eu diria até a nível ibérico, cerca de 90% nos últimos anos. O coelho tem sido uma razia completa. Contrariamente à outra doença que tivemos em tempos, nesta o coelho ainda não conseguiu ganhar anti-corpos para se defender dela. Enquanto que com a outra, a espécie foi-se regenerando e foi criando anti-corpos que, não digo que a eliminaram, mas não proibiram a expansão, nesta não; tem sido uma tristeza andar pelos campos e ver animais mortos. O coelho tem sido uma desgraça.”

No entanto, o presidente avança que há um projeto que começou este ano a analisar e fazer recolhas de amostras dos animais com o objetivo de encontrar uma vacina que combata a doença.

“Neste momento há um projeto, de longo prazo, em que estão envolvidas não só entidades governamentais que lideram o processo como também universidades, confederações de caçadores. O projeto está neste momento em recolha de espécies, de dados e já está em funcionamento. Aqui na zona Norte foram identificadas duas zonas para fazer uma colheita de espécies, na zona Centro também, na zona Sul e está assim a começar. É tendente a encontrar uma vacina, melhorar a velocidade do alastrar da doença, não eliminá-la.”
A doença hemorrágica continua a ser a principal causa de morte do coelho, espécie que é a base da atividade cinegética na Península Ibérica.

Escrito por ONDA LIVRE

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

O Chef André Silva esteve em Mogadouro para um Show Cooking inserido no cartaz da XX Feira dos Gorazes

EMIGRADOS POLÍTICOS ESPANHÓIS

Há cinquenta e sete anos. Do Diário de Notícias de terça-feira, 12 de Agosto de 1873:

«Em Pinheiro Velho, concelho de Vinhaes, districto de Bragança, entraram ante-hontem perto de trezentos emigrados, armados, fugidos á perseguição do governo hespanhol. Consta-nos que por outros pontos do reino também teem entrado mais emigrados.
O governo tem tomado as medidas necessarias para evitar quasquer consequencias que possam produzir a entrada dos emigrados».

Do Diário de Notícias de sexta-feira, 15 de Agosto de 1873:

«Escrevem de Bragança que por participação das auctoridades de Vinhaes soube-se ali no dia 9 que uma força de cêrca de setecentos homens de voluntarios da republica hespanhola, regularmente armados, tinham passado a fronteira ao pé de Moimenta, e que tendo regressado a Hespanha haviam voltado a Portugal, dirigindo-se sobre Bragança. Contavam-se dessa força excessos incriveis, commettidos em territorio hespanhol: roubos, incendios e os mais artigos das “festas” de Alcoy.
Era ao fim da tarde. O susto foi ali grande. Ignorava-se a direcção exacta que trazia aquella força, e sendo, como era, numerosa a guarnição, não podia dividir-se em columnas que partissem por estradas differentes. N’estes termos, estabeleceram-se fortes piquetes em volta da cidade, sentinellas avançadas nas differentes avenidas e patrulhas de cavallaria em ronda permanente.
E assim se passou a noite.

O dia seguinte amanheceu mais pacifico. Dez soldados e dois officiaes dos emigrados hespanhoes entraram em Bragança ás sete horas da manhã, tendo primeiramente entregado as armas em uma das povoações da fronteira.
Posteriormente soube-se que o resto d’aquella força entregara as armas a uma pequena columna de caçadores e cavallaria que de Vinhaes marchava para o ponto invadido. Essa força entrou ali no dia seguinte. A guarnição de Bragança consta do regimento de cavallaria nº 7 e do batalhão de caçadores nº 3, mas essa força acha-se dividida em fortes destacamentos, os quaes fazem immensa falta para guarnecer, como se deve, os principaes pontos da raia. A força hespanhola ali recolhida deve vir já em marcha para o Porto, acompanhada por uma força de cem praças de infantaria nº 6 e cavallaria, devendo chegar a Lisboa por estes dias».

Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança

Nomeação de Delegado do Procurador da república da Comarca de Mogadouro - 1940

A COMARCA DE BRAGANÇA

LEIAM

Mogadouro recebeu a 7ª edição do Festival de Folclore dos Gorazes que animou o recinto da feira com um grupo convidado

Memórias do Comboio - de Bragança do Pará a Bragança Transmontana

Por: Fernando Calado
(colaborador do Memórias...e outras coisas...)
Como é sabido Bragança está geminada com Bragança do Pará, com a qual mantem laços de amizade e cooperação, dando particular ênfase à atividade cultural. Bragança do Pará localiza-se nas margens do rio Caeté, a nordeste, sendo um município do Estado do Pará, cuja capital é Belém do Pará. No âmbito desta geminação teve lugar de 6 a 13 de Outubro, em Belém do Pará, o “IV encontro Literário da Lusofonia” que se realiza, alternadamente, em Bragança transmontana e em Belém do Pará. Este ano deslocou-se ao Brasil o presidente da Câmara de Bragança, Hernâni Dias e a sua comitiva que integrava, entre outras, personalidades do mundo das letras e da cultura para participarem no importante encontro literário organizado pela centenária Academia Paraense de Letras a que preside o carismático homem da cultura paraense Alcyr  Meira.
E Belém do Pará é uma cidade populosa, com as suas grandezas e misérias, com as sua festa do “Círio” onde se organizam procissões em honra de Nossa Senhora da Nazaré, com cinco quilómetro de comprimento, com mais de dois milhões de participantes e milhares de barcos engalanados navegando na imensidão do rio amazonas. A comitiva de Bragança participou neste evento e ouviu o sentir das gentes de Bragança do Pará, um sentir semelhante à nossa Bragança, embora a grandeza do atlântico separe, ou talvez una, as duas cidades.
Um dos lamentos dos habitantes de Bragança do Pará é a perda do comboio que fazia a ligação, por “estrada de ferro”, desta cidade, a Belém do Pará, num percurso de 204 Km. O comboio iniciou as suas viagens em 1908 e terminaram em 1965, para descontentamento dos Bragantinos. O “trem de ferro” ainda hoje é uma referência constante ao nível do imaginário, das memórias e da saudade. Atualmente, a ligação entre Bragança do Pará e Belém faz-se por uma estrada com precárias condições. Por isso, os Bragantinos não se calam e reclamam permanentemente o seu comboio, de grande importância nos transportes e na economia duma cidade com cem mil habitantes. Toda a gente fala no comboio, como se tivesse sido ontem que o “trem” se silenciou pelas terras da Amazónia. Os escritores contribuem para manterem viva a memória da “estrada de ferro” e publicam livros onde o tema central é o comboio, como é o caso do romance “Maria-Fumaça” do escritor Amaury Braga Dantas.
Também nós tivemos um comboio que rasgou as margens do rio Tua e chegou a Bragança pela força e tenacidade de Abílio Beça. Quantas dores de cabeça, quantas idas a Lisboa, a quantas portas, o Dr. Abílio Beça bateu para que finalmente o comboio, pintado de verde, na força monumental da máquina a vapor, chegasse triunfante a Bragança no ano de 1906.
Em 1991 é encerrado o troço ferroviário entre Mirandela e Bragança e definitivamente Bragança perdia um importante e secular serviço prestado pela CP. E esta perda não deve ser entendida como um sentir nostalgia do passado, como um sentir romântico de ouvir o apitar prolongado do comboio à chegada e à partida. Esta perda do comboio deve ser entendida como uma delapidação do nosso património, como um ato de ostracismo para com a região, com um elevado prejuízo para a economia regional e para o bem-estar das pessoas.
E embora pareça utópico sonhar com o regresso do comboio a Bragança, não é, pois uma nova linha do caminho-de-ferro com ligação aos comboios de alta velocidade com paragem na Puebla da Sanábria seria de extrema importância para a região, abrindo uma porta rápida para a Europa.
Por isso, para que os vindouros não nos acusem de silenciar o passado, de desleixo na luta pelos interesses da região é que, em meu entender, devemos ter sempre presente, no nosso quotidiano, esta revindicação maior em prol da reativação duma linha do caminho-de-ferro na nossa região, com destino a Bragança e ligação à Puebla.
E porque “sempre que um homem sonha o mundo pula e avança” no dizer do nosso Gedeão, vale a pena continuar a sonhar com o comboio que um dia romperá o silêncio da História e entrará triunfante da estação de Bragança rumo à Espanha e à Europa.

