quarta-feira, 31 de maio de 2017

Cidadela e Castelo de Bragança

foto: autor desconhecido

Mogadouro apoia compra de dois veículos de combate a fogos florestais

O município de Mogadouro anunciou hoje vai comparticipar, na totalidade, a aquisição de um Veiculo Ligeiro de Combate a Incêndios Florestais (VLCI) destinado a reforçar a capacidade operacional dos bombeiros locais durante a próxima época de incêndios.
O novo veículo custou cerca de 54 mil euros, valor acrescido de IVA, e o qual deverá entrar ao serviço no início da fase "Charlie" (a fase mais crítica para a ocorrência de incêndios florestais) para assim reforçar o dispositivo de combate às chamas.

"A falta de um VLCI era notória. Em conversa com a direção da Associação Humanitária ficou prometido, no início do ano, o financiamento integral do novo veículo", explicou à Lusa o presidente da Câmara de Mogadouro, Francisco Guimarães.

Esta nova viatura destina-se a substituir uma outra com idênticas características, mas, com cerca de 15 anos, que já teria sido adquirida a um outro corpo de bombeiros e que "já não reúne condições de operacionalidade para o desempenho das suas missões".

"A viatura, que ainda se encontra ao serviço, não reúne condições para ir para o terreno e havia a necessidade de, ainda este ano, aquisição de um veículo mais moderno e funcional", especificou o autarca.

Outra decisão tomada foi a comparticipação de um Veiculo Florestal de Combate a Incêndios (VFCI) em 30% do seu preço total.

O VFCI resulta de uma candidatura ao Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (PO SEUR) a qual foi aprovada, no montante global de 147.600 euros, acrescidos de IVA.

Deste valor, o Município de Mogadouro, no distrito de Bragança, comprometeu-se a suportar 44.280 euros que corresponde aos 30% não financiados pelo PO SEUR.

Esta nova viatura ainda não tem uma data prevista para chegar ao quartel dos bombeiros de Mogadouro, já que está em fase de processo de aquisição e montagem.

FYP // LIL
Lusa/fim

6º Festival do Vinho do Douro Superior

Cónego Formigão homenageado em Bragança

Uma exposição, a apresentação de um livro, uma conferência ministrada por D. José Cordeiro e uma Cantata na Catedral foram a forma da Fundação Mensageiro de Bragança celebrar a vida e obra do padre Formigão.
A Fundação Mensageiro de Bragança dedicou todo um programa de dois dias, a 26 e 27 de maio, de homenagem ao cónego Manuel Nunes Formigão, não só pelo “papel ativo” que desempenhou após as Aparições de Nossa Senhora em Fátima, mas, também, por toda a sua obra desenvolvida em Bragança.

Mas comecemos pelo início, descritivamente, o programa compreendeu uma exposição inaugurada sexta-feira no museu etnográfico Dr. Belarmino Afonso, sobre a vida e obra de tamanho vulto da sociedade portuguesa e, em particular, da comunidade brigantina. Seguiu-se a apresentação no Auditório Paulo Quintela do livro“Santas e Santos no Ano da Santidade”, “uma coletânea” de textos publicados no jornal Mensageiro de Bragança durante o ano da Santidade, da autoria do padre Joaquim Leite e que contou com a presença de D. José Cordeiro. Numa sessão presidida pelo bispo diocesano, teve lugar uma breve conferência sobre a passagem do cónego Manuel Formigão pela diocese transmontana.

Contudo, o momento alto aconteceu no segundo e último dia, sábado à tarde, com a realização de uma Cantata na Catedral sobre a vida do homenageado, interpretada pelo coro e solistas alunos do Conservatório de Música de Ourém e Fátima e pela Orquestra Clássica de Fátima e cujo texto foi escrito pelo monsenhor Arnaldo Pinto Cardoso, postulador da causa de canonização do servo de Deus, enquanto a música esteve a cargo do padre António Cartageno.

Momentos antes da exposição ser inaugurada, o Diário de Trás-os-Montes esteve à conversa com o diretor do Mensageiro de Bragança que, resumidamente, narrou a vida do padre que, mais tarde, viria a ser conhecido como o “Apóstolo de Fátima”. “Em 1917, quando começou o fenómeno das aparições, o padre Formigão foi enviado à Cova de Iria para interrogar os pastorinhos. Supostamente, iria para desmistificar tudo aquilo que estava a acontecer, os ajuntamentos de pessoas, as visões de que se falava, mas, depois, não só ficou crente no fenómeno de Fátima como foi um dos seus maiores impulsionadores”, começou por explicar António José Rodrigues, para quem a vida do Cónego se expande muito para além da Mensagem de Fátima, numa espécie de ligação íntima com a capital nordestina. “Em 1935, o cónego Formigão vem para a Diocese de Bragança-Miranda, onde foi capelão na Santa Casa da Misericórdia. Fundou o Patronato de S. António para rapazes e o Patronato Nossa Senhora de Fátima para raparigas e que, mais tarde, seria entregue às Irmãs do Sagrado Coração de Jesus. Em 1940, foi o primeiro diretor do jornal diocesano do Mensageiro de Bragança e seu grande impulsionador. Aliás, em 1943, ele saiu para Évora, mantendo-se como diretor até 1946”, revelou o entrevistado que foi, não só um dos principais intervenientes na organização desta efeméride, mas, também, em parceria com a Santa Casa da Misericórdia de Bragança, com o Seminário diocesano de S. José, o Patronato de Santo António e as Irmãs do Sagrado Coração de Jesus, um dos motivos do seu sucesso.

ALGUNS DADOS HISTÓRICOS...

De acordo com uma nota biográfica providenciada pelo Santuário de Fátima, "o padre Manuel Nunes Formigão nasceu em Tomar, a 1 de janeiro de 1883 e aos 12 anos entrou no Seminário Patriarcal em Santarém, onde realizou os estudos eclesiásticos.

A 13 setembro de 1917 foi, pela primeira vez, à Cova da Iria como simples curioso e “profundamente cético relativamente aos factos que se diziam ali estarem a acontecer”.

Não se aproximou do local das aparições e saiu de Fátima ainda “mais cético, pois não presenciou nada de invulgar, apenas notando a diminuição da luz solar por altura das supostas aparições, mas facto que não deu qualquer importância”.

No entanto voltou a Fátima, em concreto, a Aljustrel, no dia 27 desse mesmo mês a fim de interrogar, em separado, os três videntes.

A este interrogatório sucederam-se outros nas semanas seguintes, nomeadamente o efetuado no dia 13 de outubro, horas depois da última aparição e depois de ter sido testemunha, juntamente com mais de 60 mil pessoas ao assombroso fenómeno solar, que o povo apelidou como “Milagre do Sol”.

O servo de Deus faleceu em Fátima, a 30 de janeiro de 1958, e no ano 2000 a Conferência Episcopal Portuguesa concedeu a anuência para a introdução da causa de Beatificação e Canonização do Apóstolo de Fátima".

Bruno Mateus Filena
in:diariodetrasosmontes.com

Feriado municipal juntou comemorações do Dia da Cidade em parceria com o aniversário dos Bombeiros Voluntários de Mirandela

Foi apresentado na sede da Santa Casa da Misericórdia de Vila Flor, o projeto ”Equipa Domiciliar em Paliativos – Unidade de Apoio”

Macedo de Cavaleiros: Associação de Pais afirma total confiança na escola

A Associação de Pais e Encarregados de Educação de Macedo de Cavaleiros explica que foi de imediato alertada para os factos que alegadamente terão ocorrido numa das escolas e manifesta total confiança na direção do Agrupamento sobre o assunto.
Depois de contactados, no final da semana passada, prontamente a direção da Associação de Pais deixou, por escrito, a sua posição sobre este caso. Assim, via correio eletrónico dirigido à Onda Livre, diz-se que “De acordo com as publicações recentes nas redes sociais sobre o Agrupamento de Escolas de Macedo de Cavaleiros, a Associação de Pais e Encarregados de Educação comunica que contactou a Direção do Agrupamento que, prontamente, nos informou dos factos ocorridos e das diligências tomadas com as quais, de resto, concordamos.

