quinta-feira, 24 de maio de 2018

Saberes Culinários - Sopas de Cavalo Cansado...e Outras

SOPAS DE CAVALO CANSADO
Pão; Vinho; Açúcar. Mistura‑se o açúcar no vinho, a quente ou a frio, tendo em conta o número de pessoas a que se destinam as sopas.
Para um alguidar cortam‑se bocados de pão que depois recebem a mistura açucarada. Servia‑se à merenda nas ceifas.
Receita cedida pelo Sr. José Joaquim Barrigão

SOPAS DE BACALHAU
Água de Cozer Bacalhau; Pão; Azeite; Alho. Aproveita‑se a água de cozer o bacalhau para amolecer o pão. Escorre‑se a água a mais. À parte, rija‑se (frita‑se) alho em azeite e deita‑se este molho por cima do pão.
Receita cedida pela Sr.ª Dona Maria do Céu Geraldes Morais

SOPAS DE PÃO
Pão; Alho; Água; Azeite; Unto. Para uma malga grande corta‑se pão em fatias muito finas, põe‑se um dente de alho cortado, por cima deita‑se água fervente, junta‑se azeite e unto rijados à parte.
Receita cedida pela Sr.ª Dona Olinda Luzia Branco

SOPAS DE PÃO FERVIDAS DE OVO OU TOMATE
Pão; Água; Ovo; Cebola; Tomate. Numa panela põe‑se a água ferver com um bocadinho de pingo e cebola. Adiciona‑se o pão cortado às fatias, bate‑se um ovo bem batido que se deita na água mexendo. Na época pode‑se enriquecer com tomate.
Receita cedida pela Sr.ª Dona Ana da Conceição Alves

SOPAS DE TRIGOS
Pão de Trigo; Perdizes; Massa; Hortelã.
Põem‑se a cozer 2 ou 3 perdizes. Depois de cozidas retiram‑se. Na mesma água da cozedura das perdizes coze‑se um bocadinho de massa.
Quando a massa estiver cozida vaza‑se tudo para uma terrina onde já estão fatias de pão de trigo.
Acrescenta‑se hortelã a gosto. Serve‑se em dia de festa.
Receita cedida pela Sr.ª Dona Maria Antónia Costa

Carta Gastronómica de Bragança
Autor: Armando Fernandes
Publicação da Câmara Municipal de Bragança

GAV VImioso

Somos Douro

Monstra à Solta

Empresário abre polémica com Câmara no negócio do lagar industrial

Emperrou o negócio que visava recuperar o edifício do antigo lagar industrial dos Távoras, de Alfândega da Fé, exemplar único no concelho e que o município pretende recuperar e musealizar.
Joaquim Mendonça, proprietário do edifício, situado no centro da vila, quer vendê-lo e estava em negociações com a autarquia. Entretanto, diz ao Mensageiro que recebeu outras propostas de privados, mais vantajosas.

AGR
in:mdb.pt

Antigos Estabelecimentos Comerciais em Bragança





Comemoração do Dia Mundial da Criança - ESPETÁCULO O PLANETA LIMPO DE FILIPE PINTO

Bragança: terra fria cheia de tons quentes e sabores genuínos

Ergueu-se como cidade-fortaleza do reino na Idade Média, mas a riqueza de Bragança vai além das muralhas. População e natureza andam de mão dada numa relação que começa na terra e acaba na mesa.
(Fotografias: Rui Manuel Ferreira/GI)
«A terra é a própria generosidade ao natural. Como num paraíso, basta estender a mão», afirmou Miguel Torga em 1941 no congresso em que batizou Trás-os-Montes de «Reino Maravilhoso». O escritor, cuja obra viria a espelhar aquelas paisagens, referia-se então à Terra Fria, território que abrange Mogadouro, Miranda do Douro, Vimioso, Vinhais e Bragança. No ponto extremo do Nordeste de Portugal, entre montanhas austeras e vales de terra bravia, fica a cidade que desde os primórdios da sua existência faz das tripas coração.

Bragança, cenário de numerosos conflitos fronteiriços entre Portugal e Espanha ao longo dos séculos, palco de caos durante as invasões francesas, sempre arregaçou as mangas para sobreviver face ao solo agreste e ao clima hostil. Não admira, pois, que tire partido de uma das zonas com maior diversidade de fauna e flora do país – o Parque Natural de Montesinho, ex-líbris transmontano que integra os concelhos de Bragança e Vinhais numa área de 74 mil hectares. Aqui fica a aldeia de Oleiros, onde os castanheiros se alinham planalto fora. «O castanheiro é importante para a biodiversidade, mas também para a economia da região», explica António Sá, guia e fotojornalista, que em 2010 trocou Espinho por Lagomar, uma aldeia ao redor da serra.

Muralhas da Cidadela
Por esta altura, os ouriços das castanhas decoram a terra e as árvores centenárias recuperam de mais um inverno, mas é impossível não imaginar o brilho dourado dos bosques no outono. «Há famílias inteiras que vêm aqui para a apanha da castanha na primeira quinzena de novembro», conta António. Aqui, é grande a abundância desta espécie autóctone, Bragança detém 80 por cento da produção nacional de castanha. A presença de castanheiros significa, normalmente, a presença de javalis, que ali procuram refúgio e alimento. Por sua vez, estes garantem a existência de lobos, o que, continua o guia, «contribui para boa saúde da cadeia alimentar». Pelas curvas e contracurvas que ladeiam o rio Sabor até à aldeia de Cova da Lua, os carvalhos e as azinheiras dominam a paisagem e servem outros mamíferos selvagens como o corço e o veado, que muitas vezes descem aos lameiros para beber água. Na humidade destes terrenos, pastam animais como a ovelha churra galega bragançana ou a vaca mirandesa e, com a proximidade dos cursos de água, é possível avistar lontras ou toupeiras-de-água.