Fernando Calado nasceu em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança. 
Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.

Bragança vai acolher formação de música para a infância

A cidade de Bragança vai acolher, em novembro, uma formação transitiva de música para a infância.A iniciativa é do Centro Social Paroquial dos Santos Mártires, e surge no âmbito de uma candidatura ao projeto “GermInArte” promovido pela Companhia de Música Teatral e o Laboratório de Música e Comunicação na Infância do CESEM - Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
A formação tem como finalidade a qualificação de recursos humanos e profissionais para a primeira infância, desenhando e implementando modalidades de caráter artístico e musical. 

Nesta edição de Outono são esperados 25 professores, educadores, psicólogos e animadores. Com a duração de 9 horas (modalidade de três oficinas com 3 horas cada), a iniciativa decorrerá nos primeiros sábados de novembro (4 e 11), nas instalações da IPSS, no Bairro Artur Mirandela, em Bragança.

O Projeto GermInArte adota uma perspetiva holística, procurando alcançar elementos do sistema social que podem, de forma direta ou indireta, influenciar positivamente o modo como se tratam questões relacionadas com a infância. GermInArte integra trabalho de pesquisa teórica e empírica, ações direcionadas ao público em geral e ações direcionadas a públicos específicos. 

Este projeto resulta de uma parceria entre a Companhia de Música Teatral e o Laboratório de Música e Comunicação na Infância do CESEM - Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa. Tem o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e decorre de 2015 a 2018.

in:noticiasdonordeste.pt

Brigantinos associam-se à caminhada solidária 'Mais Fogos Não!'

Um movimento de cidadãos está a organizar a caminhada solidária 'Mais Fogos Não!' em Bragança, tal como em outras cidades do país, no próximo sábado, às 16h00, com início na Praça da Sé, no seguimento das tragédias provocadas pelos incêndios nos últimos meses em Portugal.
"É impossível ficar indiferente ao que tem vindo a acontecer desde há alguns meses para cá, seja à tragédia dos incêndios ou pelo facto de não chover há meses (que também é uma tragédia)", referem os organizadores da caminhada, numa nota enviada aos órgãos de comunicação social.
Em Bragança, a caminhada solidária “Mais Fogos Não!” está coordenada com uma outra que foi marcada para o mesmo dia e à mesma hora. Contactámos pessoas da outra organização e combinámos fazê-la em conjunto. Num momento tão sensível e trágico como este unamo-nos por causas comuns, pelas pessoas, por uma floresta sustentável, pela proteção e segurança das vidas e bens.
Este evento cívico, que terá ponto de encontro e partida na Praça da Sé, pretende reunir os brigantinos que, à semelhança de outros portugueses, querem manifestar solidariedade e pesar aos que perderam tudo, até a vida. "Não conseguimos ficar indiferentes. 
Assim, num ambiente familiar, vamos unir-nos numa caminhada solidária, manifestando a nossa preocupação, mas também sentimentos e emoções acerca do que está a acontecer, para também mostrarmos às gerações futuras um exemplo de cidadania e que é na união, na ação e na partilha que se superam as dificuldades e se alcançam as melhores soluções", acrescenta a mesma informação.

Glória Lopes
in:mdb.pt

Jorge Gomes confirma que já não faz parte do Governo

Com a demissão da Ministra da Administração Interna, também os secretários de Estado deixam o governo.
O brigantino Jorge Gomes confirmou que já não faz parte do governo, deixando assim o governo quase 2 anos depois de ter assumido as funções de Secretário de estado da administração interna, com o pelouro da Protecção Civil.

Em declarações à comunicação social hoje à chegada ao ministério, Jorge Gomes, disse que tomará parte apenas em actos de gestão.

“Neste momento, a senhora ministra demitiu-se ontem, portanto os secretários de estado também já não fazem parte já desta composição, a não ser em actos de gestão”, declarou apenas Jorge Gomes.

O secretário de estado da administração interna, Jorge Gomes, tem sido muito criticado depois de aquando dos incêndios fatais do último fim de semana ter dito que “as comunidades têm de ser proactivas” e não podem ficar “à espera que apareçam os bombeiros e que apareçam os aviões para nos resolverem o problema”. 