A Associação solicita ainda “a todos confiança no Agrupamento de Escolas e ponderação na disseminação de juízos sobre o assunto, por forma a não instabilizar os alunos e todo o processo de ensino/aprendizagem nesta reta final de ano.”

Escrito por ONDA LIVRE

Augusto Adriano Pires

Capitão de infantaria, natural de Fontes Trasbaceiro, concelho de Bragança. Foi governador de Cubango, na África, onde morreu de um desastre em Maio de 1924, mas o seu cadáver veio a enterrar a esta cidade, onde chegou a 13 de Janeiro de 1928. Os seus funerais revestiram invulgar solenidade, devido ao heróico brilhantismo da vida militar deste bravo bragançano. Toda a cidade tomou parte neles e no sentimento que a sua morte causou. À beira da campa discursaram: capitão Artur Coelho, pela Liga dos Combatentes da Grande Guerra; capitão Salvador Nunes Teixeira, pelos oficiais da guarnição; doutor António Augusto Pires Quintela, por um grupo de amigos; e tenente Luís de Portugal da Fonseca e Melo, pelos feridos da Grande Guerra. O discurso deste oficial, bem como o retrato do homenageado vêm publicados em A Voz de 18 de Janeiro de 1928.
Augusto Adriano Pires tomou parte na expedição a Moçambique (Gungunhana) em 1895 e no combate de Cuelela e tomada de Manjacaze; operações no Huíla em 1906; defesa do forte Roçadas no mesmo ano; operações no Cuamato em 1907; combate de Mufilo em 27 de Agosto; reconhecimento em 29; defesa de Ancongo em 2 de Setembro; acção de Macovi em 4 do mesmo mês; marcha debaixo de fogo em 13; defesa do bivaque em 15; marcha debaixo de fogo em 20; defesa do bivaque neste dia; marcha debaixo de fogo em 21; tomada da embala do Cuamato pequeno em 22; marcha debaixo de fogo e tomada da embala do Cuamato em 4 de Outubro; operações no Libolo em 1908; operações no sul de Angola em 1915-1916. Fez parte do corpo expedicionário à França e entrou no combate de 9 de Abril, comandando a 3.ª companhia de infantaria nº 10 (Bragança), a qual foi condecorada com a Cruz de Guerra de 1.ª classe.
Foi louvado pelas seguintes vezes: «em ordem à coluna de operações no Cuamato, em 1907, pelo muito zêlo, sangue-frio e valor militar; pela dedicação e zêlo com que cooperou no estabelecimento do posto “D.Manuel”, no Evala, em 1909; pela extrema dedicação, competência e boa-vontade no desempenho de diversos serviços e provas de resistência dadas nos trabalhos de ocupação do Cuangar, em 1910; pela energia e audácia com que, à frente de um pequeno grupo de auxiliares, assaltou o morro Muena Chipanga, em 1910; pela muita competência e zêlo com que desempenhou o serviço de mobilização a seu cargo em 1917; porque, por ocasião da batalha de 9 de Abril de 1918, ocupando a sua companhia o flanco direito do sector português, com ligação com as tropas británicas, tomou medidas acertadas e oportunas, dando provas de valor, serenidade, espírito militar e coragem, oferecendo uma eficaz resistência ao avanço do inimigo».
Tinha as seguintes condecorações: cavaleiro da Torre e Espada, medalha de prata da Rainha D. Amélia, medalha da Cruz Vermelha, medalha de prata de comportamento exemplar, medalha de operações no Sul de Angola, medalha de prata de bons serviços, medalha comemorativa do C.E. P. à França, medalha Inter-Aliada, medalha da Vitória, Cruz de Guerra de 3.ª classe, medalha de prata de valor militar, medalha comemorativa do E. P. Cuamato e medalha de Avis.
O retrato do heróico militar, acompanhado de notas biográficas, encontra- se na «Agenda Brigantina» de 1928.

Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança

Câmara de Macedo de Cavaleiros disponível para apoiar bombeiros na contratação

Depois de duas reuniões com o executivo camarário, e uma reunião posterior com o presidente da câmara de Macedo de Cavaleiros, há algumas conclusões à vista.
Falámos dos encontros entre os Bombeiros Voluntários e a autarquia, solicitadas durante o mês de abril pelo vereador do PS, Rui Vaz.

Agora é Duarte Moreno, o autarca macedense, a revelar algumas das conclusões destas reuniões.

Reuni com a direção dia 23, onde estavam todos os membros da direção, de onde saiu que, de facto, existe um problema interno. Nesses casos, são as próprias associações que os devem resolver.

Depois da resolução desse problema, teremos que manter as conversações para ver se a câmara pode ajudar de alguma forma.
E poderá haver ajuda financeira para contratar mais pessoal.

Sim, o que poderá estar em causa, na eventualidade, para haver mais contratações, são ajudas financeiras. A câmara municipal esteve e estará sempre desde o primeiro momento para poder ajudar.

O que se passa acontece a um nível global, por todo o país. O que se passa, penso que em todas as associações, é a dificuldade de receber os trabalhos que são feitos para as Unidades Locais de Saúde e para o INEM, por exemplo.

O que me dizem é que o trabalho aumentou, numa determinada percentagem, mas os pagamentos por esses trabalhos chegam dilatados no tempo. Deste modo, nenhuma tesouraria de associação pode sobreviver. Daí esta dificuldade financeira, porque o dinheiro não é vivo.

Depois de três reuniões entre a câmara e os Bombeiros de Macedo, são reveladas as conclusões finais: verificam-se problemas internos, não especificados, a serem resolvidos pela instituição. E fica a garantia de que da parte do município vai haver ajuda financeira para aumentar o corpo de profissionais, se assim for necessário.

Escrito por ONDA LIVRE

Bragança Procissão do Corpo de Deus 22 de junho de 1974

Procissão junto à Igreja da Sé; torre da Igreja; crianças na procissão; populares acompanham o cortejo.

O Salpicão do Nordeste 15 de setembro de 2001

Programa apresentado por José Hermano Saraiva dedicado ao concelho de Vinhais, no distrito de Bragança e o seu produto tradicional e regional, o salpicão.

Inauguração do edifício dos Paços do Concelho de Carrazeda de Ansiães 29 de agosto de 1960

Presentes: Arnaldo Schulz, Ministro do Interior, Arantes e Oliveira, Ministro das Obras Públicas, acompanhados do Conselheiro Trigo Negreiros, os Bispos de Bragança e de Miranda, António Gouveia, Governador Civil de Bragança, e Jerónimo Mendes Barbosa, Presidente da Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães; calorosa receção; ranchos folclóricos; missa campal; desfile de grupos folclóricos; inauguração do edifício, corte da fita pelo Conselheiro Trigo Negreiros; Sessão Solene, discursos de Jerónimo Mendes Barbosa, do Presidente da Comissão Distrital da União Nacional e de Arnaldo Schulz.

