sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Apicultores preocupados com consequências dos fogos para o setor

Os apicultores estão preocupados com o efeito dos incêndios na redução da área de alimento para as abelhas e consequentemente na diminuição da produção de mel, disse hoje o presidente da associação florestal Aguiarfloresta.
Este é precisamente um dos assuntos que vai estar em debate no Fórum Nacional da Apicultura que decorre entre 07 e 10 de setembro, em Vila Pouca de Aguiar.

Duarte Marques, presidente da Aguiarfloresta e um dos organizadores do fórum, disse hoje à agência Lusa que os incêndios representam "uma grande ameaça" para a apicultura porque destroem diretamente colmeias, mas também porque estão a reduzir a área de pasto - ou seja, de alimento das abelhas.

"O que se traduz em maiores dificuldades a nível de produção de mel e derivados e da sustentabilidade e viabilidade das explorações apícolas", afirmou.

Nas últimas semanas têm sido relatados vários estragos causados pelos fogos em colmeias.

"Muitos incêndios destroem apiários e abelhas. Mesmo que não consumam as caixas e as colmeias, o excesso de calor acaba por afetar as abelhas que acabam muitas vezes por morrer por sobreaquecimento", explicou Duarte Marques.

O responsável destacou também que os incêndios têm implicação direta na redução da área de floração, logo de pólenes e néctares.

"Quando arde o mato está-se a perder área de pasto, de alimento, para as abelhas. É uma perda efetiva para a apicultura", frisou.

Duarte Marques explicou que as abelhas têm uma área de ação limitada, podendo ir buscar alimento apenas a três ou quatro quilómetros de distância.

Isso implica que, por vezes, seja necessário mudar a localização das colmeias ou recorrer à alimentação artificial para se manterem as colónias vivas.

"É um esforço e há custos acrescidos, com implicações na rentabilidade das explorações. Os custos de produção tornam-se mais elevados do que os proveitos", salientou.

O dirigente referiu que, para além dos incêndios, este setor possui outras "ameaças e fragilidades", desde o clima, as doenças e pragas, como a vespa asiática que "está em crescendo em Portugal".

A seca teve, este ano, um efeito direto na produção de mel.

Duarte Marques referiu que 2017 "foi um ano mau". "Depende das regiões mas aqui, no Alto Tâmega, a quebra de produção andará à volta dos 50% comparativamente a um ano normal", sustentou.

O fórum nacional é considerado o "grande evento da apicultura" em Portugal, que serve fazer o "ponto de situação do setor".

"É um momento de encontro em que se faz uma avaliação das dificuldades do setor e as novas oportunidades, também as investigações e as inovações", frisou.

O evento inclui a realização da XVI Feira Nacional do Mel e da Feira de Inovação da Apicultura.

O fórum é promovido pela Federação Nacional dos Apicultores de Portugal e conta com vários parceiros institucionais na região, como a associação florestal e ambiental Aguiarfloresta, com sede em Vila Pouca de Aguiar, no distrito de Vila Real.
foto: Rui Peixoto

Agência Lusa

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