Escrito por Brigantia

Projetos do Orçamento Participativo Jovem vão ser apresentados no próximo sábado em Bragança

Sábado, dia 21 de outubro, pelas 16h30 no Instituto Português do Desporto e da Juventude (IPDJ) de Bragança terá lugar uma sessão de apresentação de projetos do Orçamento Participativo Jovem Portugal. O IPDJ convida jovens entre os 14 e os 30 anos para apresentação de projetos.
O OPJP é um processo de participação juvenil sem precedentes a nível mundial que proporciona aos cidadãos jovens, entre os 14 e os 30 anos, oportunidade de apresentar e votar projetos de investimento público, em quatro áreas temáticas como o Desporto Inclusivo, Educação para as Ciências, Inovação Social e Sustentabilidade Ambiental. 

O valor máximo por proposta é de 75 mil euros, num montante global de 300 mil euros. 

Os projetos do Orçamento Participativo Jovem Portuga pretendem envolver os jovens nas decisões coletivas, refletindo a forma como o Governo encara os cidadãos mais jovens, incentivando-os, desta forma, ao envolvimento nas decisões coletivas. 

O objetivo do OPJP é contribuir para a melhoraria da democracia, através da inovação e reforço das formas de participação pública dos cidadãos jovens, apostando no seu espírito criativo e no seu potencial empreendedor. 

Até ao final de outubro decorrerão sessões de apresentação de projetos, por todo o País, uma das quais terá lugar no dia 21 de outubro, pelas 16h30, no IPDJ de Bragança. 

Na última semana do ano ficarão a conhecer-se os projetos vencedores. As candidaturas podem ser entregues através do sítio na internet www.opjovem.gov.pt  (onde pode ser consultada toda a informação e o regulamento do OPJP) ou nos serviços distritais do Instituto Português do Desporto e da Juventude.

Espetáculo de fados, no Centro Cultural, contou apenas com artistas do concelho de Macedo de Cavaleiros

terça-feira, 17 de outubro de 2017

DESOLAÇÃO

Por: Manuel Amaro Mendonça
(colaborador do "Memórias...e outras coisas..."
De olhos fechados, trincou com força a maçã vermelha sentindo a explosão voluptuosa de açúcar. Mastigou calmamente, saboreando cada gota do fruto. Desejava que aquela sensação durasse para sempre, mas engoliu, quase contrariado. Entre dentadas, espreitou de olhos semicerrados, as nesgas de sol que logravam romper por entre as nuvens escuras, trazendo uma vaga lembrança do calor de outras eras.
Deixou-se ficar sentado nas enormes pedras da ruína onde se encontrava, fazendo durar a maçã, enquanto escutava as vozes algo longínquas dos companheiros, para lá das paredes esburacadas.
Pouco restava do descomunal edifício que escolhera para descansar. Já não havia telhado e apenas as paredes se lançavam para os ares numa caricatura de mãos que imploravam aos céus. O chão, pejado de escombros negros, era a evidência de um longínquo crime do qual este edifício fora testemunha… e vitima.
Dando-se por satisfeito, ergueu-se. Sacudiu o uniforme camuflado, já a ficar puído e bateu no chão as botas cansadas de devorar quilómetros, após o que enfrentou os restos do altar que ocupavam completamente uma das paredes. Mantendo a maçã quase comida numa mão, apanhou a espingarda automática e acenou um adeus respeitoso à cruz queimada, que teimosamente resistia ereta no meio da desolação.
Caminhou em passos indolentes e atravessou o pórtico, de onde desaparecera uma enorme porta. No exterior, várias dezenas de homens e mulheres de uniforme igual ao dele se afadigavam com braçados de armas, munições e outras cargas. 
Do cenário de um edifício em ruínas, mudara para um mundo de destruição a perder de vista. Prédios de vários pisos de altura, olhos sem vida, inclinavam-se em ângulos improváveis sobre outros reduzidos a escombros. Na outrora imponente praça que se estendia à sua frente, misturados com pedras e detritos, repousavam restos calcinados de automóveis empurrados para os lados a fim de rasgar uma passagem para os veículos militares.
Um dos soldados aproximou-se e com uma continência desleixada anunciou “Meu sargento, o nosso comandante deu a ordem de reunir no ponto de encontro para partida imediata.”. Com a velocidade com que aparecera assim se afastou.
O sargento deu uma última mordida na maçã e começou a caminhar na direção que o soldado tomara, contornando a ruína da igreja.
Parou uns segundos a olhar a dantesca cratera cujos bordos mais longínquos quase desapareciam de vista. A pouca água que ainda corria de um rio, caía desamparada para lá. A suja cascata prometia que a enorme depressão se tornaria um dia num grande lago.
Perdido nos seus pensamentos, o sargento prometeu: “Este primeiro ano é apenas o princípio de muitos outros de morte e destruição, antes de podermos recomeçar a pôr ordem no mundo. Mas um dia havemos de conseguir. Havemos de trazer a ordem e a paz e taparemos estes buracos hediondos.”
Como que num primeiro passo para a sua promessa, arremessou o caroço roído de uma das últimas maçãs do mundo, para a cratera que levara parte de Paris.