Exoneração do governador civil de Bragança 15 de fevereiro de 1990

Júlio de Carvalho, governador civil de Bragança é exonerado a seu pedido, em consequência de polémica instalada à volta da emissão de uma televisão pirata na cidade.

Cuidados Paliativos de Alfândega da Fé funcionam 24 horas por dia. Serviço é único no país

Existem 26 equipas domiciliárias de cuidados paliativos no país mas apenas a do Nordeste Transmontano oferece apoio 24 horas por dia. A Unidade Domiciliária de Cuidados Paliativos de Alfândega da Fé faz parte desta equipa da ULS Nordeste composta por 3 Unidades que oferecem um serviço dia e noite, algo inédito em todo o país.
Quem o diz é a docente e investigadora da Faculdade de Medicina de Coimbra, Bárbara Gomes, em entrevista ao Jornal Público do dia 25 de maio, referindo a importância dos cuidados paliativos no domicílio para utentes e famílias.

Morrer em casa é o desejo de muitos doentes e os cuidados domiciliários aumentam a possibilidade de isso acontecer, refere a especialista. Os cuidados em fim de vida ganham cada vez mais destaque entre a comunidade médica e científica. O apoio prestado a doentes paliativos e famílias em casa tem sido um dos enfoques das equipas que trabalham diariamente nesta área.

Em Alfândega da Fé a Unidade Domiciliária de Cuidados Paliativos foi criada em 2015 pela Liga dos Amigos do Centro de Saúde de Alfândega da Fé, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian que viu neste projeto característica inovadoras e potencialidade para crescer no território.

O objetivo principal é a prestação de cuidados paliativos no domicílio a doentes portadores de doenças crónicas, progressivas e incuráveis, bem como às respetivas famílias e cuidadores. O projeto recebeu também apoio da Missão Sorriso (edições 2013 e 2014) e Fundação EDP.

Estes apoios incluíram financiamento para aquisição de material médico e geriátrico que é cedido gratuitamente aos utentes. Já este ano, a UDCP de Alfândega da Fé recebeu o Prémio BPI Capacitar no valor de 50 mil euros, permitindo manter este serviço de excelência no concelho.

Esta Unidade já apoiou mais de 40 famílias no concelho de Alfândega da Fé, tendo efetuado mais de 1400 visitas domiciliárias e realizados mais de 700 contactos telefónicos. Foi ainda a responsável pela organização do Seminário sobre Cuidados Paliativos - um olhar sobre o cuidar em fim de vida, evento que reuniu em debate diversos especialistas na área.

in:noticiasdonordeste.pt

Feira do Livro chega às ruas de Mirandela

Até ao próximo dia 4 de junho o Parque Império da cidade de Mirandela acolhe mais uma edição da Feira do Livro.
A iniciativa conta com atividades culturais, ambientais e desportivas para todas as idades e ainda a presença de alguns escritores nacionais.


Moncorvo - Porta e púlpito da Igreja da Misericórdia

foto: autor desconhecido

Estudantes do Agrupamento de Escolas de Carrazeda de Ansiães participam na Mostra Nacional de Jovens Empreendedores

Mostra Nacional de Jovens Empreendedores reúne, no Centro de Congressos da Alfândega do Porto, as 50 melhores ideias de negócio, selecionadas a partir do Concurso Nacional de Jovens Empreendedores.
Foi a partir da 1ª Edição do Concurso Nacional de Jovens Empreendedores que a Fundação da Juventude selecionou os melhores 50 projetos nacionais que estarão em competição na Mostra Nacional de Jovens Empreendedores que se realiza de 5 a 7 de junho no Centro de Congressos da Alfândega do Porto. O concurso, destinado a jovens estudantes do Ensino Secundário e Universitário, coloca em competição duas categorias distintas: os melhores projetos desenvolvidos por jovens do Ensino Secundário e Profissional e uma outra categoria que envolve jovens universitários, com idades compreendidas entre os 18 e 25 anos.

Com vista promover o empreendedorismo criativo e empreendedorismo social, fomentando a geração de ideias e de negócios inovadores a Mostra Nacional de Jovens Empreendedores envolve cerca de 140 participantes, orientados por mais de 35 professores de cerca de 40 instituições de ensino.

Jovens de Bragança concorrem na Mostra Nacional de Empreendedorismo com molho agridoce 

 No total encontram-se em competição 50 projetos dos quais 1 é apresentado por jovens estudantes do Agrupamento de Escolas de Carrazeda de Ansiães. Concorrem com um molho agridoce com pretensões de promover a nossa região, dando a conhecer os produtos regionais como seja a maçã, o azeite e o vinho. 

Para os melhores projetos de cada uma das categorias (Ensino Secundário e Ensino Universitário) há prémios no valor total de cerca de 17.000 euros que incluem inscrições num Programa Avançado em Empreendedorismo apoiado pelo Santander Totta (destinados a distinguir os trabalhos com maior potencial do impacto económico) e vales de incubação gratuita nos Ninhos de Empresas do Porto ou Lisboa da StartUP Juventude. 

O Concurso Nacional de Jovens Empreendedores e a Mostra Nacional de Jovens Empreendedores conta com o apoio do Santander Totta, da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e da Brisa.

Para Ricardo Carvalho, Presidente Executivo da Fundação da Juventude «formar toda uma nova geração de jovens empreendedores é formar uma geração de jovens com espírito de iniciativa, de criatividade, de inovação, de liderança e de resiliência, com a capacidade de acrescentarem valor à envolvente e à sociedade na qual estão inseridos. Em parte, é isto que distingue os conceitos de intrapreneurship e enterpreneurship que a sociedade civil deve exigir como uma prioridade na educação das novas gerações». 

Com destaque para o empreendedorismo criativo e empreendedorismo social, o Concurso Nacional de Jovens Empreendedores procura distinguir e premiar a inovação, a criatividade e o talento dos jovens, estimulando a capacidade analítica, o espírito crítico, a capacidade de expressão e de argumentação e a criatividade em contexto de deteção de oportunidades de negócios. Assim, é através deste tipo de iniciativas e da criação de parcerias estratégicas, como as estabelecidas com o IAPMEI - Agência para a Competitividade e Inovação, I. P., o IPDJ – Instituto Português da Juventude e do Desporto I.P., IEFP – Instituto do Emprego e Formação Profissional e a Câmara Municipal do Porto, que a Fundação da Juventude procura potenciar o contacto dos Jovens com o “mundo real”, preparando-os para uma melhor integração no mercado de trabalho.

in:noticiasdonordeste.pt

Um homem e duas mulheres escravizaram durante 20 anos

Um homem e duas mulheres estão acusados do crime de tráfico de pessoas e de burla relativa a trabalho ou emprego. Um arguido e uma arguida acumulam ainda a acusação pelo crime de arma proibida.
Esta acusação foi pelo Ministério Público na Procuradoria da República de Bragança (Juízo Local Criminal de Bragança) dia 16 deste mês, informa hoje o site da Procuraria-Geral Distrital do Porto.

Os factos terão ocorrido entre os anos de 1992 até 2012. Nesse período, “um dos arguidos explorou, em benefício próprio, a força de trabalho de quatro pessoas, fosse em trabalhos agrícolas nas suas propriedades em Alfândega da Fé, sem o pagamento de qualquer remuneração, fosse colocando-as ao dispor de terceiros, em Espanha, também em trabalhos agrícolas, apropriando-se das remunerações pagas por tal prestação laboral.” Ainda de acordo com a acusação, o homem praticou estes crimes de 1992 a 2002 com uma das arguidas, e nos 10 anos seguintes com a outra arguida deste processo.

