segunda-feira, 20 de novembro de 2017

É MUITO TRISTE SER IDOSO…

Por: Humberto Pinho da Silva
(colaborador do "Memórias...e outras coisas..."
1º Sargento Mário na sua banca de trabalho no BC3
Quando vivi em Bragança, frequentava cafetaria, que ficava na Praça da Sé, mesmo no centro da cidade.
Após o jantar, vinha tomar cafezinho, e permanecia até às vinte e três horas, a ver televisão, ou a conversar com habituais fregueses do estabelecimento.
Por vezes ficava a cavaquear com o Primeiro-Sargento Mário – homem natural de Vinhais, – que primava pela bondade e vivia em modesta pensão.
Nessas amenas conversas, em que quase todos os temas eram abordados, muitas vezes ouvia-o dizer: “ Ninguém devia ganhar menos que a mensalidade de pensão de terceira.”
E eu logo acrescentava, conhecendo as miseráveis pensões, que se recebia: - “Que nenhum reformado devia auferir menos, que a mensalidade de lar modesto.”
Lembrei-me dessas agradáveis conversas, ao ouvir amiga minha, senhora idosa, que ficando viúva, resolveu recolher-se a lar.
Como estes, para além da mensalidade, exigem “joia”, a senhora vendeu o apartamento, onde vivia, para pagar a entrada.
Decorrido escassos meses, verificou que fora enganada: o tratamento prestado era inferior ao prometido, e a delicadeza do pessoal, não era recomendável.
Aflita, depois de muito matutar, resolveu abandonar a casa de repouso; e com a magra pensão, que deixara o marido, alugou casa.
É o drama da maioria dos idosos que vivem em Portugal, já que as reformas que usufruem, mal paga a estadia de lar modestíssimo.
O drama agudizou-se, nos últimos anos, ao se saber que reformados, de países europeus, com melhores aposentações, procuram passar o fim de vida em Portugal, onde podem levar vida quase principesca, em lares de luxo.
Estando a conversar num clube portuense, sobre a triste situação de alguns idosos, num grupo de amigos, levantou-se uma voz, para dizer que a Igreja poderia ajudar, ganhando. Como?
-” Bem fácil. - Continuou. - Há conventos que se encontram quase vazios. Se os transformassem em lares, recebendo parte das reformas dos utentes, ganhariam por certo, e estavam a ser úteis à sociedade.”
A ideia foi aplaudida, tanto mais, que acrescentou:
-” Cabe ao Estado, a obrigação, de cobrir a mensalidade daqueles cujas pensões sejam diminutas. Ser português e ter vivido em Portugal, devia servir para alguma coisa! …”
Claro que referia-se a residências, onde o idoso não se sentisse prisioneiro: obrigado a dormir com desconhecidos, e onde se passa o dia, diante de aparelho de TV, com manta nas pernas, e as noites, tomando sedativos, para não incomodar…


Humberto Pinho da Silva nasceu em Vila Nova de Gaia, Portugal, a 13 de Novembro de 1944. Frequentou o liceu Alexandre Herculano e o ICP (actual, Instituto Superior de Contabilidade e Administração). Em 1964 publicou, no semanário diocesano de Bragança, o primeiro conto, apadrinhado pelo Prof. Doutor Videira Pires. Tem colaboração espalhada pela imprensa portuguesa, brasileira, alemã, argentina, canadiana e USA. Foi redactor do jornal: “NG”. e é o coordenador do Blogue luso-brasileiro "PAZ".

Magusto escolar juntou em tarde de festa os cerca de 240 alunos do Agrupamento de Escolas de Vimioso

Oito equipas e cerca de 140 atletas: Piscinas Municipais de Mirandela foram palco do Campeonato Regional de Natação Absolutos

Cerca de 750 alunos representaram 23 escolas dos concelhos do distrito de Bragança no corta-mato distrital em Mirandela

Seca diminui a produção de azeitona para metade

Produtores previam colheita de excelência, mas a ausência de chuva travou o crescimento dos frutos. 
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"Estimamos que as quebras na produção de azeitona andem na ordem dos 40 a 45 por cento, o que é bastante grave num ano que prevíamos de excelência porque a floração foi muito boa e o vingamento também, mas a seca foi catastrófica", revelou ao CM o olivicultor Francisco Ataíde Pavão, também presidente da Associação de Produtores em Proteção Integrada de Trás-os-Montes e Alto Douro. 
No lagar da Casa de Santo Amaro, em Suçães, Mirandela, juntam-se por esta altura produtores de toda a região. "Talvez tenha menos 40 por cento de azeitona. Estava bem criada até junho, mas a partir daí, deixou de crescer", contou Pedro Alves, que aguarda pela chuva para dar calibre ao fruto. Em situação pior está Maria Vieira. "Este ano apanhei menos metade. Não se desenvolveu", diz.
Apesar de tudo, o rendimento em azeite é superior ao mesmo período do ano passado. "Estamos a ter, em média, entre três a quatro por cento mais azeite, também porque a colheita foi antecipada duas semanas. Muito por causa da seca, a maturação aconteceu mais cedo", explica Francisco Ataíde Pavão.
Deixar a cultura de sequeiro e apostar na rega parece ser o futuro. "Quem já tem, notou a diferença. Urge criar um plano de regadio forte na região para minimizar estes efeitos", conclui. Já em Freixo de Espada à Cinta, único concelho de Bragança onde a azeitona de conserva tem mais relevo que a de azeite, as perdas são igualmente elevadas. "Temos entre 30 a 40 por cento a menos este ano, em olivais com regadio. 
Em sequeiro, as quebras estão perto dos 100 por cento", estima Teófilo Ferreira, da cooperativa agrícola.

Tânia Rei
Correio da Manhã

Há quase 600 freguesias no país sem internet de banda larga

Há quase 600 freguesias no país sem internet de banda larga no telemóvel.
Os chamados pontos cegos concentram-se sobretudo no interior, sendo que Bragança é o concelho mais afetado. Na aldeia de Palácios, ainda é fácil encontrar quem opte mesmo por nem sequer ter telefone móvel.

Monteiros do Norte querem a mancha da Serra de Bornes na rota das montarias

O Clube de Monteiros do Norte quer ver a mancha da zona de caça da Serra de Bornes na rota das montarias de Trás-os-Montes.
A vontade foi deixada por Nelson Cadavez, presidente do clube, que diz que as condições são boas, falta é maior promoção daquela área.

“O que nos move e motiva é contribuir para que este Clube de Caçadores da Serra de Bornes, nomeadamente as freguesias de Vale Benfeito e Bornes, possam inscrever a sua mancha na rota das montarias afamadas de Trás-os-Montes, das quais destacamos neste concelho a de Morais, Talhas, Limãos, Talhinhas, Grijó e aqui também existem essas condições.

Esta mancha ainda não está nessa rota porque não é conhecida, nunca se organizou aqui uma montaria com critérios e rigor organizativo que conduzisse a um bom resultado.”

As montarias que, além da atividade de caçar, são também importantes para levar informação útil às diferentes associações de caçadores.

“O nosso papel é precisamente de dinamizar, promotor, potenciador e transmissor de boas práticas venatórias em matéria de caça maior que é a nossa especialidade.

É com estas experiências demonstrativas no terreno que passamos saber e conhecimento às zonas de caça e esperamos que depois saibam replicá-las e capitalizar esse valor que transmitimos.

É um processo formativo das organizações com quem estabelecemos parcerias de trabalho.”

Declarações à margem da montaria ao Javali que aconteceu no passado sábado na aldeia de Bornes, Macedo de Cavaleiros.

Escrito por ONDA LIVRE

Tribunal confirma incapacidade de centenário que casou com empregada

O centenário milionário de Bragança que casou com uma empregada em maio, dois meses antes de morrer, estava incapaz de tomar decisões, indica uma sentença judicial datada de hoje, a que a Lusa teve acesso.
A decisão do tribunal refere-se ao processo de interdição desencadeado em 2016 por três dos quatro filhos. Conclui que “estão reunidos os pressupostos para que fosse decretada a interdição”, fixando a data da incapacidade “em outubro de 2011”, seis anos antes do casamento.

Com a morte do idoso, entretanto ocorrida, a interdição não se aplica, mas a decisão pode produzir efeitos em outras ações judiciais em curso e servir de fundamento para a anulação do casamento e do testamento, além dos movimentos financeiros realizados através de procuração.
O caso foi conhecido em maio, depois de Rita Monteiro, de 52 anos, se ter casado com o idoso de 101 anos, Francisco Marcolino, para quem trabalhava há cerca de 30 anos.

Três dos quatro filhos do homem avançaram com uma ação judicial a pedir a anulação do casamento, alegando que o pai “praticou aqueles atos em estado de demência, anomalia psíquica e incapacidade”.

Antes, já tinham desencadeado a ação de interdição, em que a filha foi nomeada tutora, que foi agora decidida e que os filhos vão juntar como mais um fundamento ao processo de pedido de anulação do casamento, como indicaram à Lusa.

O centenário vivia com a empregada em Parada, uma aldeia do concelho de Bragança, e tinha uma fortuna avaliada judicialmente em cerca de dois milhões de euros, em bens e propriedades.

Os filhos alegam que a empregada queria ser herdeira e que se o pai quisesse casar com a mulher que foi contratada pela família há mais de 30 anos, “tê-lo-ia feito enquanto estava capaz” e não depois de se encontrar dependente.