Manuel Amaro Mendonça nasceu em Janeiro de 1965, na cidade de São Mamede de Infesta, concelho de Matosinhos, a "Terra de Horizonte e Mar".
É autor dos livros "Terras de Xisto e Outras Histórias" (Agosto 2015), "Lágrimas no Rio" (Abril 2016) e "Daqueles Além Marão" (Abril 2017), todos editados pela CreateSpace e distribuídos pela Amazon.
Ganhou um 1º e um 3º prémio em dois concursos de escrita e os seus textos já foram seleccionados para mais de uma dezena de antologias de contos, de diversas editoras.
Outros trabalhos estão em projeto e saírão em breve, mantenha-se atento às novidades AQUI.

Domus Municipalis, Ermida de S. Sebastião, Torre do Relógio e Igreja de S. Francisco

 – A 24 de Dezembro de 1588 escrevia o duque de Bragança à câmara da mesma, dizendo-lhe:
«Sou informado que nessa cidade ha algûas cousas poucas muito daneficadas que he necessidade de se repairarem para que se não acabem de perder e que não se entendendo com brevidade no repairo dellas, senão poderão depois reformar sem grande despesa das rendas della. As quais são as casas da audiencia, torre do relogio, sino de correr, e ermida de São Sebastião, e as pontes do rio de fervença, e fontes, e a igreja de São francisco que se concerta á custa das rendas dessa cidade.
E que á defeza do sardoal, sendo a milhor cousa que a cidade tem e mais proveitosa pera os moradores della se corta e destrue sem se lhe acudir. E avendo hua provisam del Rey meu Senhor para se devassar sobre aquelles que nella cortão se não dá á execução e dado que por bem do dito Regimento sois obrigados a olhar pollas tais cousas, e prover no repairo, e guarda dellas, todavia vos quiz advertir disto para que tenhais particular cuidado, e tempo, para acudirdes a ellas. E ao meu ouvidor escrevo que quando for em correição a essa cidade saiba particularmente de como vos ouvestes nestas cousas, e me avise do que nisso achar.
Tambem sou informado que a casa da Camara e audiencia dessa cidade he pequena, e não he conforme á que convem aber nella, e que está em lugar escuso; encomendovos que procureis que se faça hûa casa accomodada para a Camara, e audiencia em lugar publico para bem dos cidadãos e povo pois a cidade tem rendas de que se possa fazer a milhor que ouver nessa comarca para que fique mais emnobrecida, e confio de vos que no outro anno pensareis dar ordem a que as mais destas obras se acabem, e as que se não poderem acabar nelle fiquem principiadas para as acabarem os soccessores que ouverem de servir o anno que bem............................
Quanto aas casas da Camara o que quero he que me aviseis do lugar em que estão fazendo hû desenho dellas e das que estiverem ahy perto e que vejaes aonde fica bem fazer-se outras, e o que poderão custar e que me aviseis de tudo com brevidade com vosso parecer para vos eu avisar do que nisso assentar o desenho que se fizer hade ser da praça e do lugar em que assentardes que he bem fazer se».

Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança

21 de Outubro, 16h00, no CITICA de Carrazeda de Ansiães - Apresentação de Livros

Município de Bragança quer Aeroporto Regional que seja alternativa na região Norte

A última reunião dos “Conselhos raianos” foi o palco para discutir um projecto que é uma ambição antiga do município de Bragança: a transformação do aeródromo municipal em Aeroporto Regional.
O piloto João Roque abordou a questão dizendo que considera viável a alteração. E para tal se concretizar nem seria, na sua opinião, aumentar a pista, apenas dotar a estrutura de sistema de ajuda de rádio mais eficaz.

“É viável desde que seja feito um trabalho como deve ser, que tem a ver com instalações de ajudas rádio que permita uma operação regular para aeronaves”.

O comandante acredita que a falta deste sistema foi um dos “erros crassos” que se repetiram por todo o país e que inviabilizou operações regulares em aeródromos como o de Bragança.

“Nos anos 80 fez-se um investimento em aeródromos regionais, em todo o país, com um bonita aerogare, iluminação, mas uma aeronave para aterrar tem de ter condições para furar as nuvens quando está mau tempo. Fazer uma operação para o aeródromo regional e não ter ajudas rádio, significa que não se pode ter uma operação regular, e assim os passageiros deixam de existir e depois é necessário que as operações sejam subsidiadas”, referiu.

O presidente do Município de Bragança, Hernâni Dias, esteve na plateia e ouviu com atenção as considerações de João Roque, pois recorda que esta é uma ambição antiga e que actualmente com o aumento do tráfego aéreo, um aeródromo com outras condições na região poderia ser uma alternativa ao aeroporto Sá Carneiro, no Porto

“O aeródromo de Bragança tem capacidade para vir a crescer e ser uma aeroporto regional e uma alternativa ao aeroporto Sá Carneiro, no Porto”, frisou o autarca que garantiu que o município nunca desistiu “deste projecto, de transformar o aeroporto em regional”. Hernâni Dias adiantou ainda que a autarquia está a trabalhar “com operadores e investidores para garantir que isso aconteça”. O objectivo é conseguir “fazer com que as ligações aéreas a partir de Bragança tenham outra dimensão que não têm hoje”, afirma recordando que “há vontade que haja ligações aéreas de Bragança para a diáspora”.

O autarca mostra ainda disponibilidade para, se necessário aumentar a pista e passar para 2.3 quilómetros, tendo actualmente 1700 metros de comprimento. 

Escrito por Brigantia

Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza assinala-se hoje

Hoje assinala-se o dia internacional para a erradicação da pobreza. Em Portugal são 2 milhões os habitantes que vivem em situação de pobreza e na região os indicadores não são muito optimistas nesta matéria.
Segundo Ivone Florêncio, coordenadora do Núcleo Distrital de Bragança da EAPN, a Rede Europeia Anti-pobreza, os números de pessoas em situação vulnerável no distrito são preocupantes.

O desemprego, os salários baixos e as pensões sociais são condições que contribuem para aumentar o risco de pobreza no distrito de Bragança.

“É uma realidade que vivemos também no nosso distrito, desde logo com o número de pessoas que recebem o rendimento mínimo de inserção, o complemento social para idosos, a taxa de desemprego, tudo isto são indicadores que, no nosso distrito à escala da nossa dimensão populacional, não deixam de ser bastante preocupantes. Segundos os dados de 2014 e 2015, que são os dados oficiais que temos, em 2014, por exemplo, no Centro de Emprego de Bragança 6784 pessoas e apenas 27% destes recebiam subsídio de desemprego, os restantes nem sequer tinham uma fonte de rendimento. Existiam há dois anos 2508 pessoas que recebiam o rendimento mínimo de inserção numa prestação mensal de 96,50 €, ou seja, uma miséria, quando esta é a única fonte de rendimento. Mas há ainda a questão das pensões na nossa região serem por norma, muito baixas, como é o caso das pensões agrícolas”, denuncia a responsável.

Para assinalar o dia internacional para a erradicação da pobreza e chamar a atenção para esta problemática está patente no centro comercial de Bragança uma exposição até ao final de Outubro.

“São obras de expressão plástica realizadas pelos utentes das diferentes IPSS’s do distrito com alusão à pobreza e à exclusão social”, referiu.