Um passeio pelo Rio Fervença
A 1000 metros de altitude, em pleno parque, encontra-se a aldeia que partilha do seu nome e charme. Montesinho é feita de ruas estreitas e casas típicas que obedecem à arquitetura simples transmontana. Aproveitando recursos naturais como o xisto e o granito e a madeira de castanheiro ou carvalho, a casa tradicional transmontana é constituída por um nível inferior, espaço que antigamente abrigava o gado, e pela habitação no nível superior, quase sempre com um alpendre a enquadrar a entrada. Esta é uma aldeia carismática em qualquer estação do ano. Por agora, a neve ainda tinge de branco os telhados e as árvores, mas a primavera já chegou e as caminhadas, piqueniques e passeios de BTT tornam-se mais apetecíveis.

Pedra, madeira e neve: a moldura da aldeia de Montesinho,
 dentro do parque que lhe dá nome
Embora esteja numa das zonas de maior biodiversidade da Península Ibérica, é na resistência das suas gentes que Bragança encontra prosperidade. A economia regional move-se pela criação de gado (vaca, porco bísaro utilizado para fumeiro, ovelha e cabra), pelo cultivo da castanha, da batata e de cereais como o trigo e centeio e pelas madeiras dos seus bosques.

A relação simbiótica entre populações e natureza já vem dos dias em que o Castelo de Bragança e a sua cidadela eram o centro da vida dos brigantinos. Pensado para funcionar como um centro regional da zona mais periférica do reino por D. Sancho I no século XII, o edifício medieval viria a tornar-se símbolo de poder militar na fronteira. De olhos postos no castelo, salta à vista a Torre da Princesa, ornamentada com várias janelas góticas. Ao lado, fica o pelourinho que é, segundo a especialista Emília Nogueira, o mais antigo vestígio da vila. Datado do século XIII, inclui a figura de um berrão, da Idade do Ferro, «uma das muitas esculturas ilustrativas de rebanho feitas na época no Norte da Península».

Um passeio pela aldeia de Montesinho
Em frente ao castelo, a Igreja de Santa Maria é paragem obrigatória para observar as linhas torcidas e a talha dourada do barroco em contraste com o teto de madeira. A um passo da igreja está a Domus Municipalis, uma estrutura medieval de estilo românico que servia simultaneamente como espaço de reunião e como cisterna de água, tendo sido depois utilizada como Paços do Concelho. Antes de se rumar ao centro, passeie-se pela cidadela, onde as encantadoras ruas de granito, as vielas apertadas e as casas baixinhas roubam o protagonismo ao castelo sem grande esforço.

Antigo e moderno
Descendo, chega-se à cidade moderna. Na Rua Engenheiro José Beça, o Solar de Santa Maria, hoje utilizado para turismo de habitação, é um exemplo vivo das casas senhoriais do século XVII. Mais à frente, naquela que já é conhecida como a «rua dos museus», a Rua Abílio Beça, situa-se o Museu do Abade de Baçal, detentor do maior acervo cultural e artístico da região, com obras que abrangem arqueologia, epigrafia, arte sacra, pintura, ourivesaria, numismática, mobiliário e etnografia. A alguns metros dali fica a igreja de São Vicente, uma das mais emblemáticas da cidade, pois diz-se que terá sido palco da boda secreta de D. Pedro e D. Inês de Castro.

Bragança é também casa do Centro de Fotografia
 Georges Dussaud
O tradicional e o contemporâneo encontram-se ao virar da esquina, no Centro de Fotografia Georges Dussaud. O edifício neoclássico construído para receber a família real no início do século XX – propósito que o regicídio deitou por terra –, guarda uma coleção de 148 fotografias a preto e branco do fotógrafo que se apaixonou por Trás-os-Montes. Ao fundo da rua, o visitante é convidado a conhecer um dos mais icónicos nomes da arte do século XX, no Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, dedicado à obra da pintora transmontana. Atualmente, tem em exposição Cabo Verde – O espírito do lugar, que reúne o conjunto de obras ilustrativas da sua residência artística naquele país entre 1988 e 1989, e que estará patente até 17 de junho. O museu reserva, ainda, lugar à obra de artistas convidados, como é o caso da exposição Knife and Wound, de Filipe Marques.

Vista para o interior da Igreja de
 Santa Maria do Sardão, na Rua da Cidadela
Em Bragança, as raízes eternizam-se na tela, mas são sempre o prato do dia. Entrar no Solar Bragançano é como entrar na casa de uma família transmontana onde a comida conforta o estômago e a hospitalidade aquece a alma. A sala de entrada anuncia a decoração acolhedora que carateriza o restaurante e sobre as mesas amontoam-se livros e jogos de tabuleiro para enfrentar eventuais esperas. Os proprietários, Desidério Rodrigues e Ana Maria Baptista circulam entre a cozinha – onde se confeciona a comida em pote de ferro – e as salas de refeições, com a cortesia com que brindam os clientes há vinte anos. Na carta, destacam-se pratos como o javali à campesino estufado e a posta de vitela à mirandesa. O pudim abade de Baçal (semelhante ao abade de Priscos, mas com presunto em vez de toucinho) e o cremoso bolo de chocolate são algumas das apetitosas sobremesas.