Nas poucas explicações públicas dadas, a visada tem afirmado que se estivesse interessada na herança, tinha-se “casado há 20 ou 30 anos” e que se casou nestas circunstâncias porque os filhos lhe queriam tirar o pai. Relativamente aos bem e dinheiro, diz que tinha acesso e era ela que “estava entregue a tudo".

O casamento foi celebrado a 04 de maio no Registo Civil de Ribeira de Pena, a mais de 150 quilómetros de Bragança, depois de uma alegada primeira tentativa recusada no Registo Civil de Mogadouro, a 80 quilómetros de onde residem, segundo contou à Lusa o filho, Manuel Marcolino Jesus.

O idoso morreu dois meses depois, em julho.

Os contestatários dizem que a empregada começou a apoderar-se de tudo desde que o pai ficou incapaz, há cerca de cinco anos, e que “desde essa altura faltam, só numa conta (bancária), mais de 319 mil euros e mais de 200 mil, noutra”.

Em tribunal decorrem ainda processos contra a empregada por abuso de confiança.

A funcionária do registo civil de Ribeira de Pena que realizou o casamento foi alvo de um inquérito disciplinar, entretanto arquivado, decisão da qual os filhos do idoso recorreram.

Simultaneamente avançaram com um processo-crime contra a mesma por desobediência qualificada.

Agência Lusa

Memórias da RTP - 2010-03-19 - Areias do Portelo

Três meses depois das fortes chuvas terem arrastado as areias das antigas minas de volfrâmio de Montesinho, os inertes ainda correm pelo ribeiro que atravessa a aldeia do Portelo, em Bragança.
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Memórias da RTP - 2010-03-22 - Dia da Árvore em Bragança

Bragança, plantação de tílias num bairro novo da cidade por crianças do 1º ciclo, uma iniciativa no âmbito do Dia Mundial da Árvore.
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Memórias da RTP - 2010-03-18 - Centro histórico de Bragança

Bragança, Fundação Rei Afonso Henriques, vai patrocinar a candidatura da cidadela de Bragança e do centro histórico de Zamora a património da humanidade.
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"Sopas e Merendas" atraem cada vez mais visitantes a Freixo de Espada à Cinta

O objectivo deste e outros eventos promovidos na vila transmontana é atrair público e segundo a presidente do município, Maria do Céu Quintas são cada vez mais os visitantes, nomeadamente espanhóis.
“Tem havido um crescimento muito grande de ano para ano em Freixo, tanto neste certame como nos outros que fazemos durante o ano, temos o vinhos que é dos melhores, a paisagem e tudo isso faz com que eles aqui venham”, destacou.

A gastronomia, o vinho e a paisagem são precisamente os principais atractivos para os visitantes que passam por Freixo.

As sopas tradicionais de Freixo de Espada à Cinta como mais um atractivo do destino que se quer afirmar como um destino gastronómico.

O certame contou ainda com uma montaria ao javali na qual participaram 80 caçadores e um raid todo o terreno com 60 participantes. 

Escrito por Brigantia

domingo, 19 de novembro de 2017

"Ratoeiras" no meio dos passeios de Bragança

Só não vê quem não tiver o sentido da visão, (mas esses podem sentir no corpo), quem não quer ver, ou quem tem outras prioridades.



Floreira "das modernas"

GNR deteve suspeito de incêndio florestal em São Julião de Palácios

Um homem de 67 anos foi detido em Bragança por suspeitas de crime de incêndio florestal que queimou "cerca de 30 mil metros quadrados de mato" na freguesia de São Julião de Palácios, divulgou a GNR.
Em comunicado, o Comando Territorial de Bragança da GNR acrescenta que o homem, detido "em flagrante delito", foi já "constituído arguido e sujeito a termo de identidade e residência".

A GNR assinala que o suspeito "alegou que tinha a intenção de fazer uma queimada para renovar o pasto" e que perdeu o controlo da mesma, o que, a confirmar-se, transforma o caso na segunda ocorrência do género no distrito de Bragança, já que aquela força policial revelou no sábado ter detido o alegado autor de um incêndio florestal que queimou seis mil metros quadrados de mato, devido a uma queimada que se descontrolou no concelho de Vila Flor.

O suspeito alegou que a sua intenção era efetuar uma queimada para efeitos de renovação do pasto, tendo perdido o seu controlo, o que levaria a que ardessem cerca de 30.000 m2 de mato.

Quanto ao homem detido em São Julião de Palácios, concelho de Bragança, a GNR esclarece que, durante "uma ação de patrulhamento de prevenção de incêndios florestais", militares do Núcleo de Proteção Ambiental de Bragança "detetaram uma coluna de fumo, que indiciava um eventual foco de incêndio".

"Chegados ao local, surpreenderam em flagrante o indivíduo que tinha efetuado a ignição, colocando-se este em fuga apeada no momento em que avistou os militares da GNR", descreve a GNR.

O homem acabou por "ser intercetado e detido", referindo "que a sua intenção era efetuar uma queimada para efeitos de renovação do pasto, tendo perdido o seu controlo, o que levaria a que ardessem cerca de 30.000 metros quadrados de mato".

No sábado, a GNR de Bragança divulgou ter detido, por suspeitas de crime de incêndio florestal em Vila Flor, um homem de 58 anos que "estava a fazer uma queima de sobrantes quando as chamas se alastraram", queimando "seis mil metros quadrados de mato".

Agência Lusa

Munícipes de Vimioso alertados por carta para poupar água

O município de Vimioso anunciou hoje o envio de cartas aos cerca de 4.500 habitantes locais, alertando-os para evitarem a rega de jardins ou a lavagem de automóveis, disse o presidente da Câmara.
Rio Maças - Captação de água
A situação de seca vivida neste concelho do distrito de Bragança "é preocupante" devido ao abaixamento dos caudais dos rios Maças e Angueira, duas das principais fontes de abastecimento de água.

"Face a esta situação, estamos a sensibilizar a população para evitar o desperdício de água da rede pública", disse o autarca Jorge Fidalgo.

Segundo as contas da Câmara, nos períodos festivos, como Natal e Páscoa, a população duplica e nos meses de verão, triplica.

"No concelho de Vimioso, as reservas do rio Angueira estão comprometidas sendo imperioso começar, desde já, a acautelar esta situação para o futuro, com a construção de novos pontos de armazenamento de água ou o reforço dos existentes", enfatiza Jorge Fidalgo.

O autarca disse que estas situações reforçam a necessidade de o Governo assumir, "de uma vez todas, a sua responsabilidade no financiamento destas obras, através de fundos comunitários".

O município indicou anteriormente que entregou à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) um projeto de alteamento dos açudes do rio Maçãs para que, de futuro, estas situações não se repitam.

"Temos dois projetos licenciados para a construção de represas, uma no rio Maçãs, no montante de mais de um 1,5 milhões de euros, e outra no rio Angueira, no valor de cerca de 700 mil euros. Só que o Governo nunca abriu avisos para o benefício de fundos comunitários para investir neste tipo de equipamento", lamentou o autarca transmontano.

As principais localidades do concelho de Vimioso afetadas pela seca são Argoselo, Carção, Matela e Santulhão, onde reside mais de metade da população.

Agência Lusa

Freixo de Espada à Cinta promove cerveja artesanal em festival de sabores

Uma mostra de cerveja artesanal é a principal novidade da edição deste ano do Festival das Sopas e Merendas que decorre até domingo em Freixo de Espada à Cinta, disse à Lusa fonte da organização.
"Todas a iniciativas que pretendemos promover ao longo de cada ano, como é o caso deste Festival das Sopas e Merendas, têm como único objetivo promover Freixo de Espada à Cinta ao nível cultural e turístico de forma a cativar visitantes ao concelho", disse à Lusa a presidente da Câmara de Freixo de Espada à Cinta, Maria do Céu Quintas.

O certame gastronómico Freixo de Espada à Cinta, distrito de Bragança, pretende dar a conhecer aos visitantes, principalmente os espanhóis, as iguarias da cozinha regional transmontana e duriense.

O visitante poderá apreciar, deste modo, uma variedade de produtos que vão desde fumeiro a cabrito assado aos peixes do rio e às tortas, passando por queijos, sopas, bolas, doçaria conventual e tradicional.

Para além destes espaços haverá ainda a adesão de restaurantes da vila que proporcionarão aos visitantes os manjares de outros tempos, onde as sopas e as merendas serão o prato forte da gastronomia a longo de dois dias.

Agência Lusa

sábado, 18 de novembro de 2017

Lhobadas de la Rapaziada: Ir a las Balancias i als Melones Uns de ls Outros

Por: António Preto Torrão
(colaborador do "Memórias...e outras coisas...")
A la dreita i antre l camino de ls Puntones
i l que aparta pa la Faceira,
la huorta de l tiu Cereijas
A las bezes, l cuntador ten de poner-se a dar buoltas a la cabeça solo para ber cumo há de cuntar ũa stória. Si, que nin sempre ye fácel d´eimaginar cumo há de fazé-lo. Claro que, la maior parte de las be­zes, tenta poné-se na piel de l leitor, solo para ber se çcu­bre la melhor maneira de la cun­tar.

