quarta-feira, 4 de abril de 2012

Bragança - «Ouriços de castanha» querem conquistar o Mundo


Pequenas bolinhas de pasta de castanha envolta numa massa fina e estaladiça fazem lembrar o ouriço que envolve a castanha. Os «ouriços de castanha» são um doce criado pelo pasteleiro transmontano Eurico Castro. A ideia é dar uma nova imagem aos produtos tradicionais, como a castanha, e juntá-los para os exportar sob uma mesma marca: «Sweet Gourmet».
Vista como o petróleo da terra fria transmontana, a castanha é actualmente um recurso tido como capaz de desenvolver a economia local. Além da venda da semente em si, depois de liberta do ouriço que a guarda até ao Outono, época da sua colheita, a castanha transmontana segue para a indústria de transformação, mercearias e supermercados. O município de Bragança quis contudo ir um pouco mais além. Assim, em 2008, desafiou o pasteleiro da terra Eurico Castro a fazer «um novo atractivo», um doce que seria apresentado na feira Norcastanha, certame que promove os principais produtos da região. 
Eurico aceitou o desafio e fez «ouriços de castanha», um doce assim baptizado porque «a forma assemelha-se ao ouriço onde a castanha se desenvolve», explica-nos.
Há 25 anos a trabalhar como pasteleiro, Eurico Castro fez os ouriços recorrendo à massa fina e estaladiça, presente por exemplo nos pastéis de Tentúgal e Vouzela, e recheou-a com uma pasta de castanha, onde se consegue sentir, aqui e ali, pedacinhos desta semente. «Recorri a esta massa precisamente por serem pastéis muito bons e reconhecidos», comenta Eurico. A massa envolve a pasta e termina formando vários bicos «lembrando a forma do ouriço que contém a castanha». 
Aos ouriços seguiram-se o bolo-rei de castanha, salgadinho/crocante e uma pasta de castanha para «a grande indústria doceira». 
Associado a estes doces, foi criado o «conceito Sweet Gourmet, cujo objectivo é agregar vários produtos da região e exportar», comenta Eurico. Azeite, vinhos, amêndoa, são outras iguarias que poderão, em breve, integrar este conceito de Sweet Gourmet. Depois, o Mundo é um mercado a alcançar. «Já tivemos contactos de outros países interessados nos nossos produtos. Mas ainda estamos a estruturar todo o processo para começar a exportar. O Brasil talvez seja o primeiro a receber a Sweet Gourmet», adianta. 
A experiência internacional não é, aliás, estranha a Eurico. Em 2011 fez as malas e, aproveitando uma férias por terras do «Tio Sam», levou os seus «ouriços de castanha» até Nova Iorque. A cidade norte-americana gostou dos doces do pasteleiro português e, na altura, cinco pastelarias abriram as portas, entre as quais a famosa Swarosky.


Sara Pelicano
in:cafeportugal.net

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