O cozido à portuguesa do restaurante O Poças,
 junto à Praça da Sé
Ainda junto à Praça da Sé podemos encontrar o Poças, uma referência local da cozinha regional. É composto por três salas e alia a arquitetura do século XX ao ambiente familiar quase de taberna. Serve clássicos como o cozido à portuguesa com os bons enchidos da região. Enchidos esses que são transversais a toda a carta. Produtos como a castanha, o cogumelo e carnes como o porco e o javali são também imagem da casa.

Javali à mesa
Vindo das serras onde esgravata por invertebrados e se esconde entre as árvores, o javali é presença assídua na ementa de qualquer restaurante típico. É assim também na Taberna do Javali, mesmo ao lado do castelo, onde há risoto de javali, sandes de javali e, até, francesinha de javali. Aqui, a castanha é a estrela das sobremesas, podendo vir em pudim ou em tarte.

Na renovada Pousada de São Bartolomeu,
dorme-se com o castelo à vista
A tradição não impede a inovação. O Porta, restaurante onde tudo tem mão do chef André Silva (que antes liderou o estrela Michelin Casa da Calçada, em Amarante), tem uma decoração sóbria com pequenas esculturas de caretos que dão a volta à sala. Além de reinventar ingredientes como a alheira e a castanha numa trufa que é servida de entrada na língua de um careto, também oferece o tradicional javali envolto em pão torrado com torresmos, molho de vinho tinto, creme de maçã e castanha. Se é verdade que aqui a cozinha de autor se faz sem medo, é a magnífica vista panorâmica sobre o castelo que tira o fôlego.

No restaurante Porta, do chef André Silva,
 a tradição não impede a inovação.
As duas complementam-se
Ao cair da noite, depois de encher os olhos de paisagem e a barriga de comida, nada melhor do que descansar na Pousada de São Bartolomeu. Em terra de reis e rainhas, não podiam faltar as camas de princesa das suas 28 luxuosas suítes. Na sala do pequeno-almoço, a natureza é novamente protagonista, com uma árvore que «brota» da parede envidraçada. O olhar, esse, vai sempre ter ao castelo, o ponto de partida e de chegada de uma cidade com as unhas sujas de terra, o peito inchado de orgulho e os braços abertos prontos a receber quem a queira descobrir.

Texto: Maria João Monteiro
Revista Evasões

Carrazeda de Ansiães: entre os rios Douro e Tua

Uma vila, 14 freguesias, 41 aldeias, e tranquilidade na dose certa. A pouco mais de uma hora do Porto, 40 minutos de Vila Real, hora e meia de Viseu, pode estar um reino de surpresas: Carrazeda de Ansiães.
Fotografias: Leonel de Castro/Global Imagens
Neste pedaço de terra encostado ao Douro e ao Tua, cultivam-se campos, alimenta-se o gado, mata-se o porco, apanham-se maçãs, faz-se azeite e vinho. Carrazeda vive do que a terra lhe dá, do peixe que sai do rio, e ainda mostra o que lhe corre nas veias. Montes salpicados de granito, um imenso planalto, estradas coladas ao rio, pomares, vinhas, igrejas, museus, adegas. As fronteiras ficaram fechadas no século XI, mas as histórias constroem-se todos os dias. Cristiano Sousa está habituado a contar essas histórias.

Licenciou-se em Turismo e História de Arte em Coimbra, regressou, é guia pelos cantos e recantos de Carrazeda. Conhece-os bem e explica-os em circuitos de um dia, gratuitos, entre março e setembro, dos moinhos de água e vento à anta megalítica da aldeia de Zedes. «Gosto muito da minha terra, das raízes, de viver em Trás-os-Montes. É um local sossegado, onde se está bem, onde toda a gente se conhece, onde há apoio comunitário», conta.

Pisa de vinho na Quinta da Cuveta, Ribalonga,
 freguesia de Carrazeda de Ansiães
Produzir 165 mil litros de vinho por ano
Este ano, as vindimas começaram mais cedo, o tempo aqueceu, a chuva não caiu. Mónica Prazeres está a pé desde as seis da manhã, conduz um trator de lagartas nas vinhas de Ribalonga e, desenrascada, em qualquer canto faz uma manobra. Ao início da noite prepara uma merenda com queijos, enchidos e vinho fino para os amigos que vão à Quinta da Cuveta para uma lagarada. A família tem 40 hectares de vinhas espalhadas por Carrazeda e produz cerca de 165 mil litros de vinhos por ano.

Naquela noite, as máquinas que pisam uvas são excecionalmente substituídas por homens de pés descalços, calças dobradas até à cintura. Martim, filho de Mónica, não resiste à diversão e salta para o lagar da adega. Mónica não tem dúvida. «O interior transmontano é um sítio bonito para se viver».

O vinho é um dos motores económicos e há vários produtores na região, Grambeira, Bulfata, Pala da Lebre, Trovisco, Douro Ansiães, entre outros. E naquelas vinhas com vista para o Douro, na Quinta da Senhora da Ribeira, da casa Symington, nasceu o Dow’s Vintage Porto, o melhor vinho do mundo de 2011, segundo a revista Wine Spectator. Uma garrafa custa agora 300 euros e não é fácil encontrar.