Tratando-se de un leitor birtual, nun ye solo un, mas, possi­blemente, bários: uns nuobos, outros mais bielhos; uns que saberán cumo dantes era la bida, outros que l çcoinci­rán quaije por cumpleto; uns que serán homes ou rapa­zes, outros mulhieres ou moças. Assi, inda mais defícel se torna, subretodo, se birmos que se trata de amostrar cumo éran ls modos de bida i las maneiras de bibir de las pesso­nas ne l passado i que pouco té­nen a ber culs de las pessonas d´agora.

Tengo para mi que, por bia de, na mie anfáncia i mesmo na mie mocidade, haber cumbibido, mais a­menuda­das bezes, cũas do que cun outras de las pessonas ambolbidas na stória i sendo, anté, algũas deilhas de la mie família, puode lhebar a squecer las sues falhas i a oumentar las sues culidades. Mas, ciente disso, tentarei que nó. Que l miu antento nun ye star a fazer caçoada de quien quier que seia, mas solo a cuntar algũas peripécias de la bida duns i doutros.

Además, hai inda que ber se, debido al tiempo que yá passou, las fuontes i la mimó­ria de l cuntador son de subreciente cunfiança.

Cuntar ũa stória ten, cumo bien sabeis, l sou quei… Ye que nin sempre se puode ser cumpleta­mente fiél al que mos dezírun ou oubimos cuntar. Debido a la eiquenomia de la stória, a las bezes, hai mesmo que trocer un pouco, dando-le ũa pequeinha buolta ou arranjo a las cousas. Mas l que mais amporta ye que, arriba de todo, se respeite l eissencial de la stória. Assi, las personaiges i ls sous di­tos i feitos, bien cumo alguns pormenores de tiempo, lhugar i falas puoden nun ser tal i qual cumo acuntecírun culas pessonas tal cumo las coincimos ou inda las coincemos. Spero qu´eilhas nun me lhieben a mal esta libar­dade.

Si, qu´isto de cuntar ũa stória destas ye bien capaç de dar pulas barbas a un home…

Cumo stais fartos de saber, subretodo, scribo subre un tiempo qu´inda nun bai mui loinje, an que las nuos­sas tierras tenien bien mais giente – que sabe Dius cumo, antón, bibie! – do que la que, agora, alhá bibe. Assi i todo, tenien, antón, ũa bida própia. Hoije, ye un dor d´alma ber, tanto las pessonas cumo las poboaçones, quetas i paradas, solo a la spera ou a ber se l tiempo passa.

Hoije, por fuorça de muitas asnei­ras – lhembrai-bos que, por bia de tenéren sido ancerradas las li­nhas de camboio de l Sabor, de l Tua i de l Corgo, las trés que habie an Trás ls Montes – i de la benda, al zbarato, por troca puls fondos de la Ounión Ouropeia, de la nuossa lhaboura, que, antón, a­cupaba muita de la nuossa giente i que, assi, quedou zacupada. Bendo-se, assi, sien acupaçon, la giente nuoba nun tubo outro remédio senó scapar-se, a la percura de trabalho noutras tierras.

Cuntinou, assi, la bielha i mala sina, senó mesmo ũa maldiçon, de ls filhos de la nuossa giente: fúrun cundanados a eimigrar i a tener que fazer pula bida nou­tros paí­ses!…

I adonde fúrun ambriados ls fondos de l´Ounion Ouropeia? Zgraciada­mente, buona parte deilhes lhebou sumí­cio. Çcun­fio que fui a parar i anchir ls bolsos de giente zabergo­nhada, ũa çúcia de chicos spiertos que an­dában por ende, todos arganeiros, a arranjar maneira de ls arrebanhar… I la maior parte de l restro des­ses denheiros fui ampregada nas cidades i noutras tierras cerca de l mar.

I que mais fazírun ls repunsa­bles pula admenistraçon desse denheiro? Dórun ũa códea dessas ajudas a la giente de las nuos­sas tierras solo pa l´adromecer, calhar i nun la deixar pensar. Por falha de bi­son i nun cuidá­ren debidamente nin ponéren l bien de la giente i de las nuossas poboaço­nes ar­riba de todo, bimos muitos persiden­tes de Cámara de ls nuossos cunceilhos – cun hounrosas, mas scas­sas eiceçones –, todos angorbatados i angraxados, de crencha bien feita, çapatico de be­rniç, to­dos pim­pona­ços, mui bien falantes i de falicas mansas, aparcéren i dáren sei­nha de l que cantaba Sér­gio Godi­nho: Acá bamos andando cula cabeça antre las oureilhas… Que nesta, cumo noutras cousas, tomara you que nun fusse, assi, cumo se questuma dezir: Presuçon i auga benta cada qual toma quanta quier!…

Deixando de lhado l que, agora, se passa cul património eidificado – açúdas, molinos, casas de l mo­lineiro i casas de bibir cumo tantas hai ne l termo i na poboaçon de Angueira –, que, zde hai muito ti­empo, stán al abandono, tamien pouco ou nada se ten feito para mudar la situa­çon de las propiadades que, sendo ũas lhaticas ou suortes tan pequerruchicas i retalhadicas, mal dan pa se cultibar.

Inda este anho, debido a la falha d´auga que houbo n´alguns cunceilhos de Trás ls Montes, bimos un ou outro persidente, de calças na mano, todos atrapalhados i quaije mesmo zasperados. Ye que fui anho de eileiçones!… Squeci­rún-se de que, a las bezes, San Pedro anda çtraído ou quien sabe se nun quijo mesmo fazé-le justi­cia. Ye que, po­dendo eilhes, an beç de andar cun obras i fiestas solo d´an­chir l´uolho a la giente de l pobo, prestar l´atençon debida i todo fazer pa tratar de l´auga, aqueilha que ye ũa de las cou­sas que mais falta fai a todas las pesso­nas, a la lhaboura i a qualquiera tierra. Quaije aparcie que nin se dórun cunta de que nun se puode quedar a ber passar la auga de las anche­nas por debaixo de las puontes, squecendo-se de que la que, d´ambierno, hai de sobeija i passa ne ls rius, ribeiras i ribeiros ten que ser retenida nũa presa para que, de be­rano, la puoda haber. Lhembra-me que, nun stando birados par´ende, andubí­run muitos anhos a fazer aqueilha figura triste, mas de nomeada, de la bien coincida fábula de la checharra i de la formiga. A modos que s´assujeitórun a que outros persidentes bezinos, a quien fúrun todos afliticos a pedi-le ajuda i auga, para alhá de tener de la pagar bien paga, nun me admirarie nada que le respundís­sen cumo la outra: Ah checharra­bas!… Pus baila agora!

Mas, deixemos-mos de star eiqui cun lhamentaçones, que nun somos judius, nin stámos an Jarusalein i nin isto ye aqueilha sue parede de tanta nomeada!…

Bamos, mas ye, a la stória, que ye al que mais amporta…

Dantes – ne ls anhos cinquenta i sessenta de l seclo passado –, cumo era questume an todas las poboaço­nes, tamien an Angueira cada lhabrador cultibaba quaije todo l que la tierra le podie dar i qu´el perci­sába para sustentar la sue famí­lia i l sou ganado: trigo, cen­teno, ferranha, cebada i mi­lho; patatas, ber­ças, cebolhas, alhos, freijones, garbanços, chícharos i antremoços; bóbidas, rabas, nabos i nabiças pa ls cochinos, bacas i jementos; pumien­tos, tema­tos i alfaces pa fazer ũa selada pa l al­muorço ou pa la cena; maçanas, peras, brunhos, ubas, balan­cias i melones, pa la subremesa; biteli­cos, chibi­cos i cordeiricos para bender; la ceba dun ou dous cochinos pa la matáncia i la cria­çon de pitas, parros, patos i perús éran pa l cunsumo de casa i stában al ancarrego de las mulhie­res.


An prumeiro plaino, cun patatas i berças
i cercado de parede, l huorto de ls Capadores ne l Cachon
Bondará lhembrar que, dantes, inda mais que agora, habie que cuidar bien de ls animals pus, para alhá de sustento, éran tamien cumo que la cuntinaçon de la família de cada un. Ye que ls pais, ls sous fi­lhos i filhas, las sues bacas i bestas, un ou dous cochinos, l sou ganado ou cabrada i las sues pitas formában l que, nesse tiempo, era ũa ounidade de perduçon.

Ls melones i las balancias éran para, de berano, cada un se poder refrescar i la família ls quemer de subremesa. Claro que las cascas éran para, apuis, las botar ls cochinos. Assi, nas huortas de la Salina, de la Mediana i de la Faceira, que éran de las de mais buona culidade i mais cerca de la poboaçon, toca de, ne l més de maio, sembrar carunhas de melones i de balan­cias. Si que, onde habie melo­nes, questu­maba haber tamien algũas balancias. Assi, alhá pul meio de l berano, habie muitos melo­nals bien carregadicos de melones i de balancias. Eibitaba-se, assi, que quienquiera ou qualquiera un mais spabilado fusse a tirar ls melones quando stubíssen yá bien maduros i prontos para se que­meren. Habie, puis, que guardá-les, subretodo de nuite, l que era ũa cunsumiçon pa ls moços de casa.

Mas pensareis, direis i preguntareis bós:

– Báh!… a ber se te abias i te deixas dessas cousas, home!… Por este andar, nunca mais te çpa­chas, carai!… Quando ye qu´ampeças cula stória?