Os arguidos são ainda acusados de se apropriem dos documentos das vítimas, de as agredirem para as obrigar a trabalhar e de se apropriarem das prestações sociais de que estás eram beneficiárias.

O Ministério Público liquidou de igual modo uma quantia superior a 62 mil euros, “que considerou incongruente com o rendimento lícito do arguido e de uma arguida”, e que por isso deduz que sejam resultados dos crimes praticados. Por isso, requer que sejam condenados a repor essa verba ao Estado.

Escrito por ONDA LIVRE

De que maneira o Núcleo de Bragança fazia chegar, em 1989, as notícias para o Boletim Informativo Nacional da QUERCUS

Em 1989, as notícias para serem publicadas no “Teixo”, Boletim Informativo da Associação QUERCUS, e à falta de computador, e-mail e fax, eram datilografadas e, para chegarem a tempo de publicação, lidas por telefone.

Festival Literário de Bragança - Programa


Mirandela recebe hoje segunda edição do Tua Talks

Depois do sucesso da primeira edição, em 2016, realiza-se hoje, em Mirandela, a 2ª edição do Tua TALKS, com o lema: "IDEIAS QUE TE MOVEM, CONVERSAS QUE TE INSPIRAM".
Luís Pereira, coordenador do CLDS 3G de Mirandela, que promove a iniciativa com o apoio de vários parceiros, explica o Tua Talks tem como objectivo “proporcionar intervenções focadas nas temáticas da orientação, motivação, liderança, marketing pessoal, integração profissional e empreendedorismo. Num conceito de geração de ideias e criação de motivação e inspiração, vocacionado para pessoas que se encontrem em determinadas situação, como estudantes e desempregados”.

O Tua TALKS terá a partilha de expectativas, experiências e iniciativas de oradores convidados, num painel que Luís Pereira classifica de excepcional, com João catalão, Ricardo Peixe, Júlio Magalhães e Patrícia Sousa a falar na área do coaching. E na área da comunicação, estão previstas intervenções do autarca local, António Branco, do jornalista e director Geral do Porto canal, Júlio Magalhães e do humorista João Seabra.

Uma das particularidades deste evento, que é replicado um pouco por todo o lado, é que, em Mirandela, não tem qualquer custo para os participantes.

Esta quarta-feira, ao início da tarde, o auditório municipal de Mirandela acolhe a segunda edição do Tua TALKS. Uma iniciativa inserida no âmbito da 2ª Feira da Orientação Escolar e Profissional. 

Escrito por rádio Terra Quente (CIR)

IPB assina protocolos de colaboração com Timor e Argentina

O Instituto Politécnico de Bragança (IPB) e o Instituto Politécnico de Betano, em Timor, assinaram um protocolo de colaboração, que inclui a mobilidade de alunos, docentes e funcionários das duas instituições. A colaboração refere-se cursos nas áreas da produção animal, construção civil, agronomia e mecânica.
“Prevê o intercâmbio de alunos. Nós podemos receber alunos, em regime de mobilidade idêntico ao programa de Erasmus, do Politécnico de Betano e os nossos também podem ir para Timor com condições asseguradas em termos de alojamento e alimentação. A mesma coisa para os docentes e funcionários. Perspectiva-se ainda a vinda de professores de Betano que vão obter em Bragança formação a nível dos nossos mestrados”, explicou Sobrinho Teixeira, presidente do IPB.

O protocolo estende-se ao turismo através da Escola Superior de Comunicação, Administração e Turismo de Mirandela.

Num país em que o desenvolvimento económico depende muito da produção de petróleo, Abel Ximenes, vice-ministro da educação de Timor, considera que o turismo é uma aposta muito importante.

“Este sector é muito importante, não só para colocar produtos de Timor em qualquer parte do mundo mas também para recebermos visitas de todo o mundo. Queremos trabalhar para não estarmos tão dependentes do petróleo”, frisou o governante timorense.

Entretanto, o IPB protocolou mais duas parcerias internacionais, uma com a Universidade do Pará, no Brasil, e outra com a Universidade Tecnológica Nacional da Argentina. E para Sobrinho Teixeira estes acordos são resultantes da cotação do politécnico nos rankings de instituições de ensino.

“O IPB é uma bandeira a nível nacional e tudo o que aparece nos rankings está a dar fruto. Quatro vezes consecutivas como melhor politécnico e este ano estar entre as três melhores instituições a nível nacional acaba por ter repercussões”, afirmou o presidente do IPB”, salientou.

Depois das assinaturas dos protocolos com Timor e Argentina sobe para 65 o número de países com os quais o IPB tem parcerias. 

Escrito por Brigantia

Marcações extraordinárias de exames de condução atenuam atrasos em Bragança

Depois de quase três anos com atrasos significativos na marcação de exames de condução, em Bragança, a situação parece agora estar perto de normalizar. A melhoria deve-se ao facto de estarem a ser marcadas datas extraordinárias para realização de provas no centro de exames da cidade.
Desde que o processo das cartas de condução está a ser julgado, os examinadores têm de se deslocar de outros pontos até Bragança, nomeadamente do litoral. A situação originou atrasos que se arrastam desde 2014. Até ao mês passado, a espera para quem queria marcar exame situava-se nos 90 dias, actualmente e depois da marcação extraordinária de mais quatro dias de exames o período de espera diminuiu.

“Está a melhorar ligeiramente, não sabemos até quando vai haver estas marcações extraordinárias mas a ser assim a situação fica regularizada em poucos meses, a tendência é o tempo de espera baixar, porque marcaram mais sessões do que aquelas que tinham comunicado no início do ano”, adiantou Paulo Pinto, da escola de condução Êxito.

Paulo Pinto acredita que a mudança se deve à pressão exercida pelas escolas de conduções e diz que estão já marcadas duas sessões extraordinárias para o próximo mês de Junho, para além das datas iniciais, no entanto, em Agosto não deverá haver agendamento de exames de condução em Bragança.

Apesar dos sinais de melhoria, o responsável da escola de condução Êxito, lamenta a situação que se arrasta há três anos e as consequências que teve a nível económico.

“Perdemos alguns candidatos porque as pessoas perguntam quanto tempo demora a tirar a carta, especialmente quem acaba o 12.º e quer tirá-la nas férias do Verão, o que não podemos garantir com estes atrasos, e acabam por tirar a carta nos locais onde vão estudar”, refere, salientando que também a qualidade de ensino, foi afectada, porque “quando um candidato a exame é preparado e depois está dois ou três meses parado à espera que a data saia, isso não é bom e fez aumentar o número de reprovações”.

A operação "Carta Branca" levou ao julgamento 111 arguidos acusados de corrupção, entre eles clientes de 9 escolas de condução, instrutores, examinadores, funcionários e empresários, de Trás-os-Montes, Minho e do distrito do Porto.

Em causa está um alegado esquema de corrupção que terá levado cerca de 200 pessoas a pagar entre 200 a 4 mil euros para obter a carta de condução.

O mega julgamento das cartas de condução decorreu durante dois anos em Bragança, e já foi concluída a fase de julgamento. Falta agora a deliberação do colectivo de juízes e elaboração do acórdão. 

Escrito por Brigantia

Interrupção de Abastecimento de Água - Macedo de Cavaleiros

Já está constituída formalmente a Rede Ibérica de Investigação de Montanha

Já foi constituída a a Rede Ibérica de Investigação de Montanha, agora incluída na Declaração Conjunta da Cimeira Portugal-Espanha 2017 e nas Conclusões do Fórum Parlamentar Luso-Espanhol 2017.
Na passada sexta-feira, 26 de maio de 2017, foi constituída a Rede Ibérica de Investigação de Montanha (RIIM). Durante a reunião dos parceiros da RIMM que decorreu no IPB, em Bragança, foi assinado o Memorando de Entendimento para o estabelecimento desta Rede e para a definição dos seus princípios de governação e funcionamento. 