Apanha da Maça em Luzelos, freguesia de Colmeal
A maçã também é importante para a economia da região. Em Luzelos, não há mãos a medir no pomar da família Saraiva. Mulheres e homens de cestos colados ao corpo sabem de olhos fechados o tamanho que devem ter as maçãs – em caso de dúvida, têm um medidor amarrado ao cesto. Este ano, há mais maçãs, de cinco variedades, nos 12 hectares dos Saraiva. A apanha termina em novembro, nos dois meses seguintes trata-se da poda. Há sempre trabalho, segundo Ricardo Saraiva, de 25 anos. «Fazemos análises à terra para ver do que precisa, mais azoto, mais potássio. São 25 tratamentos por ano e é preciso regar todos os dias».

As memórias do passado
Lá em baixo, junto ao Douro, mora Otília Rosa que tem um barco para pescar. Duas horas de manhã a partir das 6h30, mais uma hora ao final do dia. Pelo meio, faz quilómetros na sua carrinha com o pescado fresco, sobretudo barbos e lúcios, para vender pelas aldeias. «Se não vou ao rio, fico doente», confessa a pescadora de Carrazeda. Há muito que seguiu as pisadas do pai. «Dos oito filhos, fui a única que ficou com a arte do velho».


A Igreja de São Salvador de Ansiães,
 no interior das muralhas do Castelo de Ansiães
Otília está numa fotografia no Museu da Memória Rural juntamente com outros protagonistas de velhos ofícios. A cultura rural, as tradições, o património imaterial da região duriense e transmontana mostram-se aqui em imagens, ferramentas, textos, livros. O tanoeiro, o canastreiro, a vida dos pastores, o ciclo da lã, o azeite, o vinho, o pão. A história de Carrazeda é feita dessas pessoas. E no alto do castelo com cinco mil anos, de porta sempre aberta, há histórias mais antigas e uma imensa vista. Ao redor, o que resta das muralhas de uma povoação e a Igreja de S. Salvador de Ansiães que exibe, por cima da porta de entrada, um dos mais belos e completos portais românicos do país. Para acompanhar a cronologia do que se passou na região, apreciar vestígios como machados e cerâmicas, há o CICA – Centro Interpretativo do Castelo de Ansiães, erguido das ruínas de uma casa tradicional, a alguns quilómetros do monumento nacional. E na vila há esculturas contemporâneas de artistas que falam da arte e da vida ao ar livre. Ângelo de Sousa deixou a sua marca em 21 blocos de granito no jardim perto do centro de apoio empresarial e Alberto Carneiro criou Os Sete Livros da Vida em páginas de pedra nos jardins da biblioteca municipal.


A Igreja de São Salvador de Ansiães,
 no interior das muralhas do Castelo de Ansiães
Do passado nada se perde, tudo se recupera. A antiga casa dos homens que trabalhavam na Junta Autónoma de Estradas, a poucos metros das obras da nova barragem do Tua, é agora uma montra dos produtos da região, com garrafeira de madeira, esplanada, sótão, salas de estar. A Casa dos Cantoneiros – Foz Tua Wine House é um ponto turístico gastronómico com vinhos, azeites, mel, frutos secos, compotas caseiras de maçã, abóbora, cereja, amora silvestre. O vinho é vendido à garrafa ou ao copo, há tábuas de enchidos e queijos e azeite para molhar o pão. Os preços são simpáticos tabelados pelos produtores e Alice Machado é a sorridente anfitriã que responde aos pedidos e satisfaz curiosidades. «É um sítio calmo, come-se bem, as pessoas são afáveis. Carrazeda tem o planalto, as vinhas, zonas viradas para o Tua e para o Douro, geograficamente é muito diversificado», diz. Uma forma de abrir o apetite numa das entradas no concelho.

O Museu da Memória Rural, em Vilarinho da Castanheira,
 recupera o passado do município de Carrazeda de Ansiães
Alheiras e miúdos
A gastronomia transmontana é suculenta e Carrazeda junta à mesa o melhor de dois mundos: carnes e peixes do rio. O Calça Curta, pertinho da estação de comboios do Tua, mesmo juntinho ao Douro, é procurado por essa variedade. Tem veado, javali, vitela, e barbos e bogas do rio. O polvo grelhado, especialidade da casa, vem de outras paragens, e as enguias entram ali vivas, são fritas e chegam à mesa com molho de escabeche. É um negócio da família Silva. A mãe Zélia segura os comandos na cozinha, os filhos Marco e Cristina servem às mesas, e o pai Frederico ora está no café, ora no restaurante. «Aqui servimos com sinceridade e as compotas são feitas por nós», garante Cristina.


O Museu da Memória Rural, em Vilarinho da Castanheira,
 recupera o passado do município de Carrazeda de Ansiães
Já a Taberna da Helena serve merendas transmontanas e jantares num antigo palheiro recuperado com terraço e belas vistas para o campo, onde o anoitecer ganha um brilho especial. Helena Miranda e Luís Carlos são a alma desta taberna com sabores caseiros e ar moderno. As francelas, tábuas onde se faziam os queijos, são o prato das merendas com presunto, queijos, salpicão. A alheira grelhada, a chouriça picante, o azeite para molhar o pão, os vinhos da região, resumem na barriga a riqueza da região. O borrego grelhado e os miúdos de cordeiro envolvidos em alho, preparados por Luís Carlos, mostram quão saborosa é esta gastronomia que se orgulha das suas raízes e que bem pode terminar a noite com panacota com redução de vinho do Porto e sumo de maçã.