I, berdade seia dita, teneis toda la rezon. Pus stá bien… bamos alhá, antón, a la cousa…

Al cimo i mui cerca de l poço de la huorta, que, an­tre l camino de ls Puntones i l que aparta pa la Faceira, tenien ne ls Puntones i que, para alhá de ser ũa de las maiores que ha­bie Angueira, era mesmo pertico i apegada a la Mediana, l tiu Antono Cereijas i la tie Mar´Inácia Fresca questumában tener un grande pata­tal i bóbidas, mas tamien un cachico cun cebolhas, alhos, pumien­tos, te­matos i freijones i inda un buono cacho de la huorta cun melones i balan­cias.

Antre muitos ou­tros, tamien l senhor Zé de la Moca, na sue huorta por riba de la eigreija, de l sagrado, de l semité­rio i quaije apegada a la parede de baixo de sue casa, ne l recanto antre la strada que dá para Caçareilhos i a la dreita de la rue de Saiago arriba, tamien questu­maba poner buono patatal i l sou melo­nal.

Tamien l senhor Joan Capa­dor, ne l sou huorto de l Ca­chon, na marge dreita de l ribeiro de l Balhe i de l lhado de riba de la molaige, al fondo de la barreira antre la sue i las casas de la tie Blizanda i de l tiu Zilro, que ye mesmo apegado a la rue qu´eilhi passa i tan pertico que se bei mesmo de las jinelas de sue casa, para alhá de poner pata­tas, freijones, pumientos, cebolhas i selada, ta­mien questumaba sembrar sou cachico de melones.

Cumo será fácel d´eimaginar i stá bien de ber, la rapaziada de Angueira, cumo ye própio de la moci­dade, gustaba bien de la ramboiada i de armar algũas de las sues lhafrauzadas. Antón, habie alguns qu´éran mesmo danhados pa la brincadeira!…

De berano i a la tardica, era questume ls mo­ços s´ajuntáren, mesmo por baixo de la casa de l senhor Arán i arrima­dos a la parede de l fondo de la forja de l tiu Ferreiro i ne l outro lhado de la rue, na pa­rede de riba de ls huortos de l Pilo, eilhi, quaije que a meio de l camino antre la taberna de l senhor Mo­rais i la de l tiu Cerei­jas.

Apuis de cená­ren, yá subre la nuite i, a las bezes, yá mesmo de madrugada, tamien questumában s´ajuntar mas na parede de baixo de la capielha de Sante Cristo. Claro que éran solo ls moços… Ye que, yá para nin sequiera falar de las moças, ls garo­tos nun tenien outorizaçon de ls pais, nin ls mo­ços starien birados pa les dar cunfi­ança nin outorizar a star por eilhi anté altas horas de la nuite. Ye que nun stában pa tener que ls atu­rar nin pa ls deixar quedar por eilhi a scuitar i a meter-se nas sues cumber­sas. Assi, mui poucos, ou mesmo niuns garotos, tenerien sequiera coraige para salir ou se poneren a andar de casa. Ye que, para mais, se sous pais les çcubrissen la marosca, assujeitaban-se, pori, a lhe­bar ũa túndia.

Éran outros tiempos, cumo, tamien por isto, stá bien de ber…

I quien era la mocidade de Angueira nesse tiempo? Pus éran, nin mais nin menos, ls rapazes i moças que, se fúren bibos, andarán, hoije, na casa de antre ls setenta i ls oitenta anhos.

Na mocidade – tanto antre ls rapazes cumo antre las moças – habie, an­tón, dous, senó mesmo trés, naipes çfrentes: l de ls aldeanos, ou seia, ls filhos de ls lhabradores que, por algũa rezon – falta de denheiro i tener qu´ajudar sous pais na lhaboura ou por nun dáren grande cousa pa ls stu­dos –, sous pais nun les mandórun a studar; ls studantes, aqueilhes que, apuis de fazé­ren la quarta classe na scola prumaira, sous pais ponírun a studar an Bregança ou Mi­randa ou anté nou­tros sítios mais çtantes; i, antre estes dous, habie inda outro naipe, qu´era l daquei­lhes que, nun stando a studar, tenien algun armano qu´era studante i inda ls que yá stában acupados nalgũa bila ou cidade i que, tanto uns cumo ls outros, falában grabe.

Fuora las moças, qu´essas nun stubíran ambolbidas na stória que bos bou a cuntar, teniemos, an­tón, ls rapa­zes desse tiempo que s´acupában subretodo na lhaboura i alguns de pastor ou ca­breiro ou inda de andar a la jeira, mas tamien puodie ser ne ls oufícios de carpinteiro, de pedreiro ou de tro­lha: Luís Careto; Daniel Mantano; Eido­ardo, Nor­berto i Ei­lias Sidório; Manuel Regino; Zé Ca­gado; Manuel Albi­nico; Antonho, Zé Luís i Lázaro Jó; Ma­nuel Caldeira; Zé Agusto Sto­pas; Cándido Caseto; Zé i Antonho Zilro; Antonho i Beríssimo Manu­lon; Norberto i Guilherme Crespo; Manuel i Antonho Butielho; Anto­nho i Manuel Perdi­gon; Agusto i Eibange­lista Lhobo; Joan Bicha; Zé Luís i Moisés Charruco; Nar­ciso i Anto­nho Pi­léu; Zé Aguste­nhico; France­quisto de l tiu Alexandre; Felisberto Moquita; Manuel Pitascas; Zé Al­berto Cereijas; Manuel Nabarro; Mário Canoio; Zé Luís Ché; Chico de l Burro; Zé Eimilio Coiro; Bel­miro i Antonho Índio; Ma­nuel Negro; Zé Piçarra; Antonho Plilhas; Abel i Ramiro Patuleia; Jorge Pero; António Coe­lhico.

Para alhá destes, hai inda que lhem­brar a Joan Na­barro, Mário Ta­tarelo i Zé Cuco, un qu´era chochico, outro tatarelas i l´ou­tro simprico. Talbeç houbis­sse inda mais alguns, mas, agora, nun me stou a lembrar de mais niun. Subretodo ls últi­mos deilhes, éran bien mais nuobos que ls outros, mas, cumo tenien mais que 14 anhos, stá­ban yá outoriza­dos puls sous pais i puls moços mais bie­lhos a ir a la machorra i outras bor­gas i fiestas. Mas, mesmo de ls mais bielhos, habie alguns, subretodo ls que éran pastores, que, a nun ser nas fiestas, ralamente s´ajuntában culs outros.


Aspeto atual de la fuonte de l Pilo,
adonde las moças questumában ir,
a la tardica, anchir sou cántaro d´auga
Yá ls studantes desse tiempo éran an númaro bien mais pequeinho: Joan Santo, Antonho Bitorino, Luís Cal­deira, Eilias Capador, Albino de l senhor Correia, Américo i Arán de la tie Sa­bel Quintanilha, Moisés, Car­los i Humberto de l cabo Xabier, Ourlando de l senhor Zé de la Moca, Sérgio, qu´era neto de l Padre Lino i coincido por Sergito, Paulo Bernardino, filho de l capitan Bernardino i de la dona Marie Rosa Steba, qu´era tamien coincido por Paulinho, Zé Maria de l tiu Jó i inda Beriato de l tiu Arnesto i de la dona Mariquinhas.

Habie inda outros rapazes que, ambora eilhes nun andubíssen, podien tener algun armano a studar, fa­lában grabe i questumában acumpa­nhar mais cu´ls studantes: Lázaro Chic´Albino, Zé Morais, Celes­tino Xabier, Joan de la Baca, Manuel Joquin Patuleia, Abel Guerrilha, Júlio, Zé i Manuel Champa­nhica, todos estes três filhos de la tie Marie Júlia.

Claro stá que la maior parte deilhes nun stan, hoije, an Angueira: uns por bias de tenéren, hai muitos anhos, eimi­grado pa l Brasil, outros para países de l´Ouropa ou inda por tenéren ido a trabalhar i bibir nou­tras tierras de Pertual i alguns deilhes por mos habéren yá deixado para siempre.

Mas deixemos-mos de cousas tristes i bamos, antón, a ber se, cumo se questuma dezir, sou capaç de dar cunta de l recado, que ye cumo quien diç, de bos cuntar l que la maior parte deilhes, nũa tar­dica de agosto de l final de ls anhos cinquenta de l seclo passado i, apuis, a la nuite, stubírun eilhi a tratar uns culs outros i a cumbinar antre eilhes.

Tenie sido un anho de mui buona perduçon de melones i de balancias. Cumo questumában fazer to­dos ls anhos, Zé Al­berto Cerei­jas i Ourlando Moca yá tenien feito la sue chorça, cun ga­lhos de ami­neiro i toda mui bien amanhada, para cada un poder drumir i guardar ls melones i ba­lancias que tenie na sue huorta: Zé Al­berto, cerca de l poço i al cimo de la huorta de ls Punto­nes; Ourlando, a meio de la huorta cerca de la casa de sous pais i de la eigreija. Am­bora nun percisasse de fazer chorça – bas­taba-le ũa mantica pa se tapar, solo por bia de l reciu de l ribeiro –, tamien Eilias, que nun era de se quedar atrás de naide, para guardar ls sous melones, questumaba ir a dru­mir ne l huorto de l Ca­chon.