A RIIM é uma iniciativa do CIMO que envolve, até ao momento, 19 centros de investigação e instituições do ensino superior de Portugal, Espanha e Andorra. 

O CIMO será a instituição diretora da RIIM durante os próximos quatro anos, sendo subdiretoras o Instituto de Ganadería de Montaña (IGM), Espanha, e o Centre d’Estudis de la Neu i de la Muntanya d’Andorra (CENMA), Andorra. 

A constituição da Rede Ibérica de Investigação de Montanha em Bragança consta do (ponto 40) da Declaração Conjunta da Cimeira Portugal-Espanha 2017 e das Conclusões do Fórum Parlamentar Luso-Espanhol 2017  (último parágrafo).

in:noticiasdonordeste.pt

Projeto que une jovens e idosos na leitura finaliza ano letivo

Chega ao fim do ano letivo, na próxima sexta-feira, o Projeto “Ler + e Mais Além”. No Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros, às 15:00H, alunos do Secundário e 1º Ciclo e utentes dos Lares e Centros de Dia assinalam com peças de dramatização, recitais de poesia, canções e músicas o fim de um ano de interação e partilha em torna da leitura e das experiências.
A Biblioteca Municipal e as Bibliotecas Escolares do Agrupamento de Escolas implementaram ao longo do ano letivo este projeto, com atividades diversas na biblioteca. Dinamizado pelos professores de Português, alunos do ensino secundário, alunos do 1º Ciclo e técnicos da Biblioteca Municipal, teve como público interativo os utentes dos Lares da 3ª Idade, Centros de Dia e Academia Sénior do concelho de Macedo de Cavaleiros, promovendo a socialização, a redução dos efeitos do envelhecimento através de atividades que estimulam a mente e a partilha de saberes.

O Projeto “Ler + e Mais Além” teve como  intervenientes as Turmas do 10ºA, 10ºB, 10ºC, 10ºD, 11ºC, 3ºA e 3ºD  do Agrupamento de Escolas de Macedo de Cavaleiros, Utentes dos Lares da 3ª Idade Santa Casa da Misericórdia, Casa de Repouso Afonso, Casa de Repouso Vale o Bem Viver, Lar Santa Ana, Lar do Lombo, Centro de Dia Padre Susano, Centro Social e Paroquial de Grijó, Centro Social e Paroquial São Geraldo, Centro Social e Paroquial de Talhas e Academia Sénior Idade Maior/Idade Melhor.

Nota de Imprensa - CM Macedo de Cavaleiros

DECO em Alfandega da Fé para sessão de esclarecimento e atendimento aos consumidores

No decorrer das comemorações da Semana da Energia, a DECO irá deslocar-se a Alfândega da Fé no próximo dia 1 de Junho, quinta-feira.
Durante o período da manhã, a partir das 9h30, será prestado atendimento aos consumidores, com a presença de uma jurista da DECO que estará disponível para analisar as reclamações e prestar informação útil. 

Este atendimento é disponibilizado a toda a população, que poderá esclarecer questões relativas a faturas de água, de eletricidade ou de telecomunicações, questões relacionadas com créditos, compras, entre outras. 

Às 14:30, será dinamizada uma sessão informativa na junta de freguesia de Alfândega da Fé, sobre o tema “Emagreça a sua fatura da eletricidade”. Convidamos todos os habitantes de Alfândega da Fé a participar. Basta aparecer! 

A presença da DECO no concelho enquadra-se no protocolo de colaboração com a Câmara Municipal de Alfândega da Fé que prevê Apoio ao Consumidor e Aconselhamento Financeiro aos consumidores de todo o concelho de forma gratuita.

in:noticiasdonordeste.pt

Festival Literário chega hoje a Bragança

Arranca hoje, dia 31 de maio, no  Edifício Paulo Quintela, em Bragança, a terceira edição do Festival Literário e o quinto encontro da Lusofonia. Estes dois certames culturais prolongam-se durante quatro dias consecutivos, terminando apenas no dia 3 de junho.
A programação deste ano do estival Literário de Bragança é muito abrangente quer em iniciativas quer nos públicos alvo que a iniciativa pretende atingir. O objetivo é sempre o mesmo: “incentivar e promover a leitura junto da comunidade”. 

Este ano merece particular destaque a atividade “ O escritor vai à Escola, que levará os escritores às escolas da cidade em articulação com as coordenadoras das bibliotecas escolares. 

O Certame vai contar ainda com ateliês de escritores e ilustradores para incentivar os mais pequeninos ao gosto pelos livros. 

As Academias de Trás-os-Montes e a Academia de Belém do Pará (Brasil) são as instituições responsáveis pela reunião em Bragança de um significativo número de escritores lusófonos, mas para lá dos livros, o evento inclui ainda o teatro, a música e a formação em literatura e escrita. As noites serão dedicadas a conversas com escritores convidados e provenientes do panorama literário nacional, como, por exemplo, Gonçalo M. Tavares e Maria e inês Pedrosa.