Noutra casa, o restaurante Convívio, Luís Morgado recebe quem entra no seu de travessa na mão e um sorriso. Da cozinha saem pratos tradicionais, o javali estufado com molho que ensopa as batatas cozidas, mão de vaca com grão-de-bico, cordeiro assado na brasa, iscas de fígado de porco com cebolada. Luís aposta na cozinha tradicional, fiel aos sabores transmontanos, e também serve arroz de cabidela, a posta mirandesa com batata a murro, e rojões.


Vindimas na Quinta da Cuveta em Ribalonga,
 freguesia do concelho de Carrazeda de Ansiães
Docelinda Veiga e Ana Sofia, mãe e filha, tomam conta do restaurante Senhora da Ribeira junto ao Douro. O barbo do rio é frito e servido com molho de escabeche feito com vinagre caseiro de vinho tinto, o cordeiro é grelhado, e ao domingo há arroz de pato e picanha com feijão preto. «Servimos o que é típico e compramos os legumes aos lavradores», conta Docelinda, proprietária e cozinheira. A feijoada à transmontana, com couve lombarda ou couve portuguesa, faz naturalmente parte da ementa. Uma vez na vila, pode-se contar com A Quintinha do Manel, restaurante com esplanada e jardim, que também serve carne e peixe. O bacalhau à casa tem cebolada e pimentos, a vitela é transmontana, o cabrito é assado no forno. Manuel Augusto, o dono, deixou Cascais e Sintra, onde trabalhou no mesmo ramo, e em boa hora voltou à terra.

Otília Pereira tem, todos os dias, peixe fresco
 do Douro para vender nas aldeias em redor
Dormir entre montes
Os dias correm devagar, sem filas de trânsito, no centro da vila não há gente com pressa. À noite, em Vilarinho, ouvem-se grilos, a água da piscina está a 22 graus, pela frente montes e vinhas, uma paisagem verde e azul ao amanhecer. «Os clientes gostam muito desta tranquilidade», garante Maria Conceição Correia, professora primária reformada. Há quase dois anos que o filho Pedro transformou dois casebres em sofisticados apartamentos com cozinhas apetrechadas, salas amplas, lareiras, sofás espaçosos, janelas para terraços e jardins no Lagares Douro Villas. Descansa-se bem aqui com o conforto do que existe na cidade. E o pequeno-almoço bate à porta com sumo natural de laranjas, pão, bolos, compotas, ovos mexidos ou estrelados.


Barbo frito com escabeche de vinagre caseiro
 é uma especialidade do Restaurante Senhora da Ribeira,
 freguesia de Seixo de Ansiães
Tranquilidade também não falta numa casa de família do século XIX transformada em turismo de habitação na aldeia de Tralhariz. Os sons que interrompem o silêncio vêm dos pássaros, da buzina do padeiro, ou do sino da igreja. Casal de Tralhariz mantém um altar antigo numa sala que adaptou a pequena biblioteca, e transformou as casas do gado em modernos estúdios e a casa dos caseiros num T2 com cozinha, dois quartos, sala de estar e mezzanine. No jardim, há alecrim rasteiro, árvores de fruto e piscina. «Para descansar não há melhor», garante Maria Júlia, a cozinheira. O mobiliário antigo foi recuperado, há alguns objetos modernos na decoração, sobretudo sofás, e o pequeno-almoço é servido numa sala à antiga, com mesa comprida e cadeiras trabalhadas. Cá fora, a paisagem honesta deste planalto rico entre rios, que se agarra com força às suas raízes.

Texto de Sara Dias Oliveira
Revista Evasões

Semana d´África

Audição de Sopros e Percurssão

Passeio Turístico de Automóveis Antigos e Clássicos

Mirandela Music Fest

3ª Feira da Orientação Escolar e Profissional

Freixo Festival Internacional de Literatura

Município de Freixo de Espada à Cinta renova o seu compromisso com a cultura, arte e conhecimento!
De 1 a 2 de Junho, o ponto de encontro com Escritores, a leitura e a arte pública, torna a ser em Freixo de Espada à Cinta-Terras de Seda.

As alterações climáticas estão a prejudicar a produção de mel

Os apicultores da região estão preocupados com a morte de abelhas nos últimos tempos. A situação acontece há alguns anos, no entanto agravou-se desde o ano passado, com a seca e os incêndios.
José Luís tem uma empresa de apicultura em Miranda do Douro e tenta manter um efectivo de 1000 colmeias, mas ultimamente não tem sido fácil: “já vamos para o terceiro ano complicado, já com dois anos antecedentes iguais. Não foi possível enxamear e não consegui renovar as rainhas devido a diversos factores mas sobretudo a alterações climáticas. A primavera já devia ter vindo há um mês atrás. No momento, estão a sair enxames mas elas já deviam estar a recolher o mel. A produção está a ser prejudicada, nomeadamente no número dos efectivos, tal como todos os apicultores se queixam” alertou e queixou-se José Luís.

Este empresário que já chegou a recolher 20 toneladas de mel, tem conseguido retirar apenas cerca de 3 toneladas nos últimos anos.