Era subre la tardica de l prumeiro sábado d´agosto. L tiempo staba seco i inda bien caliente. Cumo era ques­tume, Cándido Caseto, Zé Agusto Stopas, Norberto i Eilias Sidório, Norberto i Guilherme Crespo, Zé Luís Charruco, Antonho i Manuel Perdigon, Antonho i Beríssimo Manulon, Agusto i Eibangelista Lhobo, Anto­nho i Lá­zaro Jó, Arán de la tie Sabel Quintani­lha, Paulinho i Sergito ajuntórun-se, uns por baixo de la casa de l tiu Arán i de la forja de l tiu Ferreiro i outros na parede pul lhado de riba de ls huortos de l Pilo: uns assenta­dos i ou­tros de pie, junto a la parede de l huorto de l Marineiro; uns a ber las moças a anchir sou cán­taro d´auga na fuonte i outros ou dar a la treta.

Era mesmo eilhi i outras bezes pul lhado de baixo de la capielha de Sante Cristo que cumbinában ta­mien fazer de las sues…

Inda antes de l toque de las Trindades, alhá chegórun tamien Lázaro de l tiu Chic´Albino i Zé de la tie Ma­rie Júlia, a quien, por isso mesmo, questumában chamar Lázaro Chic´Albino i Zé Júlio, i ponírun-se a la cumbersa cun Arán, Paulinho i Sérgito.

Para ende star todo l ganado, quaije solo faltaba un taga­lhico: Ourlando Moca, Eilias Capador i Zé Alberto Cereijas i inda mais uns quantos. Ye que, andando todos acupados a guardar ls sous melo­nals, yá un ror de ti­empo que nun aparcien por eilhi. Además, ls trés inda s´agabában de que naide cunseguirie tirá-les ls sous melones i ba­lancias. Tamien debido a isso, la rapaziada andaba mortica i cun gana de les pregar ũa partida.

Ls moços mais nuobos, mal oubírun dar las Trindades, sca­pórun para casa para cenar. Antón, bendo que, por suorte, tamien niun daqueilhes trés staba eilhi, Cándido Caseto bira-se pa la rapazi­ada i diç:

– Carai, rapazes, bamos pregá-le outra partida a Zé Alberto Cereijas? I que tal se fússemos a tirá-le las balan­cias que el debe star a guar­dar na huorta de ls Puntones? I ten que ser hoije!… Ye que, cul lhunar que stá, nun puode mesmo pas­sar desta nuite!… Inda bos lhembrais de l que, fai dous ou trés anhos, le fazimos quando, na chorça dessa mesma huorta, staba a guar­dar ls melones i las balan­cias?

Si, aparecie que quaije todos eilhes stában inda lhembrados de las partidas que, anhos atrás, le ha­bien pre­gado: uns porque tenien tamien ajudado a la fiesta; outros porque oubírun cuntar l que le fazí­run. Mesmo assi, Cándido Caseto lhembrou als mais squecidos:

– Anquanto you i Norberto Sidório fumos pul camino de l lhado de riba, que dá pa la Faceira, chame­mos por Zé Alberto i le metimos cumbersa junto a la canhiça, Manuel Regino i Zé Cagado fúrun pul fondo de la huorta, cerca de la ribeira, chubírun pula parede i Zé Luís Charruco i Eilias Sidório antró­run pula lhameira de ls Cachopos i tirórun-le todos ls me­lones i balancias que pudírun. I, pul menos al­guns de bós, inda bos lhembrareis doutra beç que, uns anos antes dessa, you, Zé Agusto Sto­pas i Antonho Perdigon pas­semos, tamien a la nuitica, pul cimo dessa huorta pa le cumbi­dar a ir cun nós a las peras mais tempranas, mas mui sabrosas, que habie na huorta de l senhor Joan Capador, mesmo al cimo de la Fa­ceira i al fondo de l Nabalho.

Zé Luís Charruco, que staba eilhi a oubir i todo calhadico, lhembrando-se bien de la culidade dessas peras, acrecenta:

– Carai, éran ũas peras tan frescas, tan buonas i tan docicas que, solo de las ber, qualquiera un quedaba cun auga na boca i s´antolhaba por eilhas!…

Si, muitos tenien oubido dezir que, nun cunse­guindo rejistir a la tentaçon, Zé Alberto alhá fui cu´eilhes a essas peras, mas que, quando staba mesmo a porpa­rar-se para apanhar algũas, nis­tante ampe­çou a oubir pie­dras pul aire i a fun­gá-le subre la cabeça. Era Zé Luís Charruco que, cumo fura cumbinado, staba de, a meia bar­reira, a ape­dreá-le. Assi, Zé Al­berto, que nin tiempo tubo pa les to­car, nin sequi­era las puodo porbar… Mas l pior staba el inda para ber!… Quando tornou pa la sue huorta, ye que se dou cunta de que, de ls melhores melones i de las balan­cias qu´el tenie na maior stima, solo alhá res­traba l sítio. Ye que todos esses habien zaparecido…

I Lázaro de l tiu Cich’ Albino i Zé de la tie Marie Júlia – que nun éran de se quedar atrás de ls outros nin quetos –, metindo-se na cumbersa, dezí­run que l melhor serie, antón, aporbei­tar tamien pa fa­zer l mesmo a Ourlando i a Eilias. Ye que les cheiraba que, tamien eilhes, starien nessa nuite a guardar ls sous melo­nes, ambos ne ls sítios que yá sabemos.

Antón, Cándido Caseto bira-se pa la rapaziada qu´eilhi staba i diç:

– Pus, stá bien!… Bamos, antón, nesta nuite, pregá-le a todos trés ũa partida aparecida cu´estas!…

Mas, cumo era yá bien tarde, todos fúrun anté casa adonde sues famílias stában fartas de ls sperar para cenar.

A la nuitica, yá apuis de cenaren, todos eilhes tornórun, mas pa l Lhargo de Sante Cristo. Antón, toca de acertar todos ls pormenores i de cumbinar l camino a seguir por cada pareilha. Assi, ponírun-se a cumbinar cumo íban a fazer pus habie que tratar de arran­jar maneira de les anganhar para, sien niun çcunfiar, les poder tirar ls melones i las balancias que starien a guardar.

Cumbinórun, antón, fazer trés pareilhas: ũa – la de Cándido Caseto i Zé Agusto Sto­pas – irie a la huorta de Zé Alberto; outra – la de Zé Júlio i Paulo Bernardino – irie a la huorta de Ourlando; i la outra – la de Lázaro Chic´Albino i Arán de la tie Sabel Quintanilha – irie al huorto de Eilias zafiá-le pa ls acumpa­nhar a la huorta de Ourlando.

Çcunfiando ou cheirando-le que, soutordie, de madrugada, Zé Alberto, Ourlando i Eilias starien yá a drumir todos çcan­sadi­cos nas sues huortas, cula aprobacion de quantos eilhi stában, cumbinórun que, pouco apuis de l meio de la nuite, cada pareilha irie a sue huorta. Antre to­dos eilhes, acertórun inda que la me­lhor ma­neira de anganhá-les i fazer cada un deilhes salir de sue huorta serie cumbencé-les a ir a la huorta uns de ls outros a tirá-le ls melones ou las balan­cias. Assi, apuis cada un deilhes salir, irien outros por trás a tirá-le ls sous. Habie inda que cumbinar l camino a seguir por cada pareilha para que qualqui­era un deilhes nun fusse dar de caras culs de l´outra.

Cumo íban, anton, fazer la cousa?


Aspeto atual de la capielha de Sante Cristo,
adonde, a la nuitica, s´aquestumaba
ajuntar la rapaziada
Prumeiro, Cándido Caseto i Zé Agusto Stopas irien anté la huorta de Zé Alberto Cereijas ne ls Punto­nes spertá-le i zafiá-le a ir cu´eilhes al huorto de Eilias Capador a tirá-le i anchir ũa saca culs melho­res melones que ancuntrássen. De seguida, Zé Júlio i Paulinho irien a la huorta de Ourlando Moca pa l cumbidar i cumbencir a ir cu´eilhes anté la huorta de Zé Alberto ne ls Punto­nes a tirá-le i anchir ũa saca de ba­lancias maiores i mais madu­ras que alhá ancuntrássen. Pouco apuis, Lázaro Chic´Albino i Arán irien al huorto de l Cachon para cumben­cir Eilias a ir cu´eilhes a la huorta de Ourlando a tirá-le ũa saca de ls melho­res melones que alhá houbisse.

Ls outros rapazes queda­rien scundidos por trás de la capielha de Sante Cristo anté que, mal oubís­sen Cándido Caseto, Zé Agusto Sto­pas i Zé Albero Cereijas a passar por eilhi, iren, sien fazer baru­lho, pa la lha­meira de l cabo Xabier al cimo de ls Puntones.

Mal serie que qualquiera un deilhes çcunfiasse i nun fusse na fita de ir als melones ou a las balancias de algun de ls outros… Mesmo assi, cumbinou-se que cada pareilha, para alhá de nun fazer barulho, tenie que dar bien a la pierna. Assi, se todo cuorriesse cumo cumbinado, nun se ancuntrarien na huorta i nin sequiera se cruzarien ne l camino.