Livro "MIRANDELA NO SEC. XX" de Sarmento Figueiredo apresentado no Dia da Cidade


terça-feira, 30 de maio de 2017

G.D.B. - 1958 - Despedida de Eusébio Neves

A construção da fronteira transmontana - 3.3. Episódios da Guerra dos 7 anos

...continuação

As últimas grandes guerras que tocaram a fronteira de Trás-os-Montes foram os episódios da Guerra dos Sete Anos. São acontecimentos posteriores às Memórias Paroquiais de 1758 e portanto ainda que as guerras no seu conspecto europeu lhe fossem contemporâneas, não o são os eventos transmontanos de 1762, episódios da parte final da guerra, em que Portugal se verá envolvido.Pela sua contemporaneidade aos relatos memorialísticos não deixamos de fixar aqui umas breves notas dos episódios transmontanos, porque eles seriam marcantes para a futura evolução fronteiriça, notas dos episódios transmontanos, porque eles seriam marcantes para a futura evolução fronteiriça, notas dos episódios transmontanos, porque eles seriam marcantes para a futura evolução fronteiriça, notas dos episódios transmontanos, porque eles seriam marcantes para a futura evolução fronteiriça, notas dos episódios transmontanos, porque eles seriam marcantes para a futura evolução fronteiriça, regional e urbana de Trás-os-Montes.
Para a História Geral ficou o relato de relativa facilidade com que as tropas do Marquês de Sarria se apoderam, por rendição fácil, das praças transmontanas, Bragança, Miranda e Chaves. E do rápido abandono deste plano de conquista do território, pelas dificuldades geográfico-sociais de acesso ao Porto por esta parte do território. Apesar do pequeno impacto nacional desta campanha transmontana ela teve enormes consequências nas duas praças da região, em Bragança e Miranda. Os episódios dramáticos para estas duas praças tiveram lugar no mês de Maio de 1762 e resultaram na sua maior, diria mesmo, final destruição para o futuro militar destas praças.
Vindos do acampamento de Alcanices entre outras terras e pequenas praças as tropas Castelhanas tomaram Bragança e Miranda sem oposição onde provocaram os maiores danos. Em Bragança são demolidas as muralhas de S. João de Deus e lançado fogo ao Castelo. Em Miranda, após o bloqueio e o desastre do fogo do armazém da pólvora, vão também demolindo as muralhas (9 de Maio de 1762). De imediato, com os prisioneiros vão sendo transportados a Zamora e outros pontos a artilharia e os víveres que encontram. O Corregedor da Torre de Moncorvo noticia a entrada de «hum pé de exercito espanhol de 5 para 6.000 homens na Torre de Moncorvo, indicando as pessoas que tiveram alucinação de pessoas para o serviço do rei espanhol (IAN/TT, DP, 430, 1762), entre eles um que serviu de vereador em Freixo tendo sido então nomeado alcaide-mor e um outro, encarregado do governo do castelo que entregara as chaves ao inimigo, sem repugnância (IAN/TT, MR, 443, 1752).
No entretanto, os campos e as aldeias ficam sujeitas aos assaltos, aos saques e aos incêndios. As autoridades civis, bom ou mau grado, afirmam a sua obediência à nova ordem. Breve, João de Almada informa a Lisboa que Trás-os-Montes «fica destituída de toda a defesa e à descrição dos Castelhanos».
4. CONCLUSÃO
No testemunho das Memórias Paroquiais, em especial daquelas paróquias por onde se traçam os limites entre Portugal e Espanha, a fronteira e o desenho dos seus limites mostram situações diferenciadas. Em muitas zonas onde os limites orográficos e sobretudo hidrográficos se impõem, os seus términos vão bem definidos e estão absolutamente estabilizados, e não permitem qualquer fundamento para a sua discussão. Mas em outras partes do território, a fronteira continua sempre ainda um limite, em aberto, cuja resolução é muitas vezes tão só matéria de discussão e resolução muito localizada, configurando-se muitas vezes como questão entre comunidades vizinhas, onde a pertença a Estados diferentes, pouco altera e interfere na resolução da matéria.
Expressão dessa realidade é a prática fixada de anualmente as comunidades vizinhas – paroquiais, mas certamente também concelhias – procederem à verificação dos seus limites. Em Quiraz (concelho de Vinhais) refere o Memorialista, que «todos os anos, as justiça, do povo renovam as demarcações».
Esta deve ser uma prática que se deve ter generalizado e constituir prática comum, aí mesmo onde os acordos dos limites estão já bem fixados e estabilizados.
Mas em alguns territórios as pendências mantém-se. No território do concelho de Bragança, os limites desenham-se na serra da Gamoeda, no alto da qual está uma Pedra Estante que não só divide o Reino de Portugal do de Castela, como divide também três Bispados: Miranda, Astorga e Orense. Mas este limite é objecto de contestação como refere o Memorialista: «tendo-se feito vários exames por parte das justiças de uma e outra Coroa, não está a dúvida decidida», alargando-se os moradores com seus gados e rebanhos de ambos os reinos por montes e terras de divisão ainda indefinida (Memória de Espinhosela, Bragança).
Muitas vezes porém acontece que não há nem limites físicos, nem marcos divisórios. Os limites desenham-se no interior das comunidades fronteiriças e fazem-se no interior do exercício dos poderes e jurisdições. Os limites passam algumas vezes pelo meio das paróquias que se dividem não só pela autoridade civil, mas também pela administração religiosa. É o caso dos lugares meeiros, onde os portugueses e castelhanos repartem ou exercem conjuntamente nos lugares ou suas instituições jurisdições e tarefas civis ou religiosas e usam distinta ou indistintamente equipamentos e usufruem dos territórios. São conhecidas as situações dos coutos mistos para a área fronteiriça do concelho de Montalegre, em território Vilarrealense. As Memórias da orla brigantina permitem fixar outras situações que, com maior ou menor complexidade e desenvolvimento se devem ter verificado na generalidade dos povos e comunidades fronteiriças e transfronteiriças, onde a jurisdição civil não é concordante com a religiosa e por elas se entrecruzam as populações. É este o caso no concelho de Chaves, na freguesia de Vilarelho da Raia, lugar de Cambedo, metade galego e metade português. Há aí a capela de S. Gonçalo, «servem-se dela para administração dos sacramentos os galegos e os portugueses e tanto uns como os outros a fabricam e pagam para ela a sua fábrica».
No concelho de Vinhais, na freguesia de Montouto, há 2 capelas nos limites, a capela de S. Jorge, no lugar de Candedo, a capela de Santa Marta, no lugar de Carvalhas, a elas concorre «inumerável povo de Galiza e de Portugal». E a freguesia de Vilarinho da Lomba tem lugares na Galiza, a saber, a Quinta da Varge e a Quinta de Varia.
Aqui à capela de Nossa Senhora da Boa Morte concorrem muitos galegos. No concelho de Bragança, a paróquia de Portelo e Montezinho tem três lugares (Calabor, Requeixo e Teixeira) que são da jurisdição civil de Castela, de Puebla de Sanabria. E na paróquia do Outeiro à capela do Santo Cristo, concorre muita gente de Galiza e Castela; na sua confraria entre os seus 14 000 irmãos, contam-se muitos de Castela. Quer isto dizer que a fronteira fixa-se ora no limite da linha bem demarcada, mas também perpassa o seio das comunidades meeiras.
E para além disso há ainda a banda larga da concorrência económica e devocional, às feiras, mercados, devoções e romarias da região que se desenvolvem por sobre aqueles limites e que as populações transpõem com regularidade para uma e outra banda sem obstáculos de maior. Do lado português é pois possível ver castelhanos concorrenciar as feiras portuguesas, estar presentes nas suas festas e romarias e participar nas irmandades e confrarias de mais larga expressão. O mesmo se verificará naturalmente com portugueses no lado castelhano.


É certo que a construção do Estado e os episódios violentos da Guerra foram criando fronteiras políticas, mas também psicológicas e morais que foram extremando as convivências. São feridas que por vezes só dificilmente se vão curando, como refere o Memorialista de Duas Igrejas (concelho de Miranda), a propósito das destruições e furtos provocados pelos Castelhanos de bois, gados, mantimentos e incêndios de searas e casas. Por outro lado as pretensões que os galegos mantinham sobre alguns lugares na freguesia de Vilarelho da Raia (concelho de Chaves), eram motivo a que entre as duas comunidades vizinhas se criassem ódios e inimizades e se desprezassem os casamentos entre elas como se refere na Memória de Vilarelho da Raia (concelho de Chaves). Nada porém que se não verificasse também entre comunidades vizinhas por idênticos motivos de indefinição e concorrência de limites adentro do território nacional. Mas agora o Nacionalismo, o Patriotismo nascido da Guerra e da sua Memória sempre presentes, torna estes afrontamentos mais profundos e cavam definitivamente a fronteira em bases morais e psicológicos mais profundas, que a construção do Estado Moderno sustentará.



J. V. C.
in:repositorium.sdum.uminho.pt

O MUSEU DA LÍNGUA E A PÓS-VERDADE

Meu Caro

Como sabes, Caríssimo, há coisas que não levam a lado nenhum e há coisas que levam a outras coisas. Eu, neste mundo, nada tenho contra a maior parte das coisas. Todavia, há algumas coisitas, leves, e, se calhar, explicáveis – ou não –, que me amarguram, me estragam a moral e o sossego do bem-estar já sexagenário, se calhar, imerecido. Já estou com o dizer do Farrusco: há utilidade e conforto no não-conhecido.

Mas quando uma pessoa deixa de desconhecer, as coisas complicam-se, pois vão dar a outras coisas e estas, muito provavelmente, a outras mais. Em resumo: é o Ciclo da Coisa.