Os apicultores enfrentam ainda outros problemas ligados ao furto de colmeias e mesmo de enxames. Apesar de sempre terem existido, a utilização de caixas isco tem agora um impacto mais visível como admite Helena Guedes, técnica da Federação Nacional de Apicultores de Portugal: “o impacto que da caixa isco têm mais visibilidade e associa-se ao aumento de apicultores em nova instalação. Os apicultores como têm a necessidade de cumprir com os seus objectivos financeiros optam por esta prática para mais facilmente povoar as colmeias e manter os projectos activos e em execução. Algumas caixas isco são mais elaboradas e que estão relacionadas com a colheita de abelhas para comércio, no entanto o mais importante de destacar é que isto configura uma situação de crime” acautelou Helena Guedes.

Esta terça-feira comemorou-se o dia do apicultor e a Federação Nacional de Apicultores assinalou a data em Miranda do Douro.

Numa zona fronteiriça, a transumância das colónias de abelhas foi um dos temas em debate. Helena Guedes diz, que tendo em conta o tipo de animal, a prática pode causar problemas: “A transumância é uma prática que sempre ocorreu e que se manifesta em outras espécies animais. No caso das abelhas trata-se de uma prática problemática porque existem questões de densidade de apiários, com limites de instalação para os apicultores, colocando em causa a sua sustentabilidade e o bem-estar das abelhas que já estão instaladas” contou a técnica da Federação Nacional de Apicultores de Portugal.

A iniciativa serviu ainda para marcar o primeiro dia Mundial da Abelha, o dia 20 de Maio, que foi reconhecido em Dezembro de 2017 pela ONU. O programa com uma série de actividades como colóquios e acções de educação ambiental com crianças do agrupamento de escolas e alunos da universidade sénior.

Escrito por Brigantia
Foto: Município de Miranda do Douro 
Olga Telo Cordeiro

Reforço de verba na reformulação de fundos comunitários 2020 para a região norte

A região Norte vai afinal manter os mais de 200 milhões de euros que se previa que perdesse com a reprogramação de fundos do Norte 2020. A novidade foi avançada esta terça-feira numa reunião do Conselho Regional do Norte, o órgão consultivo da CCDR N.
Por parte dos autarcas da Comunidade Intermunicipal Terras de Trás-os-Montes o sentimento é positivo perante o recuo do governo. No entanto, o presidente desta CIM, Artur Nunes afirma que subsistem ainda penalizações, em três eixos, nomeadamente no Plano de Acção de Regeneração Urbana (PARU), Sistema de Incentivos ao empreendedorismo e ao emprego (SI2E) e no âmbito dos Programas Regionais temáticos.

“A reformulação dos fundos é positiva, no sentido que foram tomadas em consideração algumas das nossas propostas, mas foi uma situação muito discutida. Para além disso, este reforço foi muito participado, sendo esta alteração a este documento muito positivo. Desta forma, felicitámos a Comissão de Coordenação e o seu presidente e a sua capacidade de ouvir os autarcas e as entidades que fazem parte do Conselho Regional do Norte. Mas por outro lado, existe esta penalização no Plano de Acção de Regeneração Urbana (PARU), no SI2E e na possibilidade de captar mais fundos, ao nível do Compete 2020 e dos programas temáticos” sustentou Artur Nunes.

Na reunião desta terça-feira do Conselho Regional do Norte, foram ainda aprovadas recomendações para o reforço do SI2E e para a mudança de regras de acesso a apoios que possa abranger empresas de menores dimensões, como explicou a vice-presidente desta CIM e a autarca de Alfândega da Fé, Berta Nunes:

“Foi aprovada por unanimidade uma recomendação do reforço do SI2E e de encontrar outras formas para apoiar a economia dos territórios de baixa densidade e é um trabalho que tem de ser feito agora. Porque as nossas empresas têm tido dificuldade em candidatar-se a fundos do eixo do Compete, assim como ao PO. Essas dificuldades estão relacionadas com os critérios dos avisos. A economia do distrito é mais frágil e apresenta menos empresas, no entanto como os avisos são apresentados, as nossas empresas não têm tanta facilidade para realizar candidaturas a estas alíneas. Foi uma recomendação aprovada por unanimidade para apoiar as nossas empresas” salientou Berta Nunes.

260 milhões de euros vão agora reforçar o pacote do Programa Operacional do Norte 2020. A próxima reunião do Conselho Regional do Norte vai ser descentralizada e vai decorrer em Alfândega da Fé, em meados de Junho.

Escrito por Brigantia

Abade de Baçal celebra Dia Internacional dos Museus

O espaço museológico mais emblemático da região exaltou cultura com concertos e exposições, elevou a diversidade geográfica e das gentes, dando a provar os saberes e os sabores do mundo através da Mostra Gastronómica Internacional.
Ana Maria Afonso
O Dia Internacional dos Museus foi comemorado com pompa e circunstância num dos espaços mais emblemáticos da capital nordestina, o Museu do Abade de Baçal (MAB). De 18 a 20 de maio, um programa vasto e eclético dominou não só o espaço interior como o próprio jardim que já é uma referência cultural nos dias quentes do verão transmontano.

Assim, na passada sexta, logo pela manhã, teve lugar o Jardim de Brincadeiras com atividades lúdicas para pessoas de todas as idades. Ao início da tarde, tiveram lugar as Narrativas da Tradição Oral, seguindo-se a Mostra Gastronómica Internacional nos jardins palacianos do MAB.