I nun habie qualqui­era porblema por ser de nuite que íban a fazer la sue lhobada… Que, para alhá de l lhunar claro que staba, ye pul cheiro que se puode saber se un melon stá maduro i pronto a quemer. I, se nun disse para saber pul oudor, bas­tarie puxar un cachico por el. Ye que, stando maduro, facel­mente se soltarie de la melo­neira, nun sendo perciso fazer grande fuorça pa l struncar… Yá culas balancias ye çfrente, pus ye pul to­que que se puode saber se yá stán maduras. Assi, bastarie dá-le un toque cul dedo i scui­tar… I, cumo toda la gi­ente sabe, de nuite, todo se oube bien melhor…

Apuis de, cumo cumbinado, cada pareilha ir a la huorta de que quedou cul encarrego, todas irien dar a la lhameira de l cabo Xabier ne l cimo de ls Puntones adonde yá starie scundida, por trás de ls chou­pos i a la spera deilhes, al restro de la rapaziada. I, solo apuis, ye qu´estes darien seinha, mas fin­gindo que, tamien eilhes, tenien acabado mesmo de chegar eilhi. Ende, todos s´ajuntarien para, de pronto, se botáren a quemer i, assi, a regalá-se, apa­nhando un fartote de balan­cia i de melon.

Era yá soutordie, deimingo, de madrugada cedo, quando cada pareilha se puso a camino, fazendo cumo i se­guindo cada qual pul camino cumbi­nado.

La pareilha de Cándido Caseto i Zé Agusto Stopas fui la prumeira a poner-se a camino de la huorta de l tiu Cereijas. Seguindo zde la capielha, passando por riba de las casas de l senhor Morais i la tie Bexela, de l tiu Mingones i de la de l tiu Joan Piçarra i la tie Regina Sicha i antre l cimo de las huortas de la Mediana i de l fondo de la Beiga de l Casal, fúrun a tener al meio de l camino de ls Puntones, a la huorta adonde Zé Alberto Cereijas staba yá a drumir. De l lhado de riba, adonde l camino aparta pa la Faceira, de la canhiça, mas fuora de la huorta, Cándido ampeça a chamar:

– Ah, Zé Alberto… Zé Alberto!…

Inda drumenhuoco, mas recoincede-le pula boç, respunde-le Zé Alberto:

– Mas l que me quieres, Cándido? Que raio stás eiqui a fazer?

– Sabes, Zé Alberto… you i Zé Agusto Stopas, que stá eiqui cumigo, oubimos dezir que, hoije, Eilias Capador fui a drumir a casa. Por isso, çcunfiamos que naide stará a guardar ls sous melones ne l huorto de l Cachon. Fui por isso que mos lhembremos de passar por eiqui para ber se quie­res benir cun nós anté aquel huorto pa le tirar i anchir esta saca de melones!…

Claro que Zé Alberto, nun sendo capaç de rejistir al zafio que le fazírun, lhougo les respundiu:

– Bien sabeis que quiero, carai!… Isso ye pregunta que se faga?! Iba you alhá çperdiçar ũa ouca­sion des­tas!… Bamos a isso!…

Por sue beç, Zé Júlio i Paulinho, seguirún pula rue a la squierda de las huortas de l Pilo, caras a la eigreija i anté la casa de l senhor Aníbal Toucino i la dona Anfácia Cachona, adonde birórun a la squierda. Apuis de passáren antre l fondo de ls huortos de Saiago i la casa de l tiu Plilhas i la tie Blizanda Coira, abaixórun pula rue de Saiago i fúrun a dar a la huorta de Ourlando. Antón, Zé Júlio, cerca de la huorta de la tie Sabel Nabarra, mas yá junto a la bar­ranca de la huorta de Ourlando puso-se a chamar baixico:

– Orlando… Orlando!…

Todo ambelado i cumoquiera que a coçar ls uolhos, respunde-le Ourlando:

– Quem é? És tu, Zé?

– Claro que sou eu!… Quem querias que fosse?

– E o que queres, Zé, para vires aqui a acordar-me a esta hora?
– Olha, eu e o Paulinho ouvimos dizer que, hoje, viram o Zé Alberto Cereijas a sair da sua horta dos Pon­tões para ir dormir a casa. Como não está lá ninguém a guardá-la, lembrámo-nos de passar por aqui para ver se queres vir comigo e com o Paulinho às melancias do Cereijas…

– Bem sabes que quero, caramba!… Ia lá eu desperdiçar uma ocasião dessas! Vamos já a isso!…

Antretanto, Lázaro i Arán tenien yá abaixado de la capielha pula rue antre las casas de l tiu Quin­teiro i la de l tiu Morais, de la dona Palmirinha i la de l capitan Bernardino i la dona Maria Rosa Steba, i birado pula rue de l Cachon, antre la de l tiu Chic´Albino i las de la tie Marie Santa, l tiu Arman­dico. Apuis de chegáren antre las casas de la dona Laura i de l senhor Joan Capador, apartando por de­trás de la casa de la tie Blizanda Caneda i la frente de l curral de l tiu Caçuolo, acabórun por chegar al huorto de l Ca­chon, adonde Eilias staba yá a drumir todo çcansadico, a guardar ls sous melo­nes. Antón, bien arrima­dicos a la parede i tan baixico que mal se oubie, Lázaro ampeça a chamar:

– Elias… Eilias!…

Inda meio adromecido, Eilias pergunta:

– Quem é que está aí a chamar por mim?

I respunde-le Lázaro:

– Então, não vês que sou eu, caramba?! Quem é que querias que fosse?! Alguma moça, não? E sabes o que vim cá fazer, Elias? Olha, passei por aqui para te convidar a vires comigo e com o Arão aos me­lões do Or­lando ali na Igreja. É que ouvimos dizer que, como ele hoje estava muito cansado, foi dor­mir a casa. Por isso, desconfiamos que esta noite não está ninguém lá na horta a guardá-los…

– Claro que quero. Vamos já lá a isso…

I, deilhi, seguindo por antre la fuonte de la eigreija i la huorta de la tie Marie Santa, la casa de senhor Aníbal i la dona Anfáncia i la de la tie Zilrica i apuis de la de l tiu Plilhas i la tir Blizanda Coira, birando para baixo pula rue de Saiago, passó­run riente a la parede las casas de l senhor Dioniç i de l tiu Anto­nho Carai i fúrun anté la caleija que dá pa las casas destes i las de la tie Beatriç Guerrilha l de l senhor Zé de la Moca.

I, cumo cumbinado, Zé Júlio, Paulinho i Ourlando habien yá seguido por antre la casa de la tie Sabel Nabarra i la eigreija, i, bi­rando pal fondo de l Cachón, passórun por antre las casas de tiu Eimilio Quintanilha, de l tiu Américo Furon i la huorta de l tiu Floréncio. Apuis de passá­ren la puonte de l ribeiro de l Balhe, mesmo al fondo de l Cachón, i por antre l huorto i las casas de l tiu Chetas i de l tiu Moisés Bitorino i pul fondo de las huor­tas de la Salina i de la Mediana a camino de ls Puntones, fúrun dar al cimo de la huorta de l tiu Cereijas.


Aspeto atual de la casa de l senhor Aníbal Toucino
i la dona Anfáncia Cachona
(apuis la recuperaçon que fui feita
pula arquiteta Vera, sue nora)
A la an­trada de la huorta, Zé Júlio inda chamou por Zé Al­berto, mas naide le respundiu. Que­dando cula certeza de que el nun staba ei­lhi, cun todo l cuidado, nun se sbarrulhá-se pori, saltó­run por riba de la parede. Anton, botórun-se a trates a las balancias, scolhendo las maiores i mais madu­ras que ancuntrórun i toca d´anchir la saca que Zé Júlio lhebaba cu´el.

Apuis, ponírun-se a camino i, nistantico, chegórun a la lhameira de l cabo Xabier.

Inda mal aqueilhes trés tenien aca­bado de salir de la huorta de Ourlando, que nin se­quiera tenerien tiempo para haber chegado a la Salina, yá alhá stában Lázaro, Arán i Eilias cerca de l canhiço de la huorta. An­tón, ponírun-se a la scuita, spreitórun pa la huorta i apareciu-les que naide sta­rie na chorça. Mesmo assi, inda chamó­run por Ourlando. Mas, cumo naide les respundiu, passórun l canhiço, botórun-se a trates de ls melones i toca d´anchir la saca que Lázaro lhebaba cu´el.

Apuis, seguírun pul ca­mino que, de l semité­rio, pas­sando antre la casa i la cortina de casa de l tiu Faquito i la lhameira de l tiu Floréncio, bai a dar a la puonte de la Çanca, passórun antre las huortas, l huorto de l tiu Chetas i la casa de l tiu Moisés Bito­rino i pul fondo de las huortas de ls Quintani­lhas i de la Mediana, fúrun caras als Punto­nes.

Tamien Cándido i Zé Agusto, acumpanhados, agora, por Zé Alberto, alhá seguírun pul mesmo camino, mas ne l sentido cuntrairo, anté la casa de l se­nhor Morais, mesmo antes de la capielha de Sante Cristo, adonde birórun caras a la Sa­lina. Apuis de passáren pula casa de l tiu Lhagartinhas i la tie Pureza, birando a la squierda, fúrun por riba de las casas de la tie Marie Fona i de l tiu Zilro i dórun de caras cul huorto de ls Capadores. Antón, mui bai­xico, Zé Agusto Stopas chamou por Eilias. Cumo naide le respundiu, abrirún l canhiço, me­tírun-se ne l huorto i porparában-se pa se botar a trates de ls melones.