Não sei se te disse, mas com outros amigos fui interveniente em projeto para o Museu da Língua aberto pela CMB. Já me apercebera que não devia ter entrado nesta coisa para evitar outras, mas... Bem... Bom... Portanto, já sabes que o que te vou expor é de parte interessada no assunto a vários títulos.

Factos:

A CMB abre concurso público (Nº 11/2016-CP/CC-DLM), definindo, no ponto 1.4, o anonimato como exigência concursal, reforçado no Ponto 2.2.: «O presente concurso pressupõe um acompanhamento constante ao desenvolvimento do mesmo, acautelando a sua exemplaridade e a manutenção do anonimato até à elaboração, pelo júri do concurso, do relatório final, ou seja, a identificação dos concorrentes só será conhecida após a divulgação dos resultados». Mas a exigência do rigor no anonimato define, ainda, a necessidade deste critério a todos os níveis, incluindo o informático. Assim, o Ponto 12.5. pormenoriza: «Instrução sobre o método de controlo de assinaturas: 12.5.1. De modo a evitar que o júri tenha acesso às assinaturas/identidade dos concorrentes, salvaguardando o anonimato das propostas, o concorrente apenas necessitará de possuir selos temporais e certificado de assinatura eletrónica qualificada aquando da submissão final de uma comunicação ou da proposta final. 12.5.2. Relativamente aos documentos da proposta, estes não devem ser assinados individualmente pois, se um documento é assinado digitalmente no PDF é visualizada a informação da assinatura pelo júri e desta forma não será garantido o anonimato dos concorrentes. Como não é possível controlar o aspeto da assinatura num documento PDF, pois tal como em papel, a marca física (Layer/camada em formato digital) é informação do próprio documento e é visível em qualquer dos programas existentes no mercado para leitura de PDF, o concorrente não deve assinar os documentos da proposta individualmente. 12.5.3. Desta forma, para que não exista qualquer incoerência, nas peças do procedimento é importante salientar que o concorrente não deverá submeter quaisquer documentos de proposta com informação identificativa, tal como assinaturas manuais, digitais ou outras informações que o identifiquem». E o Ponto 12.6. termina exigindo que «Todos os documentos e assinaturas previstos no ponto 10, devem ser então elaborados e apresentados de tal forma que fique assegurado o total e absoluto anonimato dos concorrentes, não podendo conter qualquer elemento que permita, de forma direta ou indireta, identificar o seu autor ou autores».

E o Ponto 15. refere-se à «Apreciação e hierarquização dos projetos: (...) 15.1. O júri procede à apreciação e hierarquização dos trabalhos de conceção apresentados, elaborando, para o efeito, um relatório final, assinado por todos os seus membros, no qual deve indicar, fundamentalmente: 15.1.1. A ordenação dos trabalhos de conceção apresentados, de acordo com os critérios de seleção fixados no anterior ponto 13 destes termos de referência; 15.1.2. A exclusão dos trabalhos de conceção: i) Cujas propostas tenham sido apresentadas após o termo do prazo fixado nos termos de referência; ii) Cujos documentos que os materializem, contenham qualquer elemento que permita, de forma direta ou indireta, identificar o seu autor ou autores».

Até aqui tudo me parece claro e perfeito, justíssimo. De louvar até tanta minúcia regulamentar para preservar e garantir o anonimato das propostas.

O seguimento da coisa traz-nos mais Atas, nomeadamente a da Reunião Ordinária de 24 de Abril, pp, que, no seu Ponto 12, nos informa que, «abertas as propostas, cada uma delas ficou automaticamente codificada e constatou-se que em nenhum dos documentos que as integravam, era permitida de qualquer forma ou modo determinar a identidade do respetivo autor». E, para finalizar todo o processo concursal, na Reunião Ordinária da CMB de 8 de Maio, no Ponto 20 procede-se à descodificação das propostas, «de modo a aferir a identidade dos concorrentes bem como a pertença dos respetivos trabalhos, tendo elaborado este documento onde consta a correspondência entre a ordem de entrada e os códigos atribuídos pela plataforma, à identificação dos concorrentes, dando-se esta a conhecer».

E pronto, a coisa ficava, ou dava-se, por resolvida!

Dentro dos Factos:

Só que... Bem... Bom.. Façamos um exercício de rotina de mero escrutínio informativo, e consultemos os ficheiros informáticos PDFs do candidato vencedor. Busquemos as propriedades do ficheiro, melhor, dos vários ficheiros apresentados a concurso, e reparemos na autoria dos mesmos: onde deveria constar «Nenhum», ou nada existir referido, consta «ARC Arquitectos». Não se sabe porque a plataforma informática concursal só disponibiliza os três primeiros lugares, contrariando as normas e as informações dadas pela CMB e, assim, não podemos continuar este exercício para além do terceiro candidato. Sabemos, porque descrito em Ata camarária, que sete concorrentes foram afastados do concurso por variadas razões, mas julgamos que nenhuma relacionada com a quebra de confidencialidade e anonimato. Fui verificar os ficheiros da proposta da equipa onde me integrava e o «Nenhum» imperava, tal como, no segundo e terceiro classificados. Todavia, os ficheiros do primeiro classificado – contra toda a regulamentação do anonimato – são claros na informação sobre a autoria do projeto: ARC Arquitectos. Como é isto possível?

Estava eu a matutar nesta engenhosa técnica comunicativa da pós-verdade – lateral, liminar, sub-reptícia – quando o meu amigo Ortega me informa: «Olha, afinal passou-se a mesma coisa no último projeto a que concorri para a CMB, sobre uma intervenção a realizar na área do Jardim António José de Almeida: éramos 4 concorrentes, fiquei em terceiro lugar, mas os dois primeiros também têm este esquema informativo nos PDFs...»

Muito Caro: Tu, que conheces a parvónia desde sempre, quando achas que terá chegado a pós-verdade a Bragança?

Um abraço, Rapazão, do teu



JMNJ
João Manuel Neto Jacob
in:jornalnordeste.com

NÓS: Transmontanos, Sefarditas e Marranos - FRANCISCO RODRIGUES TRINDADE (N. C.1535)

Se bem que pertencendo à etnia hebreia, Francisco Rodrigues Trindade não seria judeu nem marrano. Antes deverá ser apresentado como um homem assumidamente cristão e denunciante de seus patrícios. Decidimos incluí-lo nesta séria de biografias, ao lado de sua irmã Catarina Rodrigues Trindade, esta sim presa por suas práticas de judaísmo, falecida nos cárceres da inquisição de Lisboa, aos 72 anos, como exemplo de percursos distintos e opostos, dentro do mesmo grupo familiar.

Entre os membros da primeira geração de cristãos-novos da vila de Miranda do Douro, contava-se uma Isabel Gonçalves, a qual casou com João da Trindade que alguns afirmam ser cristão-novo, mas todos dizem que viveu e morreu como cristão, sem qualquer indício em contrário. Um de seus filhos chamou-se António Rodrigues Trindade, que casou e viveu em Torre de Moncorvo com Ana Fernandes. (1) Ela foi queimada nas fogueiras da inquisição de Lisboa, lugar que compartilhou com os filhos. Ele faleceu e foi enterrado como bom e insuspeito cristão, pelo ano de 1601. Em casa a sua comida era mesmo cozinhada em panela apartada da mulher e dos filhos. Seria este seu comportamento cristão verdadeiramente autêntico? Ou seria ditado pela sua profissão de recebedor das sisas?