Tortilla (batata, cebola e ovos) de Espanha, Blatlerteig Stongen (massa folhada e queijo suíço) da Suíça, Pakoda (cebola, couve, cenoura e piripiri) da Índia, Zhà Yú (peixe frito) e Mumbels (farinha integral e recheios variados) da China, Nan (farinha de trigo, alho e queijo) do Nepal e Gattas (massa folhada e recheios variados) da Arménia foram, somente, alguns dos pratos tradicionais confecionados pelos participantes estrangeiros em representação das 12 nacionalidades a concurso.

Uma das principais responsáveis pela concretização desta iniciativa contou ao Diário de Trás-os-Montes como esta ideia surgiu. “Coincide e por sorte a nossa que dos alunos que temos vários são cozinheiros, alguns deles com restaurantes na cidade, outros que trabalham na cozinha de estabelecimentos de restauração e ainda alguns foram cozinheiros nos seus países de origem. Então, em conversa, surgiu a possibilidade de fazermos esta mostra para, também, deixar esta marca aqui no museu, em que realmente nós conseguimos fazer deste espaço maravilhoso um espaço intercultural e de partilha gastronómica”, explicou Fátima Castanheira, que integra o Secretariado Diocesano de Emigrações e Minorias Étnicas, sendo, também, professora do curso de Português para estrangeiros. O facto de personificar como a própria referiu esta “dupla representação”, ajudou a promover esta diversidade e “sendo Dia internacional Dos Museus, a Dr. Ana como diretora (do MAB) achou que faria todo o sentido nós fazermos aqui uma parceria interessante, quer enquanto migrações e minorias étnicas, quer enquanto português para estrangeiros no curso que nós temos em funcionamento na Escola Emídio Garcia”, fundamentou a docente.

“Museus Hiperconectados. Novas Abordagens. Novos Públicos.” foi a insígnia escolhida este ano pelo ICOM para solenizar o Dia Internacional dos Museus.

Feito um “balanço extremamente positivo”, Fátima Castanheira reconhece que “a realidade de Bragança, neste momento, mudou. Nós somos uma cidade intercultural, multicultural e mostrarmos esta componente gastronómica é sempre interessante porque, também, é uma forma de acolhimento destas culturas diferenciadas presentes em Bragança”. Ainda no mesmo dia, ao final da tarde, a música invadiu o MAB com o Coro Arco Íris, seguindo-se os Cantares d`Antanho.

Já no sábado, dia 19 de maio, as exposições “Memórias do Salto” e “Douro, Lugar de um Encontro Feliz” marcaram uma efeméride intitulada Noite dos Museus e que permite como já é tradição visitas gratuitas até à meia-noite.

No domingo, último dia das comemorações, a música teve um lugar de destaque com concertos vários a cargo de grupos como “Um ao Molhe” e artistas como Joana Guerra, Meta e Fee Reega.

A grande obreira não só desta iniciativa de três dias, mas também de muitas outras que têm impulsionado o crescimento do MAB, aberto as suas portas à diversidade e a todas as comunidades, bem como a distintas manifestações artísticas e culturais, projetando o bom nome do museu brigantino por toda a região, a nível nacional e, inclusive, além-fronteiras, tem sido a sua diretora, Ana Afonso.

“Toda a Europa está com portas abertas nos museus e, hoje, todo o mundo está a celebrar este espaço museu que cada vez mais se quer como uma ponte para a comunidade e para a diferença”, Ana Afonso.

Questionada sobre se, atualmente, sente o museu mais inclusivo, mais acessível à sociedade e mais disponível para as pessoas, do que quando abraçou o cargo de diretora, a responsável responde, assertivamente, “sim”. “Sinto muito que cada vez é mais procurado, cada vez mais temos público diversificado, sem dúvida, diversas solicitações, públicos e olhares diferentes, formas de estar divergentes, um espaço inclusivo. Isso eu noto, cada vez mais”, testemunhou a responsável, sublinhando que esse foi, desde o princípio, “o seu grande objetivo, que as pessoas sintam este espaço como seu”.

Ana Afonso, enquanto diretora, conduz os destinos do Museu Regional do Abade de Baçal de Bragança desde 2010, tendo a sua continuação sido oficializada em Diário da República, num despacho assinado pelo próprio diretor regional de Cultura do Norte, na sequência de um concurso público e da proposta do júri. Facto que, na altura, confessou ter-lhe agradado bastante, considerando ainda hoje como na altura que dirigir este projeto enquanto diretora do museu continua a ser um “desafio constante, mas entusiasmante”. Até porque “um espaço de memória só existe quando ela é reinterpretada no dia a dia no século XXI, perspetivando o que fomos e o que seremos”, ponderou, em jeito de reflexão, no final da sua entrevista ao Diário de Trás-os-Montes, em pleno Dia Internacional dos Museus.

Dia Internacional dos Museus: Um pouco de história

O Dia Internacional dos Museus é celebrado anualmente a 18 de maio. Instituída pelo Conselho Internacional de Museus (ICOM), um organismo da UNESCO, com o objetivo de promover, junto da sociedade, uma reflexão sobre o papel dos Museus no seu desenvolvimento, a data é comemorada desde o dia 18 de maio de 1977.

De acordo com a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), o Dia Internacional dos Museus que teve lugar na passada sexta-feira foi assinalado com uma intensa programação de 400 atividades em 84 espaços museológicos distribuídos por 46 concelhos do país.