Nun sfregante, ampeçórun a oubir un barulhico que les aparecie benir de riba, de l cimo de la barreira mesmo junto a las casas de la dona Laura i de ls Capadores, parórun i ponírun-se a la scuita. Mas, l raio de l barulho era cada beç maior. Antón, bendo que ls sous parceiros stában a quedar acagatados, Cándido Caseto, diç mui baixico:

– Bamos-mos a scunder!… Benie para eiqui i ancuostai-bos a esta squina de la parede que, assi, naide mos bei nin dará por nós!…

Passado un cachico, bíran que, afinal, era l búltio de Antonho Canhono, que, beniendo de la taberna de l tiu Morais i la tie Bexela, mas anganhando-se ne l camino, an beç de tornar para casa, metiu-se pula caleija de Sante Cristo abaixo. Apuis de passar pula casa de l senhor Antono Sora i la dona Arnestina i antre las casas de l tiu Luís Quintanilha i de l tiu Eibaristico i la de la tie Tona, fui a dar a la casa de l tiu Canhuotico i la tie Justina Albardeira; birando caras l Cachon, passou antre la casa de l tiu Maximino i las de l tiu Manuel Júlio, de l tiu Rifeiro i de l senhor Correia i la dona Laura, cuntinou a dreito a la casa de ls Capadores. Quando abaixaba pul atalho de la barreira, mesmo al fondo de la casa de la tie Blizanda Caneda, antropeçou nun xeixo i dou un trambolhon que fizo rebolar algũas piedras de la barreira. A muito custo, alhá cunseguiu alhebantá-se. Apuis de passar antre l huorto i la casa de l tiu Zilro, alhá seguiu el caras a la puonte de la Çanca. Cumo era questume i ye fácel de eimaginar, debie star cuns copicos bien boídos… Tantos que nin el saberie l que starie i irie para eilhi i aqueilha hora a fazer!…

Antonho Canhono, qu´era yá antradote i bien mais bielho que qualquiera un deilhes, era un home mui pándego. Cuntaba-se que, ũa beç, quando un rapaç, inda bien nuobico, le chamou tiu Antonho, este bira-se para el i dize-le: Menino Antoninho, se nun t´amportas!… Ye que, a ti, nun te fai çfrença i a mie dá-me jeito!…

Assi, apuis del passar i yá bien mais çcansados, toca d´anchir la saca, que Cán­dido Caseto lhebaba, culs melhores melones que ancuntrórun. Apuis, seguírun pa la Salina, passando pula casa de ls Toucinos, la de ls Quintani­lhas i inda por baixo de la huorta destes i pul camino mesmo al fondo de las huortas de la Mediana, caras als Punto­nes.

Assi, cumo se bei, quaije a la mesma hora, d´eigual maneira i la mesma cousa que se passaba nũa de las huortas staba-se tamien a passar nas outras dues. Solo las pessonas i ls sítios ye que mudában.

Cumo quedara cumbinado antre ls cabecilhas, ls moços de las trés pareilhas, acumpanhados puls anganha­dos por cada ũa deilhas, fúrun a dar a la lhameira de l cabo Xabier. Ls prumeiros qu´alhá chegórun fúrun Zé Júlio, Pau­linho i Our­lando; lhougo de seguida, chegórun Lázaro, Arán i Eilias; i, final­mente, Cándido Caseto, Zé Agusto Sto­pas i Zé Alberto Cereijas.

Cunsante ls de las dues últimas pareilhas fúrun chegando, dórun de ca­ras culs de las outras que yá alhá stában a la spera deilhes i que chegasse tamien l restro de la rapazi­ada. Mesmo assi, ningun de ls anganhados stranhou ou çcunfiou inda de nada subre l que se staba a passar…


Aspeto atual de l Cachon. An prumeiro plaino,
bei-se l lhargo adonde era dantes
la fuonte de la Eigreija
Un cachico apuis, fin­gindo nun saber de nada, ye que chegou l maior tagailho deilhes: Antonho Perdi­gon, Norberto i Eilias Sidório, Agusto i Eibangelista Lhobo, Zé Luís i Moisés Charruco, Norberto i Gui­lherme Crespo, Antonho, Zé Luís i Lá­zaro Jó, Mário Canoio, Feliçberto Moquita i Zé Piçarra, de ls aldea­nos; Amé­rico de la tie Sabel Quintani­lha i Carlos Xabier, de ls studantes; Abel Guerrilha, Júlio de la tie Ma­rie Júlia, João de la Baca, Lá­zaro Morais i Celestino Xabier, de l outro grupo. Pul nú­maro de moços que alhá stában se bei que para fartar la barriga de tanta tropa tubo que ser mui grande la lhafrau­zada que, nessa nuite, le fazirún aqueilhes trés!…

Anton, Antonho Perdigon bira-se pa Zé Júlio i pide-le para abrir la sue saca culas balancias i, tirando la nabalha de l bolso de las calças, ampeça a cor­tar i a çtribuir ũas buonas talhadas por todos quantos ei­lhi stában. De seguida, Eilias Sidório bira-se para Lázaro Chic´Albino i pide-le para abrir la saca i ampeça tamien el a cortar i a çtribuir ũas buonas talhadas de melon por todos quantos stában eilhi a la buolta. Final­mente, Américo de la tie Sabel Quintanilha piede a Cándido Caseto para abrir sue saca i am­peça ta­mien el a fazer l mesmo.

Quando yá todos – uns a trates de las balancias, outros de ls melones – tenien yá apanhado ũa buona barrigada dũa cousa i doutra, Ourlando, todo ani­mado i ou­lhando de lhado i cun aire de gozo pa Zé Alberto Cereijas, bira-se pa la rapazi­ada i diç:

– Mas que melancias e melões deliciosos!… Tão bons como estes, garanto-vos eu que ainda este ano não tinha comido nenhum!…

De l outro lhado, cũa risica na boca i oulhando çfraçadamente para Ourlando, diç tamien Ei­lias Capa­dor:

– Não há dúvida… são mesmo uma delícia!…

I, inda d´outro, Zé Alberto Cereijas, tamien cũa risica na boca i oulhando de sgueilha pa Eilias Capa­dor, nun podendo quedar calhado, diç tamien:

– Teneis rezon. Ye mesmo berdade!… Mas que balancias i melones tan sabrosos!… Cumo estes nunca you tenie tamien porbado ningun!… I you sei bien que nun ye nada fácel d´ancuntrá-les!…


Salina: aspeto atual de l curral i la
frontarie (toda la que stá de branco)
de la casa de ls Quintanilhas
I, antre ls três, muito se rie cada qual de un de ls outros dous.

I, claro, l restro de la tropa, cumo nun podie deixar de ser, rie-se a bon rir d´eilhes ls trés…

I, de ls aldeanos, Zé Piçarra, que tamien nun era capaç de quedar calhado, dezie pa ls outros:

– Carai… nun sei donde benírun, mas isso pouco amporta!… Tamien you nunca habie quemido balan­cias i melones assi tan doces, grandes i buonos cumo estes!…

I ls studantes, que mal podien çfraçar la risa, nin tamien quedar calhados, dezien:

– E nós também não!… Sim, melancias e melões tão doces, frescos e sumarentos e, ainda por cima, tão grandes como estes não são fáceis de encontrar!…

I dezien inda outros:

– Pus bien passicos alguns tubíran que dar pa todos nós podermos tener este regalo!…

– Mas baliu bien la pena, carai!… Que balancias i melones tán buonos i grandes cumo estes nun hai nin se ancontran an qualquiera sítio!…

I a ningun daqueilhes trés passou sequiera pula cabeça preguntá-se donde tenerien be­nido ls melo­nes i las balancias de las outras sacas i adonde serie que las outras pareilhas tenerien feito la lhafrauzada.

Era yá tan tarde que mal se bie, quando todos se apartórun i cada qual tornou para sue casa. Inda que la lhuna nun se houbisse çpuosto, staba yá a scundé-se por trás de l monte de las Eiricas que la tapaba quaije cumpletamente. I l mesmo fazírun Zé Alberto Eilias i Ourlando pus – pensaba cada un deilhes – mal serie que, stando todos de barriga bien chena, qualquiera un les fusse a la huorta a fazé-le algũa lhobada. Fúrun, assi, todos eilhes drumir scansadicos na sue cama.


Huortas de l fondo de la Mediana.
A la squierda i alhá al fondo
era la lhameira de l cabo Xabier
I solo purma­nhana, qu´inda quaije nun se bie, mal cada un deilhes se alhebantou i fui pa regar la huorta, botou un re­lhance de uolhos pul sou melonal ou balancial, ye que Ourlando, Eilias i Zé Alberto se dórun cunta de que, de ls maiores, melhores i mais maduros melones i balancias que cada qual tenie na sue huorta, se tenien ei­bapo­rado. Ye que yá alhá nun restraba nin sequiera un desses. I cumoquiera solo nessa altura ye que cada un dei­lhes se tenerá dado cunta de que, por nun se tener aporcatado de forma cumbeni­ente, ls únicos que tenien razones de sobra para, durante la quemezaina an que, de madru­gada, ha­bie stado, se riren a la buntade, éran ls de l restro de la tropa de la rapaziada.

Mas, berdade seia dita, ningun de ls trés lhebou la cousa a mal. Ye que, quando ũa partida mos ye tan bien pre­gada cumo esta, qualqui­era un de nós, se bien androminado, ye bien capaç de cair neilha i, anté, de scachá-se a rir del mesmo.