A filha Catarina, nascida por 1532 casou igualmente em Torre de Moncorvo com Fernão Álvares e tiveram larga e importante descendência, do ponto de vista social, com largo historial nos processos do santo ofício, nomeadamente a sua filha Maria Álvares e o neto António Pereira. (2)

Contaria Francisco uns 15 anos quando começou a servir o deão da sé de Miranda e comissário local da inquisição, Dr. Gil do Prado. E com ele foi de Miranda para Almeirim acompanhando o bispo da diocese, D. Toríbio Lopes, que estava doente e faleceu em 1553. Nessa fase da vida e durante a doença do bispo, o deão e o seu criado terão andado por Lisboa e nessa altura o nosso jovem conheceria o inquisidor Ambrósio Campelo.

Falecido Toríbio Lopes, o deão e o criado regressariam a Miranda. Chegados a Coimbra, Francisco pediu ao seu amo que lhe desse algum dinheiro e que o deixasse ali a estudar latim. Terminava assim uma ligação de 4 anos. Terminaria? Ou será que o Trindade foi instruído pelo Deão, fazendo trabalho de espia e denunciante?

Pela mesma altura faleceu a mãe de Francisco e o pai casou em segundas núpcias em Torre de Moncorvo com uma estalajadeira chamada Isabel Lopes,  (3) cristã-nova e judaizante.

Pouco se demoraria por Coimbra o nosso estudante de latim pois logo apareceu em Torre de Moncorvo a “passar férias”. Aí, morando na estalagem, a madrasta ter-se-á aberto com ele, fazendo-lhe muitas confidências sobre o Messias que em Roma estava prisioneiro mas logo haveria de soltar-se dos grilhões e dirigir a instauração do reino de Israel, o qual haveria de dominar sobre a terra. (4)

Demorou-se por Torre de Moncorvo uns 45 ou 50 dias e, em vez de retomar os estudos em Coimbra, rumou a Lisboa e foi empregar-se na casa de um Dr. Monção, prior da igreja da Madalena. E no dia 3 de janeiro de 1555, dirigiu-se à casa da inquisição, para denunciar de práticas de judaísmo contra a sua madrasta e outras pessoas. Vejam o registo do seu depoimento:

- No dia 3 de janeiro compareceu Francisco Rodrigues Trindade que denunciou Isabel Lopes, sua madrasta, da Torre de Moncorvo, por ter dito que Jesus Cristo não era filho de Deus e outras heresias, Gabriel Rodrigues, genro dela, por ter dito que tudo quanto o papa fazia era burla, a mulher deste Leonor Lopes e finalmente Diogo Mendes, tabelião de Miranda, todos cristãos-novos. (5)

Este registo dos cadernos do promotor é o resumo das declarações de Francisco Trindade continuadas por mais de uma sessão na casa do despacho, perante os inquisidores Pedro Álvares Paredes e Ambrósio Campelo, que ordenaram a prisão dos denunciados.

Obviamente que tais prisões provocaram em Torre de Moncorvo um forte impacto. E um parente de Isabel Lopes, Pero Henriques, solteiro, grande mercador e homem viajado por todo o reino e terras de Castela, meteu-se a caminho de Lisboa com o objetivo de tentar a libertação dos prisioneiros. Para isso teria de saber quem os acusara e os respetivos crimes. Depois, trataria de impedir que o(s) denunciante(s) ratificasse(m) as denúncias ou, no caso de o não conseguir, tratar de desacreditar o(s) seu(s) depoimento(s).

Na casa do Dr. Monção, Francisco não encontrou só emprego mas também o casamento com uma criada do mesmo, chamada Maria Barros. E como esta era pobre e as pagas do prior minguadas, Francisco ia fazendo uns serviços eventuais de escriturário e copista em cartórios de escrivães da alfândega de Lisboa assoberbados de trabalho.

Foi então que o caminho de Francisco se cruzou com Pedro Henriques o mercador da Torre de Moncorvo atrás citado. Apresentou-se este muito amigo, disposto a ajudá-lo a sair daquela vida de pobreza. Mostrou-lhe Francisco uma carta recebida de um tio muito rico que vivia em Cabo Verde em que o mandava ir para junto de si. Acrescentou que bem gostava de ir mas não tinha dinheiro para a viagem. Pero Henriques prontificou-se a pagar a viagem e logo foram comprar mantimentos e bilhete para embarcar.

Parecia tudo pronto, com o viajante instalado no barco prestes a zarpar, quando no cais apareceu o juiz ordinário, chamado pela mulher de Francisco Trindade, a impedir que este seguisse viagem. Tudo indica que o plano foi preparado entre Francisco e a mulher que, de seguida, se apresentaram na inquisição dizendo que Pedro Henriques o andava perseguindo e o queria forçosamente embarcar para Cabo Verde para não poder ratificar as denúncias que fizera contra a sua madrasta e os outros.

E com base nos depoimentos de Francisco e da mulher, Pedro Henriques daria entrada nos cárceres da inquisição de Lisboa. (6) De Francisco Rodrigues Trindade não mais ouvimos falar. Nem sequer é citado por sua irmã Catarina Rodrigues quando, na sessão de 19 de novembro de 1602 fala da sua genealogia. Sobre esta diremos que a alcunharam de “coisa rica” e morava na Rua do Espírito Santo quando foi presa em 26 de agosto de 1602, sendo já viúva e mãe de 6 filhos. Veio a falecer nas masmorras da inquisição em 9 de janeiro de 1604, ao fim de “muitos tempos que lhe dera paralisia e nunca mais se levantara nem se virava se não a viravam e muito mal podia comer por sua mão”.

Não se enganavam os inquisidores ao condená-la como judia. Com efeito, ela “não se soube benzer nem persignar”. Mas não se escusou a ditar para o processo uma oração judaica que ela rezava:

Oh! Alto Deus mais poderoso

A ti chamo, pecador.

Sempre manso e animoso

Adonay, meu criador.

NOTAS e BIBLIOGRAFIA:
1-ANTT, inq. Coimbra, pº 2398, de Ana Fernandes.

2-IDEM, pº 2359, de Catarina Rodrigues Trindade; pº 1096, de Maria Álvares; pº 8786, de António Pereira.

3- IDEM, inq. Lisboa  p.º 3123, de Isabel Lopes.

4-IDEM, inq. Lisboa, pº 3123, de Isabel Lopes. Veja-se um excerto das denúncias de Francisco Trindade: - Outra vez falando-lhe a dita sua madrasta, estando ambos sós, lhe disse que estava uma casa em Roma cerrada e que todos os papas que vinham lhe mandavam lançar uma fechadura e que dentro dela estava um homem cujo nome lhe não lembra (…) que era o messias e que tinha um grilhão nos pés e que estava um menino com uma serra serrando-lho. E que pronto os ferros fossem acabados de serrar, haviam os cristãos-novos de ser livres, e que se haviam de ir para a terra de onde primeiro vieram que era Jerusalém, e que lá haviam de ser grandes senhores e que lhe haviam de levar de cá para cavalos aos cristãos-velhos (…) E é mais lembrado que a dita sua madrasta lhe disse, estando ambos sós, que um papa mandara abrir aquela casa de Roma onde estava o messias e que mandara meter dentro um cristão e logo morrera, e que mandara meter um mouro e logo morrera; e que depois mandara meter um judeu, para ver o que lá ia e que este vivera.

5-BAIÃO, António – A Inquisição em Portugal e no Brasil (séc. XVI), in: Archivo Histórico Portuguez, vol. VII, p. 4.

6-ANTT, inq. Lisboa, pº 6771, de Pero Henriques.
António Júlio Andrade / Maria Fernanda Guimarães

in:jornalnordeste.com