Dedicado, este ano, ao tema: “Museus Hiperconectados: Novas abordagens. Novos Públicos”, museus, monumentos e palácios participaram na efeméride com centenas de atividades como visitas, ateliês, palestras, exposições, concertos, encenações históricas, teatro e lançamento de livros.

“É impossível compreender o papel dos museus sem ter em conta todas as conexões que protagonizam e possibilitam. Os museus são uma parte integrante das suas comunidades, da sua herança cultural e paisagística e do seu ambiente.

Devido à tecnologia os museus podem hoje alcançar novos públicos, para além do público tradicional, assim como conseguem encontrar novas formas de aproximação das coleções aos diferentes públicos: quer através da digitalização de coleções, como usando elementos multimédia nas exposições ou simplesmente utilizando um hashtag que permite ao visitante partilhar a sua experiência nas redes sociais.

 Contudo, nem todas estas conexões se devem à tecnologia. Como os museus se esforçam por manter a sua relevância na sociedade, eles centram a sua atenção na comunidade local e nos diversos grupos que a constituem. Como resultado, estes últimos anos assistimos ao nascimento de inúmeros projetos comuns organizados por museus com a colaboração de minorias, comunidades indígenas e instituições locais. Para envolver estes novos públicos e fortalecer as suas conexões, os museus devem encontrar novas maneiras de interpretar e apresentar as suas coleções”, pode ler-se no site do ICOM.

Num dia celebrado mundialmente, vários espaços culturais têm entrada gratuita, sendo possível visitar as suas exposições e obras, assim como participar nas iniciativas preparadas para comemorar o Dia Internacional dos Museus.

De salientar, ainda, que as iniciativas do Dia Internacional dos Museus em Portugal são, habitualmente, divulgadas no site do Património Cultural a partir da segunda semana de maio.

Noite Europeia dos Museus

A Noite dos Museus, é uma iniciativa criada em 2005 pelo Ministério da Cultura e da Comunicação de França e é celebrada a 19 de maio. Nesta ocasião e com o intuito de mais pessoas poderem visitar os espaços museológicos do país, organizam-se múltiplas atividades como concertos, espetáculos de teatro e dança, visitas guiadas e encenadas, entre muitas outras, convidando os visitantes a usufruírem, em período noturno, de uma experiência diferente e enriquecedora.

Bruno Mateus Filena
in:diariodetrasosmontes.com

Via da Prata quer atrair peregrinos de todo o mundo

Trata-se do Caminho transmontano para Santiago de Compostela e contempla a instalação de albergues de peregrinos, trabalhos de limpeza e sinalização do troço do caminho, bem como a promoção e divulgação.
O caminho português da Via da Prata para Santiago de Compostela, que atravessa Trás-os-Montes, vai dispor de albergues para peregrinos, sinalização e divulgação, num investimento a rondar os 366 mil euros.

A Câmara de Bragança é a promotora da candidatura, apresentada em conjunto com os municípios de Vinhais e Chaves, e que foi aprovada pela Linha de Apoio à Valorização Turística do Interior. O presidente da Câmara de Bragança, Hernâni Dias, deseja que, em poucos anos, o percurso possa ter tantos peregrinos como os caminhos espanhóis.

“O objetivo é que, dentro de cinco anos, os caminhos de Santiago, do lado português, possam estar mais ou menos equiparados em termos de chamar caminheiros e de desenvolvimento, ao que está do lado espanhol, porque, sabemos que é um fator de geração de dinheiro e valorização turística”, afirma o autarca.

O projeto visa a Valorização do Caminho Português da Via da Prata e contempla “a instalação de albergues de peregrinos em Bragança, Vinhais e Segirei, no concelho de Chaves, trabalhos de limpeza e a sinalização do troço do caminho, desde Quintanilha (Bragança) até Segirei (Chaves), bem como a promoção e divulgação.

A Via da Prata entra no concelho de Bragança por Quintanilha (a porta Xacobea mais antiga de Portugal), segue por Vinhais e Chaves, juntando-se ao caminho Leonês e Via da Prata em Verín (Espanha). É um dos caminhos seguidos por peregrinos portugueses e espanhóis nas peregrinações a Santiago de Compostela.

Segundo a autarquia de Bragança, “só no mês de março de 2018, a Oficina do Peregrino, em Santiago de Compostela (Espanha), recebeu mais de onze mil peregrinos, oriundos de todo o mundo. Estas pessoas percorreram as várias rotas e vias que integram os Caminhos de Santiago, entre as quais a Via da Prata, que atravessa Trás-os-Montes, junto á fronteira com Espanha.

O projeto de valorização e dinamização da Via da Prata conta com o apoio da Diocese de Bragança-Miranda e da Diocese de Vila Real, da Diputación de Zamora, da Turismo do Porto e Norte de Portugal e da Associação Cultural Transmontana dos Amigos do Caminho de Santiago.

Olímpia Mairos
Rádio Renascença

Homem detinha na sua posse armas proibidas

Foram apreendidas diversas armas na sequência de uma busca domiciliária, em Alfândega da Fé, ontem.
O arguido de 70 anos terá, supostamente, ameaçado um vizinho, e nessa sequência foi realizada uma busca, pela GNR,  na qual foram apreendidas uma espingarda caçadeira, uma arma de ar comprimido, uma pistola airsoft e dezasseis setas para arma de ar comprimido.

Escrito por Brigantia