António Preto Torrão. Licenciado em Filosofia (Universidade do Porto)
DESE em Administração Escolar (ESE do Porto)
Mestre em Educação – Filosofia da Educação (Universidade do Minho)
Pós-graduado em Inspeção da Educação (Universidade de Aveiro)
Professor e Presidente Conselho Diretivo/Executivo
Orientador de Projetos do DESE em Administração Escolar (ESE do Porto)
Autor de livros e artigos sobre Administração Educativa
Formador Pessoal Docente e Diretores de AE/Escolas
Inspetor e Diretor de Serviços na Delegação Regional/Área Territorial do Norte da IGE/IGEC

Bocabulairo \\ vocabulário

Abiar – despachar \\ acá – cá \\ acagatado – amedrontado \\ acupado – ocupado \\ adberti­r-se – divertir-se \\ además – além disso \\ aire – ar \\ ajuntar-se – reunir-se \\ al – ao \\ alde­ano – al­deão \\ alhá – lá \\ alhebantar – levantar \\ ambelado – dormi­nhoco \\ ambriado – investido \\ ambol­bido – envol­vido \\ amentar – falar de \\ amenuda­das bezes – frequentemente \\ ampeçar – começar \\ ampor­tar – importar, interessar \\ ampregado – apli­cado, investido \\ ancar­rego – encargo \\ anchir – en­cher \\ anchena – cheia \\ ancun­trar – encon­trar \\ ancuostar – encostar \\ andromi­nado – en­ganado \\ andubíssen – (3ª pessoa do plural do pretérito imper­feito do conjuntivo do verbo andar) an­dassen \\ anganhar – enganar \\ angroba­tado – engravatado \\ anho – ano \\ anté – até \\ antento – intenção, desejo \\ antolhar – desejar, apecer muito \\ antón – então \\ antropeçar – tropeçar \\ aparcer – aparecer \\ apare­cer(-se) – pare­cer(-se) \\ apartada – se­parada \\ apar­cer – aparecer \\ apedrear – apedrejar \\ aporca­tar-se – precaver-se \\ aprobacion – aprovação \\ apuis – após, de­pois \\ arganeiro – cobi­çoso \\ armano – irmão \\ arre­banhar – agar­rar, rou­bar \\ arriba – acima \\ arri­mado – encos­tado \\ assen­tado – sentado \\ assi i todo – mesmo assim, apesar disso \\ assujei­tar-se – sujei­tar-se \\ balan­cia – melan­cia \\ beç – vez \\ benir – vir \\ berça – couve \\ berniç – verniz \\ be­zino – vizi­nho \\ bia – causa \\ bielho – velho \\ bira­dos par´ende – preocupados com isso, a pen­sar nisso \\ bi­son – visão \\ bóbida – abó­bora \\ boíbo – bebido \\ bondar – bastar \\ borga – pân­dega \\ botar – deitar, lançar \\ buolta – volta \\ bun­tade – von­tade \\ cacho/ico – bocado/ito \\  caçoada – troça \\ ca­lhado – calado \\ capaç – capaz \\ çapatico – sapatinho \\ capie­lha – ca­pela \\ çarandar – ciran­dar o grão \\ carunha – se­mente de me­lão, melancia ou abóbora \\ çcan­sadico – descansadinho \\ çcoin­cer – desconhe­cer; çcubrir – desco­brir \\ cebar – engor­dar suínos \\ cena(r) – ceia (cear) \\ çfraçada­mente – disfarçada­mente \\ çfrente – dife­rente \\ checharra(r) – ci­garra (can­tar da cigarra) \\ chi­co spier­to – rapaz malan­dro, lará­pio \\ chorça – abrigo de vigilância \\ chu­bir – subir, ir para cima, mon­tar \\ co­chino – porco \\ coincer – conhecer \\ co­raige – coragem \\ cunta – conta \\ çpa­char – despa­char \\ çperdi­çar – desperdiçar \\ çpuosto – posto \\ çtante – distante \\ çtraído – distraído \\ çtri­buir – distribuir \\ cũa – com uma \\ çúcia – corja \\ culs – com os \\ cuel – com ele \\ cula – com a \\ culidade – qualidade \\ cumben­cir – convencer \\ cumbeni­ente – conveni­ente \\ cumoquiera – tal­vez \\ cunsante – conso­ante \\ cuntina­çon – continua­ção \\ deilhes – deles \\ del – dele \\ disse – desse (3ª pessoa do singu­lar do preté­rito imper­feito do conjun­tivo do verbo dar) \\ Dius – Deus \\ dreita – di­reita \\ drento – dentro \\ drume­nhuoco – dormi­nhoco \\ eibapo­rado – evapo­rado \\ eiceçon – exceção \\ eilhi – ali \\ eiqueno­mia – economia \\ el – ele \\ fa­lar grabe – falar Portu­guês \\ falha – falta, defeito \\ fun­gar – zunir \\ fuonte – fonte \\ fuora – fora \\ frei­jon – feijão \\ fusse na fita – fosse le­vado na con­versa \\ fuora – fora \\ houbo – (3ª pessoa do singu­lar do preté­rito perfeito do verbo haber) houve \\ houn­rosa – honrosa \\ huorta – horta \\ Jarusa­lein – Jerusa­lem \\ judiu – judeu \\ lhaboura – la­voura, agricul­tura \\ lhata/ica – horta/horta pequena, lata \\ lhem­brar – lembrar \\ lhugar – lu­gar \\ lhuna/r – lua/r \\ libardade – liber­dade \\ ma­chorra – festa de rapa­zes maio­res de 14 anos, ri­tual de passagem à vida adulta \\ mala – má \\ mano – imão \\ me­lon – me­lão \\ mo­laige – moa­gem \\ mortico – mortinho \\ mos – nos \\ naide – nin­guém \\ necidade – necessidade \\ nin – nem \\ ningun – nenhum \\ nistante – num ins­tante \\ niun – nenhum \\ nó – não \\ nomeada – fama \\ nuobico – novinho \\ nuite – noite \\ nun – não \\ nuosso – nosso \\ oudor – cheiro \\ oufício – ofício \\ oumen­tar – aumentar \\ ounidade – unidade \\ Ounion Ouro­peia – União Europeia \\ outori­zar – autorizar \\ pa – para \\ patatal – batatal \\ pequerruchico – pequenino, minúsculo \\ perdu­çon – produ­ção \\ perdu­zir – produ­zir \\ pie – pé \\ piel – pele \\ pimponaço – muito pim­pão \\ pita – galinha \\ pobo – povo, povoa­ção \\ poboa­çon – po­voação \\ porbar – provar \\ pori – talvez, por azar, por sorte \\ presunçon – presunção \\ propia­dade – propriedade \\ própio – próprio \\ pru­meiro – pri­meiro \\ pul/pula – pelo/pela \\ pumi­ento – pi­mento \\ puonte – ponte \\ purma­nhana – ao alvorecer \\ pus/puis – pois \\ quaije – quase \\ quarta – antiga me­dida correspon­dente à quarta parte do al­queire \\ qualqui­era – qualquer \\ quedar – ficar \\ que­mer – comer \\ queme­zaina – comezaina \\ queto – qui­eto \\ quien – quem \\ quienqui­era – qual­quer pessoa \\ ralo – raro \\ rapaç – ra­paz \\ razones – ra­zões \\ reciu – ar fresco e hú­mido da madrugada junto ao ri­beiro \\ reculhir – reco­lher \\ rejis­tir – resistir \\ ralamente – raramente \\ re­lhance – re­lance \\ respunder – responder \\ re­zon – razão \\ riba – cima \\ riente – rente \\ ri­sica – risi­nho \\ riu – rio \\ rue – rua \\ sabroso – sabo­roso \\ sbarrulhar – fazer cair pedras de um muro ou constru­ção \\ scapar-se – ir embora discreta­mente \\ scachar – partir \\ scasso – es­casso \\ screbir – escre­ver \\ sco­lher – escolher \\ scuitar – escu­tar \\ scundido – escon­dido \\ sem­brar – se­mear \\ senó – se­não \\ sequi­era – sequer \\ sfregante – instante \\ sgueilha – soslaio \\ sim­prico – atra­sado \\ sien – sem \\ sobeija – sobra \\ soutor­die – no dia seguinte \\ spabi­lado – listo \\ sper­tar – desper­tar \\ spiga­dote – cresci­dote \\ spierto – esperto \\ splicar – expli­car \\ sque­cer – esque­cer \\ squina – esquina, canto \\ steia – (1ª pes­soa do singular do pre­sente do conjun­tivo do verbo “star”) esteja \\ stima – estima \\ stranhar – estranhar \\ strun­car – estron­car \\ stu­bísse – (3ª pessoa do singu­lar do preté­rito imper­feito do conjun­tivo do verbo “star”) esti­vesse \\ suorte – sorte, terra de sequeiro que tocou em herança \\ subretodo – sobretudo \\ taga­lho – conjunto de ove­lhas que fazem parte dum reba­nho \\ talbeç – talvez \\ tatarelas – gago \\ te­mato – tomate \\ tem­prano – tempo­rão \\ tenta­çon – tenta­ção \\ trambolhon – trambolhão \\ trocer – torcer \\ tún­dia – sova \\ ũa – uma \\ uolho – olho \\ xeixo – seixo \\ yá – já \\ ye – é \\ zabergo­nhado – desavergonhado \\ za­cupado – desocu­pado \\ zafiar – desafiar \\ zapare­cer – desapare­cer \\ zbarato – desbarato \\ zde – desde \\ zgraciada­mente – infeliz­mente

Para saber o significado de outras palavras, sugiro a consulta deste SÍTIO.