O dia internacional para a erradicação da pobreza assinala-se hoje para sensibilizar para as questões da pobreza e da exclusão social, alertar para a situação em que vivem muitos dos que partilham o mesmo território e que são muitas vezes invisíveis na sociedade. 

Escrito por Brigantia

QUE DEUS E A CHUVA NOS VALHAM

Ontem acordámos em Bragança com cinza a cair-nos sobre a cabeça, um céu cor de brasas mortiças, o ar tomado por um fumo de lume gasto, que nos fazia respirar como nos arrabaldes do inferno.
Outono dentro o país voltou a arder, como só se vira antes, no fim da primavera, ceifando outra vez dezenas de vidas, depois de um verão em que o terror rondou as almas todos os dias, porque se foi sabendo que as estruturas de combate aos incêndios, num ano de estranhos eventos climáticos, eram a expressão ridícula da inépcia e da desordem, impensáveis num país do clube dos desenvolvidos, onde os responsáveis políticos reclamam a condição de verdadeiros estadistas.
Foi-se gemendo e suspirando, contando com o ombro do Presidente da República, sempre disponível para lamentações, enquanto se anunciava um relatório sobre as causas de tão grande devastação e tragédia. Soubera-se, no fim da semana, que tal relatório pusera a nu a inoperância, o descuido, mesmo a displicência de enfatuados “boys”, colocados na estrutura da Protecção Civil, alguns entretanto caídos do pedestal por terem aldrabado as habilitações.
Além disso, não apagava a sensação de que o sistema de comunicações utilizado é uma verdadeira sucata, vendida há anos como suprassumo, num contrato em que o Estado não garantiu penalizações para incumprimentos, nem sequer para refinadas vigarices.
Perante os fogos de cada dia, o sistema falhou repetidamente, mas nada foi feito para garantir uma alternativa credível, nomeadamente a mobilização a sério de estruturas militares e policiais para garantir vigilância mais apertada sobre focos de incêndio e perseguição activa a eventuais lançadores de fogo a soldo de interesses inconfessáveis.
Pelos vistos, esperou-se que a chuva viesse fazer esquecer a tragédia de Pedrógão. A misericórdia divina não faltaria. Desmobilizou-se o aparato de vigilância e de combate a meio de Setembro, até que recrudesceram os incêndios e voltou a ficar à vista o caos. Só então se repuseram os mecanismos, pelo menos formalmente.
Eis que no domingo, o Altíssimo ter-se-à distraído, deixando ao acaso dos caprichos da natureza e da malvadez a sorte de mais uns milhares de cidadãos, que viram queimadas as vidas ou reduzidos a pó os projectos de resistir enraizados na sua terra.
Um sistema que não é capaz de garantir condições pa­ra que os cidadãos se sintam seguros e confiantes, recua aos tempos primordiais, quando os poderes das profundezas moldavam as vidas e só restava aos pobres humanos recorrer a entidades que lhes aliviassem as angústias, evitando miraculosamente as tragédias.
Se continuarmos assim, dispensamos a construção política e ficamo-nos pela esperança de que os deuses nos valham ou, simplesmente, pela melancolia que a vida será só o que Deus quiser, enquanto vamos enchendo as redes sociais de lacinhos pretos e lamentos piedosos, à espera da próxima catástrofe.


Teófilo Vaz
in:jornalnordeste.com

Veículo de transporte de animais despistou-se esta manhã

Um despiste na estrada próxima à aldeia de Vilarinho do Monte, Macedo de Cavaleiros, feriu uma mulher esta manhã.
Tratava-se de uma carrinha que transportava animais de aviário e seguia para a feira em Torre Dona Chama quando ao fazer uma curva apertada perdeu o controlo e caiu de uma rampa.

O veículo transportava duas pessoas. 
O condutor, de 79 anos, não quis ser observado pelos serviços de urgência enquanto a senhora, com cerca de 45, foi transportada pelos bombeiros de Torre Dona Chama para o hospital de Bragança não apresentando, ao que apuramos até ao momento, sintomas de gravidade.

Alguns dos animais perderam a vida no acidente e outros ficaram à solta no local.

Escrito por ONDA LIVRE